As capitanias de Faro e Olhão organizaram um simulacro de salvamento marítimo para testar e verificar os procedimentos de emergência, na sexta-feira, 23 de setembro. «O exercício insere-se num programa estratégico a nível nacional, no sentido de preparar todas as estações salva-vidas do país para as intempéries de inverno que se aproximam», explicou aos jornalistas o capitão do porto de Faro, Paulo Isabel.
Dito de forma simples, a embarcação de pesca costeira «Arraial», com três homens a bordo, após ter concluído a faina de pesca, regressava ao porto de Olhão. De súbito, a cerca de 750 metros a oeste da entrada da barra, colide com a embarcação auxiliar de apoio à armação de atum «Aragão AUX», a navegar com quatro tripulantes.
Como consequência, na embarcação de menor porte, um dos tripulantes ficou ferido com gravidade (fratura exposta), dois caíram ao mar e o quarto, que estava à proa, não apresentando lesões, lança o alerta pelo rádio VHF (canal 16)/telemóvel (112), relatando o acidente e requerendo assistência imediata. O pedido de socorro chegou ao Centro de Operações Marítimas (COMAR) que acionou para o local os meios de ambas as capitanias, bem como a Lancha de Fiscalização Rápida da Marinha (LFR).
«Uma das embarcações envolvidas no acidente ficou sem governo, isto é, à deriva numa zona perigosa para a navegação, a abater para a zona dos molhes. A prioridade foi evacuar o ferido grave e depois resgatar as pessoas na água. Pedimos a colaboração da autoridade portuária para enviar um rebocador». De Portimão veio também a lancha salva-vidas SR-43.
O simulacro durou pouco mais de uma hora e «correu muito bem, porque tivemos as condições ótimas» ainda em tempo de verão. Apesar do clima favorável, «as embarcações podem ter falhas técnicas, mas hoje nada aconteceu. Apesar de tudo, vamos ver os registos, os tempos de resposta que foram dados e vamos verificar se temos algo a melhorar, no futuro, para que tudo possa correr melhor» em circunstâncias reais.
«As embarcações mais rápidas atingem 40 nós e levam entre 10 a 15 minutos a chegar a este local. O exercício também é um teste de stress aos nervos e à ansiedade dos envolvidos em caso de acidente», disse ainda Paulo Isabel, que coordenou toda a ação, enquanto comandante regional da Polícia Marítima.
Uma novidade neste exercício é que foram também utilizados os novos meios do Aeroporto de Faro, equipamentos recém-adquiridos para busca e salvamento em zonas húmidas como a Ria Formosa, no caso de queda de uma aeronave neste perímetro.
No exercício foi usada uma espécie de barco insuflável de resgate que «parece uma prancha, pois não tem o painel de popa. A intenção é que os sobreviventes se aproximem pela parte traseira, onde há pegas, para subirem mais facilmente a bordo num cenário de emergência». Neste caso, serviu para recolher os náufragos a fingir.
Além dos Comandos locais da Policia Marítima de Faro e de Olhão, da Estação Salva-vidas de Olhão, do Comando da Zona marítima de Sul, o simulacro envolveu um rebocador cedido pela Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS), assim como uma traineira cedida pela OlhãoPesca – Organização de Produtores de Pesca do Algarve, e uma embarcação da TUNIPEX – Empresa de Pesca de Tunídeos.
ISN da Ilha do Farol desativada
A reestruturação do dispositivo de busca e salvamento no Algarve foi anunciada no início de julho, prevendo a fusão das Estações Salva-Vidas da Fuseta e de Santa Maria, na Ilha do Farol. Para este objetivo, o secretário de Estado da Defesa Nacional Marcos Perestrelo assinou um protocolo entre a Docapesca e a Direção-Geral da Autoridade Marítima para cedência dos antigos pavilhões do IPTM, a bordo do Salva-Vidas «Diligente», a 14 de julho. Estes pavilhões irão acomodar a futura Estação Salva-Vidas de Olhão, criando as condições para as guarnições e aumentando ao mesmo tempo a eficácia e prontidão das equipas.



