Dana Shell Art transforma conchas e elementos do mar em obras únicas, inspiradas na natureza e criadas no seu estúdio, em Ferragudo.
A artista Dana Georgescu, conhecida como Dana Shell Art, desenvolve um trabalho assente na utilização de conchas de mariscos e fragmentos naturais recolhidos no mar, criando obras de forte impacto visual.
Conquilhas, mexilhões, ostras, pedaços de corais secos e redes de pesca integram as composições que nascem da sua ligação ao mar, a principal fonte de inspiração e matéria-prima.
Esta paixão de Dana, natural de Constanta, onde se situa o maior porto da Roménia, já existia antes de se mudar para Portugal, mas foi no Algarve que começou a aprofundar esta ligação e o interesse pela natureza. É no estúdio, em Ferragudo, que desenvolve as suas obras, recorrendo a elementos naturais.
O percurso artístico surgiu de forma espontânea. A artista utiliza materiais recolhidos nas praias e em restaurantes locais, como o Salga e Barril, bem como da empresa de aquicultura Finisterra, dedicada à produção de mexilhão biológico, em Sagres.
A ligação ao mar remonta à infância e hoje é ainda mais forte, influenciando a sua linguagem artística. «Lembro-me de passar os verões inteiros na praia quando era criança. O mar sempre fez parte da minha vida», recorda. Apesar deste interesse, o seu percurso profissional não iniciou na área artística.
Dana formou-se em Educação, no Colégio Nacional Elena Cuza, em Bucareste, e trabalhou, durante quase uma década, como professora do ensino primário no seu país.
No entanto, apesar de considerar o ensino a sua vocação, as mudanças no sistema educativo e a vontade de viver outras experiências, levaram-na a uma área distinta, fora da Roménia. Durante vários anos trabalhou em hotelaria em diferentes países europeus, incluindo Suíça e Itália, antes de iniciar a sua jornada em cruzeiros.
Foi durante esta fase que a sua vida pessoal ganhou outro rumo, quando conheceu o seu companheiro português e, em 2006, fez do Algarve a sua casa. Com novas perspectivas e experiências culturais, dedicou-se ao sector imobiliário e à gestão de alojamentos turísticos ao longo de mais de 10 anos.
Mais tarde, a pandemia fez com que recordasse a sua ligação à natureza com caminhadas frequentes pelas praias da região. Inevitavelmente, começou a recolher conchas e pequenos fragmentos trazidos pelo mar.
«Tudo começou como um hobby, uma distração», explica. O entretenimento tornou-se ocupação a tempo inteiro e passou a ser apreciado por um público cada vez maior. A primeira peça foi um suporte para velas decorado com conchas e, a partir daí, o processo criativo desenvolveu-se de forma quase intuitiva.
«Sempre fui boa com as mãos, mas nunca tinha feito nada artístico, nem sequer pintar», admite. A atividade transformou-se num exercício de descoberta criativa. A artista começou a organizar as conchas consoante os seus padrões e texturas, e o resultado eram composições complexas.
Ainda que não produzisse, nem produza, as suas obras com a intenção de as comercializar, foi no momento em que vendeu o primeiro quadro que percebeu o valor do seu trabalho.
«A minha ideia nunca foi vender, mas quando compram os meus trabalhos e querem tê-los nas suas casas, é um enorme reconhecimento», salienta.
A sua arte distingue-se, assim, pelo uso de materiais naturais que passam por um procedimento cuidadoso e exigente.
«Tudo o que vem do mar tem sal e odor, por isso tem de ser muito bem lavado», esclarece ao acrescentar que após uma limpeza profunda, deixa as conchas secar ao sol durante vários dias antes de as trabalhar.
O segundo passo é organizá-las por cores, tamanhos e orientação, percebendo a sua direção natural. «Algumas são curvadas para a direita e outras para a esquerda. Tenho de posicioná-las de forma a criar movimento», aponta.
O seu processo criativo funciona «como um puzzle» tridimensional. O primeiro passo é fazer um esboço a lápis na tela para definir a composição geral. Depois, a obra é construída lentamente. Cada obra acaba por resultar numa peça única, com um design ou composição ímpar.
«Não repito quadros, não gosto de fazer o mesmo trabalho duas vezes. Há sempre detalhes diferentes e todas as peças têm certificado de autenticidade», frisa.
Esta abordagem reflete a sua visão artística, em que os trabalhos devem ser orgânicos e intuitivos e não condicionados pela lógica comercial.
Dana acredita que a arte deve vir do coração e nunca com objetivos financeiros, o que a levou a deixar de produzir apenas pequenas peças decorativas para lojas de artesanato e concentrar-se em obras maiores e mais ambiciosas. Há quadros que demoram semanas e outros meses, devido ao período de secagem, mas a artista nunca apressa o processo.
Nos últimos anos, tem apresentado o seu trabalho em diversas exposições coletivas e eventos artísticos no Algarve e em Lisboa, com muitas das suas obras a serem vendidas a colecionadores de países como Estados Unidos da América, Dinamarca, Noruega ou Espanha. É possível visitar o estúdio de Dana Shell Art em Ferragudo ou acompanhar o trabalho que realiza no seu website e redes sociais.
O futuro passa por continuar a desenvolver a sua linguagem artística e alcançar novos públicos através da participação em exposições nacionais e internacionais, mantendo o foco na valorização de elementos naturais.
«Podemos dar valor às coisas que parecem insignificantes e transformar algo simples num trabalho bonito», conclui ao valorizar a imperfeição natural que também reflete a sua filosofia pessoal e artística: «não temos de ser perfeitos porque não existe perfeição. São as assimetrias e as características individuais que nos definem».






