A apresentação de uma conserva que junta atum com batata-doce e outra que alia a cavala ao amendoim será o destaque do Festival de Batata-Doce de Aljezur, agendado para 30 de novembro a 2 de dezembro, no Espaço Multiusos do concelho.
Na realidade, a primeira já era um produto existente, lançada sob a chancela da marca Saboreal, sediada no Parchal, em Lagoa, mas agora sofrerá um upgrade ao utilizar a variedade lyra, produzida em Aljezur, certificada com Indicação Geográfica Protegida (IGP).
A conserva, fabricada pelos empresários de Lagoa, terá, neste certame, um rótulo oficial da Câmara de Aljezur, tendo sido adquiridas diversas embalagens de propósito para a promoção do produto durante o evento.
Ao «barlavento», o vereador António Carvalho explicou que haverá outra novidade que é a cavala com amendoim, outros dos ingredientes que conta com uma grande produção naquele concelho. A receita que lhe dará origem será exclusiva da autarquia. A ideia é que ambos produtos, ainda que possam ser usados no certame ou noutras ocasiões para promover estes produtos aljezurenses, possam também ser comercializados pela Saboreal.
O rótulo terá o logótipo do município, havendo ainda uma imagem «dividia pela metade, em que numa parte terá o amendoim e na outra a batata-doce», avançou ainda outra fonte da autarquia.
Por sua vez, Manuel Mendes, um dos empresários responsáveis pela marca Saboreal, adiantou que «por ocasião do Festival da Batata-Doce será feito um rótulo especial para a Câmara Municipal de Aljezur». Esta marca, que nasceu na bacia do Arade, produz conservas artesanais em frasco e «distingue-se por usar ingredientes locais do Algarve».
«É por isso que temos, por exemplo, uma com azeitonas e amêijoas. Usamos os molhos à algarvia ou os orégãos. Tentamos sempre abastecermo-nos de produtos da região, porque temos o propósito de defender o que se faz no Algarve. Nesse sentido, chegar à batata-doce foi fácil, pois é um dos estandartes do concelho de Aljezur», justificou Manuel Mendes.
«Além disso, vamos ter em breve», se tudo correr bem a tempo do Festival da Batata-Doce, «uma conserva com amendoim, produzido por um grande produtor daquela zona», acrescentou. Aliás, a empresa está a explorar outro nicho de mercado que tem a ver com a de conservas para outras marcas, a pedido. «Nós começamos a produzir não só para a nossa marca própria, sob a qual temos seis produtos, como também já desenvolvemos produtos para duas marcas diferentes. Somos os produtores e o desenvolvimento dessas marcas também é feito por nós. Foi um segmento de mercado que percebemos que podia funcionar bem e a verdade é que funciona», afirmou.
Batata-Doce para todos os gostos, stand-up comedy e muita autenticidade são outros atrativos
No recinto do Espaço Multiusos, que contará com uma enorme tenda de apoio, decorrerá, entre 30 de novembro e 2 de dezembro, mais uma edição do Festival da Batata-Doce de Aljezur. Segundo Paulo Oliveira, chefe da Divisão de Desenvolvimento Económico e Planeamento, o certame contará com cem expositores, com produtos autênticos, desde o artesanato à doçaria.
A variedade da oferta gastronómica passará por quatro restaurantes, três tasquinhas, mas também por uma reforçada oferta de street food e uma zona petisqueira na tenda exterior que abordará a batata-doce de Aljezur de forma mais leve e informal. «Este ano vamos apostar um pouco mais na street food, naquela zona exterior, que será mais animada. O objetivo da Câmara Municipal de Aljezur é, cada vez mais, mostrar a polivalência da batata-doce incentivar à utilização deste produto certificado», afirmou o responsável.
Ainda assim, no recinto não faltará o produto ensacado e frito vendido em cartucho pela Associação de produtores, que garante o selo de Identificação Geográfica Protegida (IGP), ou então cozida ou assada nos restaurantes e tasquinhas.
Para aguçar o apetite, a organização promove ainda showcooking onde os chefs vão mostrando as diversas formas de utilizar a batata-doce como ingrediente de vários pratos. Haverá ainda a doçaria, com este produto rei, com expositores de Aljezur, Lagos e este ano de Monchique também.
