Laboratório Colaborativo (S2AQUAcoLAB) e CCMAR vencem programa Blue Bio Value Ideation, da Fundação Calouste Gulbenkian e Fundação Oceano Azul.
Com recurso a microalgas, os projetos apresentam soluções inovadoras para o tratamento de intoxicações por medicamentos e como alternativa ao soro de origem animal usado na criação de alimentos.
As equipas vencedoras são provenientes do Instituto Politécnico da Guarda e do Laboratório Colaborativo em Aquacultura Sustentável e Inteligente (S2AQUAcoLAB) e do Centro de Ciência do Mar do Algarve (CCMAR).
Este programa internacional desenvolvido pela Fundação Oceano Azul e pela Fundação Calouste Gulbenkian, em parceria com a NOVA School of Business and Economics e a Porto Business School, contou com mais de 70 participantes nacionais e internacionais.
MiADrugTox e CELLAQUA4ALL. São difíceis de pronunciar, mas são estes os nomes dos dois projetos vencedores da edição deste ano da Blue Bio Value Ideation, a iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação Oceano Azul, em parceria com a NOVA School of Business and Economics e a Porto Business School, que pretende estimular a apresentação de ideias de negócios pioneiros e a criação de novos serviços e produtos assentes na utilização sustentável dos recursos marinhos.
Este ano, a iniciativa contou com a participação de 22 equipas multidisciplinares, tendo reunido mais de 70 investigadores e empreendedores não só de Portugal, mas também do Reino Unido, da Holanda e da Suíça.
Na sessão de ideação organizada na NOVA School of Business and Economics, foi premiado o projeto CELLAQUA4ALL, que apresentou um soro produzido a partir de microalgas que pode substituir o soro de origem animal utilizado em aquacultura celular.
O projeto foi desenvolvido por uma equipa do Laboratório Colaborativo em Aquacultura Sustentável e Inteligente (S2AQUAcoLAB) e do Centro de Ciências do Mar do Algarve (CCMAR).
Para o desenvolvimento destas ideias, cada equipa vencedora terá agora a possibilidade de recorrer à Blue Demo Network, uma rede de serviços de bioeconomia azul sediada em Portugal, que presta apoio no acesso a infraestruturas laboratoriais e serviços, nomeadamente apoio jurídico na propriedade intelectual, com vista a dar resposta às necessidades de desenvolvimento tecnológico e de mercado específicas de cada projeto.
Na sessão de ideação organizada na Porto Business School, destacou-se o projeto MiADrugTox, desenvolvido por uma equipa multidisciplinar do Instituto Politécnico da Guarda para combater as intoxicações por medicamentos, através da utilização de microalgas encapsuladas como uma alternativa na absorção e eliminação dos fármacos ingeridos.
De acordo com o INEM, esta causa é responsável por mais de 50 por cento das intoxicações em Portugal.
O Blue Bio Value Ideation pretende atrair ideias e projetos de investigação ainda em fase inicial, centrados no combate à escassez de recursos e na preservação da biodiversidade marinha, e que possam ser trabalhados numa perspetiva de criação de soluções inovadoras e novos negócios.
Esta iniciativa, juntamente com o Blue Bio Value Acceleration, constituem o Blue Bio Value, programa que integra estas duas vertentes – de Ideação e de Aceleração – e tem como objetivo promover modelos económicos mais responsáveis, com impacto positivo na sustentabilidade do oceano e assentes no aproveitamento de biorecursos marinhos, segundo princípios de circularidade, desperdício zero e descarbonização.
O programa de aceleração destina-se a apoiar startups já estabelecidas com serviços ou produtos que contribuam para um uso mais saudável dos biorrecursos marinhos.
Desde 2018, o Blue Bio Value Acceleration já acelerou 77 startups de 24 nacionalidades, as quais reuniram, até 2021, perto de 8 milhões de euros de investimento para os seus projetos.
Sobre a Fundação Oceano Azul
A Fundação Oceano Azul foi criada em 2017, com a motivação de contribuir para um oceano mais saudável e produtivo. Sob o mote «From the ocean’s point of view», a Fundação trabalha três conceitos: blue generation, blue natural capital e blue network. Com uma abordagem assente na ciência, o modelo de mudança da Fundação Oceano Azul integra estes conceitos nos projetos que desenvolve em diferentes áreas como literacia, conservação, pesca sustentável, campanhas de sensibilização, economia azul e capacitação, nomeadamente trabalhando com governos, fundações e organizações da sociedade civil, ONU e UE, para fazer avançar a agenda internacional dedicada ao oceano.
Sobre a Fundação Calouste Gulbenkian
Criada em 1956 como uma fundação privada portuguesa dedicada a toda a Humanidade, tem procurado fomentar o conhecimento e melhorar a qualidade de vida das pessoas através das Artes, da Beneficência, da Ciência e da Educação. Durante o quinquénio 2018-2022, a atividade da Fundação esteve fundamentalmente orientada para a Coesão e Integração Social, a Sustentabilidade e o Conhecimento. Criada por testamento de Calouste Sarkis Gulbenkian, a Fundação tem caráter perpétuo e desenvolve as suas atividades a partir da sua sede em Lisboa (Portugal) e das delegações em Paris (França) e em Londres (Reino Unido).
