A Câmara Municipal de Lagoa poupou 21 por cento de água durante junho e continua a sensibilizar residentes e turistas para a redução do consumo de água.
O Algarve está em alerta e corre o risco de entrar em estado de calamidade no segundo semestre do ano por causa da seca. Como tal, a região está agora focada na redução de consumos, racionalização dos recursos hídricos e sensibilização de todos.
A situação urgente levou a Câmara Municipal de Lagoa a apelar a poupança de água e a adotar medidas, com carácter imediato, em diversos serviços entre os quais: águas e saneamento, jardins, jurídicos e fiscalização municipal, logística e manutenção, obras municipais, limpeza e ambiente.
«A ajuda e a colaboração de todos são essenciais para que Lagoa se torne um exemplo a seguir e continue a provar que é possível reduzir o desperdício no consumo de água», sublinhou o presidente da Câmara Municipal, Luís Encarnação, ao frisar que «cada gesto conta, por mais pequeno que seja».
A preocupação do município com o consumo de água não é recente, pelo que tem tentado reduzir este valor de ano para ano e mês para mês, através de um conjunto de iniciativas não só junto de residentes como de turistas que todos os verões visitam a cidade.
«Serão promovidas duas campanhas de sensibilização para a poupança de água, uma especificamente dirigida para o sector do turismo, nomeadamente para empresas do sector e turistas, e outra para todos os consumidores,» revelou a autarquia.
Para alcançar um maior público, o Turismo de Portugal, está a realizar uma campanha que não podia ser mais original. Ao chegar ao Aeroporto de Faro, os visitantes são surpreendidos com malas e trolleys transparentes com água no tapete de recolha de bagagens, como forma de apelo para que a poupança parte de todos, seja nos duches ou utilização de piscinas.
A intenção da Câmara Municipal de Lagoa é continuar a consciencializar a população e promover diferentes meios, presenciais, online ou por telefone que permitem a qualquer cidadão informar a autarquia sempre que detectar situações relacionadas com fugas na rede de abastecimento de água, ligações indevidas ao sistema público de abastecimento de água, possam colaborar na comunicação das ocorrências.
A poupança e os cortes no consumo são essenciais para que não falte água no Algarve, o que a autarquia lagoense tem vindo a precaver. Em 2023, em comparação com o ano anterior, o município de Lagoa reduziu 3,8 por cento do consumo de água adquirida à Águas do Algarve, um valor que mostra ser possível, com a ajuda de todos, mudar o rumo e ajudar o ambiente.
Segundo os dados da autarquia, no ano de 2023, os maiores consumos de água no concelho foram registados nos consumidores não domésticos, sendo, por isso, as unidades hoteleiras que mais devem ter em atenção a necessidade urgente de poupança.
Porém, a autarquia pode também contribuir para uma diminuição dos valores no concelho, o que fará através de investimentos que «possibilitarão uma gestão mais racional das redes de abastecimento de água, que se materializarão na redução de ocorrências de falhas no abastecimento, do volume de água não faturada assim como de perdas reais e aparentes, do volume de água importada pelo sistema e melhoria da avaliação de qualidade de relevantes indicadores da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR)».
Dado que o sistema de abastecimento de água em baixa ainda apresenta níveis de desempenho insuficientes nas perdas reais de água, água não faturada e reabilitação de condutas, a autarquia tem vindo a implementar uma estratégia de combate que tem por base os métodos definidos no Plano Estratégico e no Plano Tático de Gestão Patrimonial de Infraestruturas do município de Lagoa, para promover a eficiência da água e energia.
Desde março de 2022 que Lagoa adotou táticas para responder à seca, focando-se na redução dos consumos de água no sector urbano. Como tal, limitou a rega dos espaços verdes do município, a manutenção de edifícios municipais e fontes decorativas, a limpeza urbana, as lavagens das viaturas municipais, instalou reguladores de caudal nos mercados municipais e aplicou igualmente restrições nas praias bem como no sector de água e saneamento.
O cenário do sul do país descrito pelo governo como «particularmente crítico», coloca a possibilidade de o fornecimento de água para consumo humano na região ficar severamente comprometido caso se mantenha o uso de água nos níveis atuais.
Contudo, a Câmara Municipal de Lagoa tem esperança no futuro e faz uma previsão otimista dos próximos anos, acreditando que a implementação das medidas de eficiência hídrica e para reduzir a percentagem de perdas reais de água, através da requalificação da rede de abastecimento de água, com a substituição das principais condutas de abastecimento, através da requalificação do Reservatório das Sesmarias, bem como através da instalação de Zonas de Medição e Controlo (ZMC) e de Zonas de Pressão Controlada (ZPC), em todo o território serão determinantes.
Junho foi mês exemplar
Durante os 30 dias do mês de junho de 2024 houve uma redução de 21 por cento no consumo de água no concelho de Lagoa, face ao período homólogo de 2023.
O município de Lagoa foi a segunda entidade municipal, da região do Algarve, que mais água poupou durante o mês de junho, tendo reduzido 21 por cento do consumo de água, face ao período homólogo do ano anterior, num universo de 19 entidades.
Os dados fornecidos pelo Grupo de Trabalho III – Abastecimento Público sobre a situação de alerta na Região do Algarve, por motivo de seca, referentes ao mês de junho, demonstram que o volume de água fornecida pela empresa Águas do Algarve ao município de Lagoa continua a manter-se, mês após mês, bem abaixo dos 10 por cento de redução do consumo de água impostos pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 80/2024 de 21 de junho.