Boletim conjuntura especial COVID-19, publicado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, destaca os principais efeitos socioeconómicos registados durante o primeiro semestre do ano, em particular no mercado de trabalho e no sector turístico da região.
As restrições e os condicionamentos implementados nos últimos meses a nível nacional e internacional, visando conter a propagação da doença, apresentam forte efeito na procura turística e, consequentemente, na maioria das atividades económicas regionais.
A diminuição da população empregada no 2º trimestre de 2020, particularmente nos grupos etários mais jovens e entre os que já apresentavam maior precariedade laboral, e o aumento dos desempregados inscritos nos centros de emprego da região eram expectáveis na sequência da situação epidemiológica em curso.
Contudo, a intensidade do fenómeno surpreende e coloca novamente o Algarve numa situação mais fragilizada e perante um cenário mais desfavorável do que o de outras regiões do país, nesta e noutras vertentes.
Importa por isso promover uma monitorização mais atenta da evolução do contexto regional no curto prazo, razão pela qual a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve disponibiliza agora publicamente um boletim de conjuntura «Especial COVID-19».
O boletim apresenta indicadores de cariz mensal e trimestral, produzidos por várias fontes, englobando diversas áreas, nomeadamente sobre a situação epidemiológica, emprego e desemprego, turismo, comércio internacional de bens, consumo/pagamentos por vias automáticas, e pode ser consultado ou descarregado aqui.
Principais conclusões
A edição apresenta um conjunto de indicadores disponibilizados por várias fontes, nomeadamente o INE, o Banco de Portugal e as autoridades nacionais de Saúde, com diferente periodicidade e, nalguns casos, com algum desfasamento temporal.
Os indicadores escolhidos contribuem para uma avaliação global da evolução da situação, em diversas perspetivas e sectores.
A natureza desta pandemia acarreta níveis elevados de incerteza em exercícios prospetivos.
Sabe-se, contudo, que o Algarve, ainda que acompanhe as tendências nacionais, apresenta normalmente, em termos macroeconómicos, flutuações mais marcadas do que o país.
Durante a anterior crise, a economia algarvia registou uma contração de 6,5 por cento em 2009, ano em que a disparidade face à média nacional atingiu um máximo de -3,4 pontos percentuais.
No 2º trimestre de 2020 a economia portuguesa registou uma significativa quebra, com a taxa de variação homóloga do PIB, em volume, a alcançar -16,5 por cento, valor superior ao da zona Euro (-15 por cento).
Esta contração derivou sobretudo do contributo negativo da procura externa, consequência da intensa diminuição do consumo privado e do investimento, ainda que o contributo negativo da procura externa líquida no 2º trimestre também se tenha acentuado.
De acordo com as projeções do Banco de Portugal para 2020 economia portuguesa deverá recuar 9,5 por cento.
As previsões apontam para uma quebra de 8,9 por cento no Consumo Interno, de 11,1 por cento na Formação Bruta de Capital Fixo, de 25,3 por cento nas Exportações e de 22,4 por cento nas Importações.
O Banco de Portugal estima uma quebra da receita turística em cerca de 60 por cento.
No mercado de trabalho a taxa de desemprego poderá atingir 10,1 por cento.
No Algarve, a expressão da pandemia, em termos de saúde pública, tem sido mais suave do que noutras regiões.
O período de confinamento permitiu manter a curva de contágio estável até meados de junho.
O surto registado na segunda quinzena desse mês e o posterior desconfiamento originaram um aumento do número de casos, como seria expectável.
Apesar disso, a região continua a apresentar uma situação epidemiológica controlada e com rácios inferiores à média nacional.
Em termos económicos e sociais são já claros os impactos da pandemia, sobretudo numa região que depende fortemente dos fluxos turísticos, sendo certo que iremos atravessar um período difícil e com desafios a diferentes níveis.