O novo Centro Interpretativo do Arco da Vila, em Faro, foi apresentado ontem, na mesma data em que há exatamente 95 anos (1 de dezembro de 1920), começou a funcionar um dos relógios públicos mais emblemáticos da cidade, «oferta do ilustre e prestante farense, coronel António dos Santos Fonseca», segundo assinala uma placa que só agora, passadas décadas, está de novo visível à população.
Situado por cima das instalações do antigo Governo Civil de Faro, o novo Centro tem por atrativo várias peças históricas que estavam guardadas na reserva do Museu Municipal de Faro, com o é exemplo, um crucifixo em azulejo datado de 1719, dedicado ao culto das almas, que se pensa ter pertencido originalmente à Igreja do Pé da Cruz de Faro. Apresenta uma museologia contemporânea e atrativa, e sobretudo dá acesso a um novo miradouro com vistas para os tradicionais telhados em tesoura da Cidade Velha, baixa e Ria Formosa.
O Centro funciona no piso superior do renovado Posto de Turismo de Faro, e devolve à capital algarvia a Capela da Senhora do Ó, que durante muitos anos teve o acesso interdito ao público. A intervenção resulta de uma parceria entre a Região de Turismo do Algarve (RTA) e a Câmara Municipal de Faro (CMF) e teve apoio de fundos comunitários.
Visto que se trata de um património praticamente desconhecido para a maioria dos farenses, algarvios, turistas e visitantes, ambas as entidades estão convictas que haverá uma grande recetividade. Até janeiro, a entrada será gratuita para todos, passando depois a custar três euros, embora esteja previsto um preçário distinto para os vários públicos.
Além da exposição e do vídeo explicativo sobre a Cidade Velha, um dos atrativos é a sala onde está o mecanismo do relógio do Arco da Vila.
Ouvido pelo «barlavento», Fernando Correia de Oliveira, jornalista e investigador especializado em relógios, ficou surpreendido em saber que o mecanismo de pêndulo que ainda hoje dá horas a Faro foi fornecido em 1913 por Aurélio Romero – um reparador e importador de Lisboa, que entre outros, montou e manteve o relógio do edifício do Banco de Portugal, em Coimbra, recentemente restaurado.
O relógio de Faro ainda tem a placa identificativa, em condição impecável, para os seus respeitáveis 102 anos de idade.
O Posto de Turismo de Faro atende cerca de 80 mil turistas por ano, e conta agora com 92 metros quadrados de área adaptada a pessoas com mobilidade reduzida.