Questão Repetida promove a sua IV exposição fotográfica do Ciclo Trechos para assinalar o centenário da chegada do comboio a Lagos, procurando alertar para a falta de mobilidade atual deste serviço público.
O Ciclo Trechos inclui a exposição «Pouca Terra, Pouca Terra…» que pode ser visitada nos Edifícios de Apoio da Docapesca até 31 de dezembro. Esta mostra, de Andrea Inocêncio, foi inaugurada no dia 29 de julho e estará exposta na parede traseira do edifício, num projeto que aborda a problemática da deslocação de comboio até Lagos através de uma série de fotografias encenadas.
Os avós maternos da autora eram algarvios, o que a expôs à questão do uso de transportes públicos para chegar ao Algarve: como encontrar a forma de viajar mais rápida, confortável e económica.
Andrea Inocêncio é uma artista cujo trabalho se move entre o desenho e a fotografia e entre a performance e o livro de artista.
Recentemente, começou a desenvolver obras de arte urbana sob o pseudónimo malandr[e]a. Expõe e apresenta performances regularmente desde 1996, em Portugal e no estrangeiro.
Realizou residências artísticas e recebeu várias bolsas e prémios dos quais se destacam o Apoio à Internacionalização da Fundação Calouste Gulbenkian (Canadá), Concurso Projetos Artísticos Serralves em Festa (Porto), bolsa INOV-ART/DGArtes (Barcelona), Apoio à Internacionalização do Instituto Camões (Argentina), bolsa Eurodissée (Paris), bolsa PAAD – Projecto Atlântico de Arte Digital (Canárias), bolsa de criação artística da DRAC – Direcção Regional da Cultura (Açores) e distinção como Createur d’aujourd’hui pela Federation Nationale de la Culture Française.
A sua maior aspiração é «transformar grandes ideias em obras de arte, e partilhar o conhecimento e experiência criativa pelo mundo numa lógica de reciprocidade».
O objetivo principal do Ciclo Trechos é, «através da fotografia como instrumento de reconstrução histórica e cultural, construir e simultaneamente recuperar uma memória, através do confronto de um passado de esperança e modernidade, à vulgarização e esquecimento».
Com o projeto Trechos «pretende-se analisar o impacto da chegada do comboio a uma zona extremamente isolada e rural e observar a transformação de um século. A linha do Algarve, que foi sempre tão importante para a região, mas, em simultâneo, tão esquecida dos interesses da população que serve, proporciona uma das mais bonitas viagens que se pode fazer pela região, longe das atrações turísticas e traçando uma fronteira de um Algarve de profundos contrastes. O projeto propõe, por isso, ligar a linha do Algarve à sua população, particularmente à população de Lagos», explicam os responsáveis.
Esta exposição conta com o apoio do município de Lagos, da Direção-Geral das Artes, da Infraestruturas de Portugal, da Direção Regional de Cultura do Algarve e da Região de Turismo do Algarve.