«Não concorri, fui contactado diretamente pela revista internacional a informar que me encontrava na shortlist de melhor operadora turística do Algarve, pois tiveram muitos clientes a darem um excelente feedback e informação sobre a nossa empresa e os nossos tours», explica Vasco Chaveca.
Foi no início da última semana de junho de 2013 que um tuk tuk amarelo invulgar começou a circular pelas ruas de Portimão. Vasco Chaveca, 41 anos, (ex-)engenheiro avaliador imobiliário, conta ao «barlavento» como surgiu a ideia de ir buscar tão exóticos veículos e para quê.
No seu antigo trabalho, «percorria o Algarve todo, e aquilo que mais me incomodava era chegar ao verão e ver o contraste entre as zonas das praias apinhadas de gente e ao mesmo tempo os centros das cidades vazios». Ou seja, a não circulação de turistas pelo comércio tradicional, problema que se agrava durante o inverno.
«Temos uma série de infraestruturas que são excelentes para o turismo. Mas como muitos turistas não se aventuram pelos centros urbanos, não sabem da sua existência, e portanto nada disto acaba por dinamizar a economia local. Isso incomodava-me um bocado”, referindo-se a museus e monumentos.
«Comecei a pensar que uma das boas soluções seria um veículo – uma bicicleta, uma carroça – algo que pudesse trazer os turistas» a locais que por vários motivos, ficam foram de mão.
Chaveca lembrou-se da viagem de núpcias na Tailândia. Trouxe consigo um souvenir, um tuk-tuk em madeira, que lhe deu a solução que procurava.
«Comecei a pesquisar, mas só encontrava tuk-tuk a gasolina. Se queremos pensar em turismo de qualidade e de futuro, temos de pensar em ecologia. Além disso, havia benefícios fiscais para veículos elétricos. São fatores que pesaram na decisão», explica.
Na altura, «encontrei uma fábrica na Holanda que importa apenas os chassis da Tailândia e coloca-lhes a motorização elétrica».
Mas o trânsito de passageiros em trajetos curtos não é a função dos táxis? «Não. Os taxistas incomodam-se de fazerem percursos muito pequenos. Além disso, a ideologia dos tuk-tuk, é que o motorista possa ser ele próprio um guia turístico ao dispor dos passageiros. Este veículo é totalmente aberto, permite-lhes uma visão de 360º sobre todos os pontos da cidade. E mais. Temos uma parceria com as autarquias que nos autoriza a usar as paragens dos transportes públicos municipais e a parar no estacionamento reservado a cargas e descargas”, diz.
Em Silves, o tuk-tuk é particularmente útil enquanto veículo de acesso ao Castelo e ruas circundantes, cujo piso, no inverno é difícil para os turistas seniores. Também em Monchique, os pequenos veículos não têm dificuldade em subir os caminhos íngremes
«Os nossos dois tuk-tuk são 100 por cento elétricos, não fazem ruído, nem poluição. Não incomodam os passageiros, nem os residentes das ruas dos centros históricos. São ágeis o suficiente para andar por caminhos estreitos», onde outros veículos convencionais têm dificuldades. «A autonomia ronda os 80 quilómetros por carga de bateria», estima.
Quando fundou a empresa, Chaveca apresentou o serviço à hotelaria, «para que todos pudessem ter acesso» a este serviço. «Tive todo o tipo de reações. Houve quem dissesse que só está interessado no mais barato possível, porque só interessa o turismo de massa», admite. «Se quisesse ter um serviço de baixo valor para as massas, teria investido num autocarro», ironiza.
Ainda assim, na altura, já havia um claro sinal de mudança de mentalidades. «Das reuniões que tive, muitas unidades estavam a tentar fazer parcerias com a economia local, para que o hotel funcione como alojamento e encaminhe os seus hóspedes para os vários serviços disponíveis ao redor».
Para já, a empresa mantém o caráter familiar. «Neste momento, eu e a minha mulher é que tratamos de tudo, mas estamos em vista poder efetuar uma parceria com a Universidade do Algarve para estágios profissionais».
A «Allgav-TukTuk» trabalha nos concelhos de Portimão (onde está sediada), Silves, Lagoa e Monchique, de segunda a domingo, durante todo o ano.
«Não é só estar à espera da avalanche de turistas de verão. O problema é que dá muito trabalho, por isso é que a nossa empresa só quase depois de 3 anos é que realmente está a dar frutos para o futuro», reconhece.
A rota mais frequente dos tuk-tuk é «Silves com prova de vinho do Porto», servido nos estabelecimentos D. Sancho, junto ao Castelo. «O segundo tour que sai mais é o de Alvor e de Ferragudo, com quase o mesmo numero de pessoas num e no outro», revela Chaveca.
A clientela varia. «A única certeza que tenho é que 90 por cento são ingleses, escoceses e irlandeses. Na época baixa, a média de idades é acima dos 55 anos. Durante a época alta, são mais ingleses», conclui.