Uma pastelaria variada, um chocolate com batata-doce, um licor, uma compota, uma aguardente, um gelado, uma bebida quente ou umas refrescantes e saborosas cervejas artesanais são mais alguns dos atrativos. E se no ano passado, a Tuber Bock, produzida por duas cervejeiras, uma de Silves e outra de Odemira, era a novidade, tendo esgotado, este ano os produtores já triplicaram a produção para que não falte este néctar nos três dias de Festival, comentou ainda Paulo Oliveira.
Segundo este responsável, existirá um palco com animação permanente, com bandas locais e animação no recinto com artes circenses. Outra das novidades serão os espetáculos de stand up comedy que resultam de uma parceria da autarquia com um promotor, que levará ao palco Luís Filipe Borges e Ana Arrebentinha.
A aposta e afirmação deste produto tem sido uma das preocupações da associação e do município e tanto assim é que este já se impôs como um grande festival gastronómico a nível nacional, muito visitado por todos os que procuram os diferentes sabores desta região. Aliás, a autarquia estima que este ano o número de visitantes ronde os 30 mil.
O recinto estará aberto na sexta e no sábado, das 12h00 às 24h00, e no domingo, das 12h00 às 22h00. A entrada e o estacionamento são gratuitos, havendo junto ao parqueamento perto da Escola Básica um comboio que transportará, em contínuo, os muitos visitantes até ao local do festival.
«Lavrar o Mar» apresenta Dancing no Festival
O terceiro ciclo de programação do «Lavrar o Mar» leva ao Festival da Batata-Doce um baile culinário chamado Dancing. Será apresentado em quatro noites, de 29 de novembro a 2 de dezembro, a partir das 19h00, na sede do Rancho Folclórico do Rogil, custando dez euros, incluindo o jantar e tendo como duração 3h30.
Madalena Victorino, diretora artística do «Lavrar o Mar», este é um espetáculo musical que nas duas primeiras noites conta com a estreia da Orquestra Vicentina, composta por músicos locais, um deles Júnior, dos Terrakota.
O vocalista da banda que vive em Aljezur propôs a criação desta orquestra e daí a avançar com o desafio foi apenas um passo. «Abrirá a nossa festa da batata-doce, que contará ainda com várias receitas originárias do Norte de África, Moçambique, Índia, Eritreia», desvendou a diretora criativa. «Há uma família indiana neste momento em Aljezur a vender chamuças, que pela primeira vez, usará batata-doce nas suas receitas.
Será uma das entradas servidas neste baile culinário», acrescentou. Na últimas duas noites, a banda cabo-verdiana Fogo Fogo animará o espetáculo.
Sendo este um programa inserido no «365 Algarve» e financiado por diversas entidades, entre as quais as Câmaras Municipais de Monchique e Aljezur, José Gonçalves, presidente desta autarquia aljezurense, considera que «se o programa terminasse amanhã, já teria valido a pena».
Acredita que ficará por muitos anos e espera que esta edição tenha tanto ou mais sucesso como as anteriores, até porque leva as artes a territórios de baixa densidade. «Às vezes, quando falamos em territórios de baixa densidade, sabemos que estes têm muitos problemas, mas ainda assim conseguem ser privilegiados. Temos uma responsabilidade acrescida que é assumir que estes têm mais-valias, que os outros não têm», concluiu.
Saboreal cresce para Oriente
A marca Saboreal que foi criada no Parchal, no concelho de Lagoa, há pouco mais de três anos, tem vindo a crescer. «No Algarve e no sul do do país estamos muito bem posicionados. A nível de exportação estamos a implantarmo-nos. Nos próximos dois ou três anos haverá um crescimento maior da empresa. Para já, chegamos à Europa, na zona central, como a Bélgica, Luxemburgo, ou França. Conseguimos também dar o salto para o outro lado do mundo, pois temos alguns clientes em Macau e Hong Kong».
E os números não mentem, pois se logo no início da laboração, a Saboreal transformava entre 30 ou 40 quilogramas de peixe por dia, na atualidade está a processar 90 quilos por dia.
Este pescado representa, a nível de quantidades de conservas, uma média de cinco mil frascos por mês e, conforme assegurou Manuel Mendes, tudo o que é produzido é vendido, sendo sempre possível escoar o produto. Ainda que, mesmo assim, a validade ajudasse a não colocar entraves no crescimento da empresa, pois «são produtos com validades muito altas, mantendo a qualidade por dois anos», afiançou.
Na zona do Barlavento algarvio esta continua a ser única conserveira, distinguindo-se ainda por ser artesanal. Na região há mais três fábricas em Olhão, mas com maior dimensão e com produção em lata.


