Estas modificações trouxeram, no que diz respeito à doença e à incapacidade, duas manifestações visíveis: uma diminuição das doenças infeciosas ou transmissíveis e um aumento das doenças crónicas e degenerativas não transmissíveis. Nos próximos 10 a 15 anos assistiremos, em todo o mundo, a um aumento das doenças cardiovasculares e respiratórias, doenças oncológicas, diabetes e demências. O impacto económico e social das sequelas destas doenças são imprevisíveis. Mas com toda a certeza, terão uma magnitude poderosa, se considerarmos expectável que correspondam em 2030 a três quartos de todas as causas de morte.
Não existindo previsibilidade de alterarmos estas projeções, resta-nos apostar no desenvolvimento de atitudes direcionadas para a sua prevenção. Focando-nos em estratégias que aumentem a adoção de estilos de vida saudável, norteadas sobretudo pela alimentação e a atividade física, que deverão estar presentes em todos os ciclos da vida. Os benefícios que o exercício promove na saúde física e mental dos indivíduos estão cada vez melhor documentados, sendo considerados determinantes da saúde e do envelhecimento saudável.
Da mesma forma, o exercício é atualmente um recurso com evidência demonstrada, na abordagem e gestão das doenças crónicas não transmissíveis, sendo considerado uma entidade terapêutica tão importante e benéfica, quanto a abordagem farmacológica.
Apesar da prática da atividade física ser, por si só, muito importante para a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida de qualquer indivíduo, em situação de doença é imprescindível a adoção de um programa estruturado, sistematizado e prolongado de atividade, que passa assim a ser apelidado de exercício físico.
As deficiências fisiológicas e as limitações nas atividades da vida diária que as diferentes doenças crónicas provocam estão bem estudadas, da mesma forma que as guidelines terapêuticas emanadas pelas organizações e associações internacionais que lhes estão relacionadas.
O destaque oferecido pelo exercício pode resumir-se: aumento da endurance, da força e da massa muscular. Aumento da densidade capilar muscular. Aumento da capacidade oxidativa e otimização do transporte e da utilização do oxigénio. Por outro lado, diminui as necessidades ventilatórias, a frequência cardíaca, a pressão arterial e os níveis de ansiedade e depressão. Diminui os níveis de glicose no sangue e aumenta a sensibilidade celular à insulina.
Para que o exercício modifique a história natural da doença crónica, é necessário que seja prescrito e monitorizado por um profissional de saúde, para que possam ser produzidas alterações efetivas nos diferentes sistemas fisiológicos afetados.
Algumas questões que têm de obrigatoriamente ser consideradas englobam por exemplo: qual o tipo de exercício ou modalidade mais adequada à minha condição de saúde, às minhas deficiências e descondicionamento? Que intensidade de exercício é o adequado para alcançar as minhas necessidades? Qual a frequência que devo adotar? Qual a duração de cada sessão? Como deve evoluir o meu plano de exercício, respeitando todas as variáveis descritas?
Estas serão as questões básicas que irão ser consideradas e discutidas com a equipa interdisciplinar, que respeitará igualmente duas condições essenciais: a especificidade e a individualidade da sua condição.
Neste momento, o Hospital Particular do Algarve possui nas suas unidades hospitalares de Alvor e Gambelas-Faro, programas estruturados de exercício terapêutico para as condições de doença pulmonar obstrutiva crónica; insuficiência cardíaca; diabetes e hipertensão.
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