Já não podemos dizer que as novas tecnologias são o futuro. Porque elas são, na verdade, o presente. São já hoje indispensáveis para a nossa vida e na forma como consumimos e comunicamos. A revolução industrial dos nossos tempos é digital. Vivemos num mundo cada vez mais tecnológico, online, sem fronteiras, que produz mais informação num ano do que nos últimos anos somados.
A sua empresa está pronta para competir neste mundo? E os seus filhos estão prontos para um mercado de trabalho onde a literacia tecnológica é essencial? E como podem ser os serviços públicos do seu município mais eficientes?
Se queremos participar no mercado e contribuir para a competitividade do país e da Europa a nível mundial, é necessário que as indústrias, em todos os setores e independentemente da dimensão das empresas, aproveitem plenamente as oportunidades digitais. Oportunidades essas que vão desde processos de produção, distribuição, segurança e contacto com os clientes e parceiros e serviço.
Apesar das tecnologias e processos digitais terem sido rapidamente adotados em muitos setores da economia, os setores tradicionais (como os da construção, agroalimentar, têxteis ou metalurgia) e as PME estão particularmente atrasados na sua transformação digital.
Estudos recentes estimam que a digitalização dos produtos e serviços permitirá gerar um aumento anual de mais de 110 mil milhões de euros de receitas para a indústria da Europa nos próximos cinco anos. Na expansão e na inovação de serviços digitais é também onde está uma das oportunidades de criar emprego.
A Europa dispõe de uma base industrial muito competitiva e é um líder mundial em setores importantes. Mas só seremos capazes de manter a sua liderança se a digitalização da nossa indústria for realizada rapidamente e com sucesso. Vários Estados-Membros da União Europeia já lançaram estratégias destinadas a apoiar a digitalização da indústria. Mas é necessária uma abordagem abrangente a nível europeu para evitar a fragmentação dos mercados e para usufruir dos benefícios da evolução digital, como a Internet das Coisas. A Comissão propõe também medidas concretas para acelerar a elaboração de normas comuns em domínios prioritários, como as redes de comunicação 5G ou a cibersegurança, e a modernização dos serviços públicos.
No âmbito da sua estratégia para a criação de um Mercado Único Digital, a Comissão Europeia apresentou os seus planos para ajudar a indústria europeia, as PME, os investigadores e as autoridades públicas a tirarem o máximo partido das novas tecnologias.
A Comissão Europeia apresentou um conjunto de medidas destinadas a apoiar iniciativas nacionais e a estabelecer ligações entre estas com vista à digitalização da indústria e dos serviços conexos em todos os setores, bem como a promover o investimento através de redes e parcerias estratégicas.
Como parte integrante dos planos apresentados, a Comissão irá criar uma «nuvem europeia» que terá como primeiro objetivo proporcionar aos 1,7 milhões de investigadores da Europa e aos 70 milhões de profissionais nos domínios da ciência e da tecnologia um ambiente virtual para armazenar, gerir, analisar e reutilizar grandes volumes de dados de investigação.
Precisamos de liderança e de investimento nas tecnologias digitais. Em Portugal, existem exemplos de empresas líderes neste âmbito e é importante a aposta de criar ecossistemas que estimulem e apoiem start-ups e PME inovadoras e tecnológicas. O caminho tem de continuar e temos de ir bem mais longe e mais rápido.
As propostas apresentadas esta semana trazem novos recursos e orientações muito importantes. Devem ser aproveitadas para permitir uma maior digitalização e internacionalização das empresas, mais inovação e maior eficiência em produtos e serviços públicos e privados. No entanto, é extremamente importante que este caminho inclua também uma nova perspectiva de educação e formação em competências que permitam esta transição. Acompanhe e participe online com #DigitiseEU e #DigitalSingleMarket
Por João Tàtá dos Anjos, Chefe interino da Representação da Comissão Europeia em Portugal