Pedro Martins, 26 anos, é um jovem do Parchal, concelho de Lagoa, que pratica badminton desde os seis e que, nos últimos dez, não perdeu uma partida de nível nacional. Este recém-licenciado em Educação Física e Desporto considera tal facto prejudicial para a sua carreira, porque «torna-se difícil progredir, se não defrontarmos jogadores superiores, porque não podemos desenvolver a parte tática. A solução passa pelos torneios internacionais, mas a falta de patrocínios limita as participações».
Iniciou-se no Parchalense, mas usava as instalações da Che Lagoense e acabou por mudar-se. «Criei o gosto de imediato, porque tive sucesso logo que agarrei no volante e na raquete. Comecei a competir com sete anos e os títulos começaram a surgir». O atleta algarvio foi chamado à seleção nacional de seniores, aos 15 anos. Aos 22 anos, participou nos Jogos Olímpicos de Londres e está prestes a qualificar-se para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, integrando os 38 jogadores a nível mundial que vão participar nesta prova de renome.
barlavento – Como foi a sua prestação nos Olímpicos de Londres?
Pedro Martins – Tive pouca sorte no sorteio, pois as «pooles» eram de três ou quatro jogadores e fiquei numa só de dois, o mais novo e o mais velho em competição, o meu ídolo e o quarto melhor do mundo, o dinamarquês Peter Gade. Perdi, mas fiquei feliz por ter jogado contra o meu ídolo.
As boas prestações em competições internacionais determinam a convocatória olímpica?
Fui número um do ranking europeu, durante os dois anos em que competi como júnior. Mas não estive no meu melhor durante o campeonato da Europa, devido a uma lesão, e acabei por perder em três sets, nos quartos-de–final. Teve um sabor amargo. No ano seguinte, em seniores, também cheguei aos quartos–de-final.
Tem condições para participar em muitos torneios?
Este ano, porque é ano olímpico, há apoios para tudo. Nos outros anos, nem por isso.
Mas os atletas olímpicos não têm subsídios?
Dizem que sim (riso). Quer dizer, se estivermos em alta competição, temos, por escalões. Infelizmente, já não sou abrangido, porque tive uma lesão e estive parado cerca de ano e meio, perdendo o estatuto.
Quando o «barlavento» chegar às bancas, a 25 de fevereiro, já Pedro Martins estará no Uganda, num torneio internacional. Duas semanas depois, estará no Brasil, seguindo para a Jamaica, Nova Zelândia e Cuba. Não é a prática ideal, mas por motivos financeiros, não pode levar o seu treinador consigo nestas viagens.
O dinheiro é o eterno e principal problema das modalidades amadoras, nos clubes modestos, certo?
Felizmente, tenho um patrocinador em termos de material, a Yonex. Devido a estar parado, deixei de ter patrocínio pecuniário, mas continuam a apoiar-me com o material, o que é muito bom. Cada raquete custa 200 euros. Tenho sete e, num só jogo, podemos gastar as cordas de três ou quatro. A GFI-Medicine, de Vilamoura, dá-me apoio médico e de fisioterapia, tal como a osteopata Carla Martins, do Centro Nenúfar, desde os últimos Jogos Olímpicos. Também tenho apoio psicológico, indispensável na alta competição, com a psicóloga Carla Martins.
Como angaria então o dinheiro para se deslocar aos torneios?
Este ano, sendo atleta olímpico, a federação disponibiliza uma verba mensal. O clube também ajuda, quando pode. A Câmara Municipal de Lagoa também me está a apoiar bastante, este ano, porque acreditam no meu trabalho. Só tenho a agradecer.
E nos outros anos?
No passado, tive um contrato com a Yonex. E também há os prémios monetários de alguns torneios. Como sou muito poupado, consegui juntar e, quando há falta, vou buscar às poupanças. Mas já passaram quatro anos desde que acabou o meu contrato e começa a ser complicado.
E o futuro de Pedro Martins, como será?
Não há treinadores de topo em Portugal. A modalidade está pouco desenvolvida no Algarve e penso que, com a minha formação académica e a minha experiência internacional ao mais alto nível, posso ajudar a desenvolve o badminton.