«O mercado britânico é, desde sempre, o principal fornecedor de turistas estrangeiros do Algarve, sendo, por isso mesmo, um mercado estratégico e prioritário do turismo da região», sublinhou a Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) logo na manhã em que os britânicos decidiram virar costas à União Europeia.
Em nota enviada à redações, na sexta-feira, os hoteleiros lamentam os resultados do referendo, sublinhando a sua preocupação «com eventuais convulsões económicas e sociais naquele país a refletirem-se negativamente e de forma muito profunda nos resultados turísticos e empresariais da região em particular e do nosso país em geral».
Para a AHETA, «a instabilidade financeira criada na sequência do BREXIT» pode ter «implicações nos resultados turísticos da região nos tempos mais próximos».
«O Reino Unido é responsável por cerca de 1,8 milhões de passageiros desembarcados, anualmente, no Aeroporto de Faro, mais de 54 por cento do total, dos quais 1,1 milhões ficam hospedados nos meios classificados oficialmente e 700 mil em segundas residências, casas de amigos e alojamento não classificado. Representa mais de 33 por cento das dormidas totais do Algarve (5,75 milhões)».
A comissão executiva da Algfuturo também reagiu no próprio dia. «A situação não é de alarme, mas há preocupação pela turbulência na economia britânica com desvalorização da libra e seus efeitos na pressão sobre o preço do alojamento, diminuição das viagens turísticas e redução dos gastos na região dos que vêm», sublinhou a recente associação empresarial liderada por José Vitorino.
João Tatá dos Anjos, representante Interino da Comissão Europeia em Portugal e colaborador assíduo do «barlavento», também manifestou a sua opinião sobre a sobre a saída do Reino Unido da União Europeia. «São dias tristes para todos os Estados-membros, enquanto coletivo», considerou. «Sofremos nos últimos dias um abalo sem precedentes. É a primeira vez que um povo abandona o nosso projeto comum. Num processo livre e democrático, o povo britânico exprimiu o desejo de sair da União Europeia», lamentou. É agora necessário «tranquilizar os mercados e evitar que a incerteza provoque ainda prejuízos maiores» e sobretudo «travar a onda de populismo e nacionalismo».
Vitor Neto, presidente da direção do NERA – Associação Empresarial da Região do Algarve, «considera que é importante que os empresários acompanhem este processo com toda a atenção, rejeitando atitudes pessimistas geradoras de conformismo e reagindo de imediato com ação».
Na nota de imprensa que assinou, esta terça-feira, «propõe às instituições da região, às associações empresariais, aos empresários, aos cidadãos, uma atuação conjunta tendente a responder a vários desafios». É agora fundamental responder a uma «eventual quebra cambial», «reforçar os laços e as relações com a comunidade britânica na região e criar um forte movimento de apoio e ação comum». E sobretudo «sensibilizar as entidades nacionais e regionais, para uma intervenção mais forte» no sentido de consolidar o mercado turístico do Reino Unido.