PSD Portimão, em carta aberta, diz que «credibilidade política» de Isilda Gomes e Isabel Guerreiro chegou a «a níveis mínimos».
A «credibilidade política» da presidente de Câmara Municipal de Portimão Isilda Gomes e agora da presidente da Assembleia Municipal Isabel Guerreiro chegou «a níveis mínimos», porém, «a impunidade ou silêncio não podem vencer democracia», considera o Partido Social Democrata (PSD) Portimão em carta aberta enviada à redação do barlavento.
Portugal assistiu, na quinta-feira, dia 29 de setembro, «a um novo caso de profunda revolta para quem defende diariamente a democracia, a liberdade de expressão e o mérito no alcance de tudo na vida. Em plena casa da democracia, a Assembleia da República, assistimos à tentativa de silenciamento de uma questão e de pensamento livre de um deputado da Iniciativa Liberal. Indiferente ser do partido A ou B, mas expomos apenas factos. Em Portimão, à imagem do que o Partido Socialista (PS) a nível nacional tem feito, a sociedade assiste a grandes tiques de autoritarismo, de falta de diálogo, de constantes ameaças efémeras de crises políticas e sistemática impunidade a casos graves de afronta à democracia», lê-se na carta.
«Em Portimão é igual. Há um défice de democracia. Há um afastamento político do cidadão dos órgãos políticos. Há um não diálogo permanente que se substancia na eterna não aprovação de toda e qualquer Proposta de um partido de oposição, remetendo o PS muitas vezes a mesma proposta e anunciando como sua».
Em paralelo «, ao longo dos anos, houve vários casos graves de afronta à democracia que tendem em passar impunes no concelho de Portimão, na região e no país. O PSD não coloca em causa a decisão dos portimonenses desde 12 de dezembro de 1976, quando se realizaram as primeiras eleições autárquicas no nosso concelho e no país».
Assim, «ao longo destes 46 anos, praticamente, o PS venceu sempre as eleições à Câmara Municipal de Portimão e à Junta de Freguesia da Mexilhoeira Grande, tendo o PSD vencido por uma vez a Mesa da Assembleia Municipal, a Junta de Freguesia de Portimão e a Junta de Freguesia de Alvor. Em 46 anos, o PS venceu sempre legitimamente as eleições que lhe conferiram os destinos executivos do nosso município de Portimão».
Porém, «vencer sempre não é sinónimo de poder absoluto e de tiques ditatoriais na democracia portimonense. Nesse sentido, relembra o PSD aos portimonenses e aos portugueses que temos o maior respeito pelas escolhas dos nossos eleitores, sempre respeitámos o lugar que nos coube: de oposição».
Com isto, «reiteramos que nós, PSD, ao longo de toda a nossa história de trabalho pelos munícipes portimonenses sempre aceitámos a democracia. Porém, assistimos ontem à tentativa de silenciamento da democracia por quem nos é presidente da Assembleia Municipal. Órgão autárquico esse onde, sem ser gravoso como as declarações de ontem, assistimos já neste mandato a atual presidente da Assembleia Municipal, eleita pelo PS, e toda a sua bancada votarem contra uma simples forma de transparência de transmitir em direto e online as sessões públicas deste órgão autárquico local fiscalizador».
De referir que «todos, sem exceção, demais partidos presentes neste órgão portimonense votaram a favor da proposta do PSD de Portimão que visava meramente conferir a qualquer portimonense, algarvio ou português a possibilidade de assistir às nossas sessões e aos nossos debates com Isabel Guerreiro (Presidente da Assembleia Municipal) e com Isilda Gomes (Presidente da Câmara Municipal)».
«Esta decisão democrática do PS, de votar contra uma forma de maior transparência democrática com transmissões online de sessões dos órgãos locais, é sinal do silenciamento que Portimão às vezes assiste como se vivêssemos numa realidade paralela. Recordamos, sobre este tema, que à data de hoje a maioria das 308 Assembleias Municipais do País preveem esta possibilidade».
«Portimão quis, pelo voto do PS, silêncio total sobre o que se passa nas sessões de Assembleia Municipal. Recuando apenas alguns meses, Portimão viu a sua presidente de Câmara errar no sistema de administração da vacinação COVID-19. Incumpriu com as diretivas de preferência de vacinação, ludibriando Portimão e Portugal em falsas funções de voluntariado que nem dessa forma dariam luz verde a algo que continua por ser publicamente e oficialmente explicado perante um processo moroso e silencioso em torno de algo que todo o país cumpriu na sua generalidade, exceto em Portimão».
Por fim, «relembramos que há mais capítulos tumultuosos perante a democracia portimonense em que o Partido Socialista é totalmente e o único responsável. Em junho de 2013, Portugal assistiu à suspeita de corrupção ativa e passiva, administração danosa, branqueamento de capitais e associação criminosa dentro do executivo camarário portimonense».
«Nessa matéria, coube à justiça portuguesa trabalhar. Aos portimonenses coube a desilusão e falta de respeito dos políticos perante a imagem de mais de 60 mil munícipes. Ficou também, com responsabilidade total do PS de Portimão, nesse mesmo ano de 2013 o município de Portimão devido a um endividamento excessivo, em fase de quase falência, teve de contrair um apoio financeiro em forma de empréstimo a 20 anos por parte do governo, cujo primeiro-ministro era Pedro Passos Coelho».
«Esse valor de mais de 132 milhões de euros foi, à data, o mais elevado empréstimo do Estado Português a qualquer município. Aos portimonenses e sobretudo aos portugueses, o PSD alerta que a democracia continuará a funcionar em Portimão, há e continuará a haver, políticos eleitos pelo PS que o vão fazer assim como todas as demais forças políticas, porém, são demasiados casos originados sempre pelo PS e dirigentes socialistas que parecem vir de vícios de quem vence – legitimamente – há 46 anos e já pensa que é dono disto tudo localmente. Que Portugal não se esqueça de Portimão».