Nos últimos dois meses, agosto e setembro, o sector da saúde ficou marcado por diversas greves promovidas pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), um pouco por todo o país. No desenvolvimento dessas e outras ações de luta, realizadas em cerca de vinte instituições nacionais, Algarve inclusive, e face à ausência de soluções por parte do Ministério da Saúde e do governo para os problemas apontados pelos enfermeiros, a direção desta estrutura sindical decidiu avançar com mais formas de luta. Assim, está marcada uma concentração de dirigentes do SEP para dia 7 de outubro, às 11h30, junto ao Ministério da Saúde, em Lisboa, tendo sido ainda decidido realizar uma greve nacional nos dias 13 e 14 de outubro. O SEP exige «a reposição do valor integral das horas de qualidade e extraordinárias, as 35 horas semanais para os enfermeiros em Contrato Individual de Trabalho que não as detêm, a negociação de medidas que minimizem a penosidade e risco inerente à Profissão (aposentação, dias de férias)». Entre a lista de exigências consta também a questão da admissão de mais profissionais, sendo necessária a «imediata reabertura do concurso nacional para 2000 enfermeiros, para as Administrações Regionais de Saúde», bem como o «aumento da contratação pelas instituições hospitalares, ainda em 2016, e contratação de 4000 enfermeiros em 2017», segundo nota enviada às redações. Os sindicalistas defendem ainda a progressão nas posições remuneratórias e a abertura de concurso para enfermeiro principal, a negociação do suplemento remuneratório para enfermeiros especialistas e das grelhas salariais das categorias de enfermeiro, enfermeiro chefe e supervisor. O pagamento do trabalho extraordinário realizado e os incentivos financeiros aos enfermeiros que integram unidades de saúde familiar modelo B, e, a harmonização de condições (salariais e de trabalho) entre trabalhadores que exercem funções nas diferentes unidades funcionais dos Agrupamentos de Centros de Saúde, também são alvo da reivindicação sindical. As propostas, bem como os pedidos de reunião, serão apresentadas ao Ministério da Saúde e a todos os Grupos Parlamentares.