Estão mais de 30 graus. Um improvisado relógio de sol marca as 11h30, mas são 12h30 pela hora de verão. Não há vento. A praia de Porto de Mós, em Lagos, está apinhada de pessoas, na sua maioria turistas, que procuram voltar para as suas casas, após um período de descanso, com um bronze de fazer inveja.
À entrada, no areal, está uma tenda, um cartaz de grande formato a descrever o que ali se faz e ensina. À frente está uma ponte improvisada, um relógio de sol e diversas propostas do Centro de Ciência Viva de Lagos, que este verão integra o programa nacional da Ciência Viva em Rede.
Logo à chegada, algo que chama a atenção. Alguém mexe, de forma constante, um balde, ora no sentido dos ponteiros do relógio, ora no sentido contrário. O balde tem um saco no interior. Parece algo frio, que contrasta com a temperatura ambiente. Dentro de instantes, será um gelado, segundo explicou Sara Mira, a bolseira de Gestão em Ciência e Tecnologia, que coordena a tenda nesta praia. Para quem não sabe, esta iniciativa faz parte de um programa a decorrer em todo o país, com 1100 atividades diferentes, sendo «centralizado nos Centro de Ciência Viva nacionais, que coordenam» a sua própria oferta de experiências científicas e lúdicas.
No caso de Lagos, a presença desta tenda em 18 praias do concelho e limítrofes, é denominada Ciência ao Sul, funcionando das 10 às 19 horas, com interrupção à hora de almoço, desmotivando também a exposição solar no horário de maior calor.
Mas voltando ao gelado. É intrigante a forma como se produz, com facilidade, em plena praia com temperaturas muito elevadas… Sara Mira desvendou o mistério. É feito «sem uso de eletricidade, só recorrendo a gelo e sal.
Conseguimos que o ponto de solidificação do gelado seja a quatro graus e não a zero». A receita até é simples. No saco está leite, neste caso, chocolate e natas. Num balde é colocado gelo e sal, sendo, depois, inserido o saco com os ingredientes principais. «Temos que agitar bastante. Esse movimento ajuda, porque as partículas de gordura do leite, que se vão aglomerando, dão a textura cremosa de um saboroso gelado».
Mas a ciência não se fica por aqui. «Temos também a construção de paraquedas para serem lançados, onde pedimos às pessoas que sejam criativas na construção destes objetos, quando lhes fornecemos os materiais», acrescentou. Depois do voo, devem criticar o que correu mal ou pensar numa forma de solucionar o problema.
Há propostas para criar «vulcões de areia, observar conchas ou explicar o efeito Bernoulli, através da construção de aviões e de cachimbos de ar para manter uma bola no ar. É o príncipio da aviação», salientou Sara Mira.
Estes podem ser uns bons momentos passados em família, pois há atividades para todos os gostos, onde os mais novos também podem participar. Em boa verdade, suscitam a curiosidade de qualquer pessoa independentemente da idade. Um exemplo é a ponte Da Vinci, construída com toros de madeira, sem recurso a fios ou parafusos.
«Mesmo que a criança pequena não participe na construção da ponte com o pai, pode atravessá-la depois. O importante é motivar a partilha e as atividades em conjunto, não impedindo qualquer participação individual», referiu. Outra atividade , que Sara Mira não quis dar a receita, é a criação de pegamonstros de areia, que promete vir a ser um sucesso.
Há ainda outras temáticas que variam consoante a vontade do público, ou as condições da praia.
Por exemplo, se a maré o permitir, pode-se visitar, «na baixa mar, as poças da praia, para verificar os organismos que lá vivem. Depois de identificados, os que são móveis, podemos trazê-los para a tenda, onde temos duas lupas binoculares. Aí verificamos os detalhes dos organismos». A ideia é mostrar qual as diferenças de observar a olho nu ou com uma lupa binocular.
As outras opções são participar em atividades que, por sistema se realizam no Centro de Ciência Viva de Lagos, como é o caso das saídas de campo, como a visita à praia da Salema para ver as pegadas de dinossauros, sendo guiada pelo paleontólogo e diretor executivo do Centro, Luís Azevedo Rodrigues. Neste âmbito a ação aproveita a envolvente cultural, natural, histórica e patrimonial do espaço para criar uma iniciativa.
A estreia foi positiva, pois só na manhã do primeiro dia, em pouco mais do que duas horas, na praia de Porto de Mós, a tenda já tinha sido visitada por 40 pessoas.
Esta presença integra ainda outro projeto, intitulado «Saúde a 4 tempos». Consiste na promoção de uma temática relacionada com a saúde, por cada estação do ano. Neste caso, no verão, aproveitando a praia, segundo Sara Mira, temos «o sol e a pele», que pretende sensibilizar a população para os perigos da exposição solar.
Agora, só visitando a tenda se ficará a conhecer a receita dos pegamonstros de areia. Não custa nada tentar…
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Ciência ao sul
Meia Praia (Lagos) 23 de julho, 8 e 21 de agosto;
Porto de Mós (Lagos) – 24 de julho, 7 de agosto;
Praia Grande (Armação de Pêra) – 30 de julho;
Luz (Lagos) – 31 de julho, 15 de agosto;
Castelejo (Vila do Bispo) – 1 de agosto;
Mareta (Vila do Bispo) – 6 de agosto;
Amoreira (Aljezur) – 13 de agosto;
Odeceixe (Aljezur) – 14 de agosto;
Praia Grande (Ferragudo) – 20 de agosto;
Praia de Alvor (Portimão) – 22 de agosto;
Praia da Rocha (Portimão) – 28 de agosto;