Autarquia constituiu um Gabinete de Crise para apoiar as vítimas do incêndio, que lavrou cerca de 9000 hectares de floresta, segundo os dados da Proteção Civil.
O incêndio que deflagrou na madrugada de segunda-feira, dia 16 de agosto, na freguesia de Odeleite, concelho de Castro Marim, acabou por se alastrar aos concelhos de Tavira e Vila Real de St. António, causando momentos de muito sobressalto e pânico junto de várias povoações.
Em Castro Marim, algumas casas e armazéns arderam por completo, uma família perdeu todos os bens e muitas famílias perderam as suas plantações agrícolas, que eram fonte direta de sustento.
Cerca de 80 pessoas foram ainda retiradas das suas casas por precaução e foi evacuado um canil com quase 200 animais. Nas operações participaram mais de 600 operacionais, apoiados por cerca de 200 veículos e oito meios aéreos, sendo o fogo finalmente dado por dominado ontem, terça-feira, dia 17 de agosto, à tarde.
Hoje, a Câmara Municipal de Castro Marim decidiu criar já um Gabinete de Crise para apoiar os lesados nesta tragédia. «Os apoios do estado, carregados de burocracia e morosidade, podem não responder a estas situações, que requerem ajudas urgentes. Temos pelo menos uma família que perdeu tudo neste incêndio, não vamos deixá-la desamparada à espera de apoios que nunca levam menos de um ano», declarou em reunião o presidente da Câmara Municipal de Castro Marim, Francisco Amaral, sublinhando ainda que existiram falhas no combate ao incêndio, nomeadamente na retirada dos meios aéreos quando o incêndio foi declarado como dominado, qualificando de «superficiais e enganadoras» as declarações feitas ontem pela secretária de Estado da Proteção Civil, Patrícia Gaspar, que classificou os resultados como positivos e afirmou que a operação estaria de parabéns, «uma vez que se poderiam ter atingido os 20.000 hectares ardidos, mas ficou-se nos 6.700».
Assim, nesta primeira reunião do Gabinete de Crise ficaram definidos apoios económicos urgentes aos agricultores mais carenciados, apoios à replantação de efetivos de produção, aquisições urgentes de rações para os animais e abertura de uma conta solidária para a população mais atingida.
A concretização destas medidas municipais representa «um investimento considerável», mas entende o executivo que «é fundamental para as pessoas e para o território».
Ainda nesta linha de atuação, o Diretor Regional de Agricultura reúne amanhã, dia 19 de agosto, com os agricultores das áreas atingidas, a convite do presidente da Câmara Municipal.
A reunião decorrerá no Centro Multiusos do Azinhal, às 15h00. Em todo o caso, o município de Castro Marim terá um gabinete móvel no terreno, para ajudar os afetados a preencher as fichas de ocorrência de prejuízos agrícolas.
A edilidade de Castro Marim agradece «aos mais de 600 bombeiros que estiveram no combate às chamas, à Guarda Nacional Republicana, à Cruz Vermelha Portuguesa, ao INEM, ao Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, às Instituições Particulares de Solidariedade Social do território, aos voluntários e funcionários da autarquia que contribuíram enormemente no apoio logístico de toda a operação, aos serviços municipais de proteção civil e também às associações de caçadores, que foram essenciais pelo conhecimento que têm do território e pelos meios disponibilizados».
Os responsáveis municipais endereçaram ainda «um especial reconhecimento aos populares, aos bombeiros, aos sapadores e a outros operacionais que estiveram na frente de fogo», sublinhando «a onda de solidariedade de várias empresas e particulares na disponibilidade e doações a toda operação e aos principais lesados nesta tragédia».