Rogério Bacalhau anunciou a abertura de concurso já em 2020 durante a cerimónia de comemoração dos 137 anos dos Bombeiros Sapadores de Faro.
Uma nova Fuso-Mitsubishi Canter 6C18D de tração às quatro rodas e motor de 3,0 litros de elevada eficiência é orgulho dos Bombeiros Sapadores de Faro.
O Veículo Ligeiro de Combate a Incêndios (VLCI) é um investimento de cerca de 200 mil euros por parte da autarquia de Faro e vem colmatar uma lacuna no parque da corporação, segundo explicou aos jornalistas Rogério Bacalhau, na manhã de sábado, 7 de dezembro.
É o veículo mais compacto da frota, pronto a intervir nas zonas mais antigas e recônditas da cidade e arredores.
«Permite também ir à Praia de Faro, onde os veículos que temos não podem entrar devido ao tamanho do rodado que não passa na ponte. Portanto, acrescenta aqui algumas valências», exemplificou o presidente da Câmara Municipal de Faro.

Em manhã de festa no Quartel da Penha, os soldados da paz apresentaram também o novo Veículo de Comando e Comunicações (VCOC) que surge da recuperação de uma ambulância desativada, feita com a prata da casa.
«Foram eles próprios que fizeram a adequação. É um carro que serve para reunir, para definir a estratégia durante uma operação. Faz muita falta. Sentíamos isso cada vez que saíamos para um fogo de maior dimensão, e às vezes estávamos numa esquina a conversar com um computador em cima do joelho quando faltava a energia. Este carro vem suprir essas dificuldades», garantiu o autarca.

Melhores salários e mais operacionais
No entanto, estas não foram as únicas prendas dos 137 anos dos Bombeiros Sapadores de Faro. «Os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) já tinham mais de 20 anos e alguns estavam rotos. Lembro-me que quando tivémos o fogo na Horta da Areia, um dos bombeiros ficou com queimaduras porque o EPI não estava em condições. Estamos a fazer este investimento porque os bombeiros quando vão para um fogo precisam de ir seguros e resguardados. Estes homens merecem. O concelho e a região precisam que tenhamos operacionalidade e portanto vamos continuar com este esforço de modernização», disse o autarca.
A melhor notícia, contudo, é a abertura de um concurso para a contratação de mais 20 operacionais já no próximo ano e também a atualização dos ordenados.
«Fizemos a revalorização salarial dos quatro corpos de bombeiros do Algarve porque passaram da categoria de bombeiro municipal para a categoria de bombeiro sapador. Isto dá um acréscimo salarial que vem repor alguma justiça para estes homens. É um esforço que para o município andaria entre os 400 e os 500 mil euros num ano. O que Tavira, Faro, Olhão e Loulé decidiram foi aumentá-los 30 por cento em janeiro de 2020, com 75 por cento da valorização em 2021, e atingir os 100 por cento em 2022. O que o quadro legal definia era que se fizesse isto no máximo em cinco anos, com, um mínimo de 15 por cento em cada ano. Pensamos que o resto do país vai seguir esse modelo, mas nós conseguimos fazer este esforço», detalhou Rogério Bacalhau aos jornalistas.
Edgar Gonçalves, 2º Comandante dos Bombeiros Sapadores de Faro. Vítor Vaz Pinto, Comandante Operacional Distrital também esteve presente. Os vereadores Carlos Baía e Adriano Guerra (ao centro). Momento da sessão oficial do 137º aniversário. Rogério Bacalhau no uso da palavra. Rogério Bacalhau atira uma moeda ao «Poço dos Desejos» do Presépio dos Bombeiros Sapadores de Faro.
Estado tem de apoiar bombeiros municipais
Durante o último Congresso da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), no final de novembro, «aprovámos uma moção por unanimidade que vamos enviar ao governo para que os bombeiros municipais façam também parte do plano de investimento das associações humanitárias. Não é justo que no caso do Algarve estes quatro municípios tenham corpos de bombeiros e estejam a financiar o socorro em detrimento de outros que não são detentores de corporações, em que o financiamento é voluntário, sendo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), que ao fim e ao cabo, que os financia», disse ainda Rogério Bacalhau.
«Nós não temos nenhum financiamento do Estado. Achamos que não é justo. Há 26 municípios no país que têm bombeiros municipais e que de alguma forma fazem um esforço maior para o socorro, quando a ANEPC financia os outros. Queremos ser incluídos, o que nos permitiria de alguma forma dotar os corpos de maior funcionalidade. Estamos nessa negociação com o governo e vamos insistir nessa batalha», garantiu.
Novas viaturas homenageiam bombeiros falecidos em serviço
José Tomás Valente, comandante dos Bombeiros Sapadores de Faro descreveu aos jornalistas as mais-valias dos novos carros. «O veículo ligeiro de combate a incêndios versão urbana é muito polivalente e tem uma panóplia de equipamentos que nos dão maior autonomia. Já o veículo de comunicações e comando irá permitir que a nossa corporação monte um posto avançado em qualquer teatro de operações, até à fase 2 do Sistema de Gestão de Operações (SGO) em vigor. Será onde comandante e chefes reunirão toda a informação e toda a documentação para a ajuda na decisão operacional».

Este último surge graças a um trabalho de equipa que recuperou uma ambulância desativada, «embora os bombeiros José Mira, João Belela e João Gomes foram os que mais se destacaram, mais dedicaram e mais intervenção tiveram» no projeto.
Cada uma das novas viaturas da frota tem uma pequena placa junto ao à porta do condutor, com o nome de um camarada falecido.
«Não era uma prática da corporação, mas entendemos fazê-lo em memória de dois elementos que faleceram em serviço. Foram os únicos e daí a justa homenagem», explicou o comandante.
«José Paulo Laranjeira Afonso (Subchefe de 2ª Classe) era bombeiro profissional e faleceu a desempenhar as funções de recuperador salvador ao serviço da Autoridade Nacional. José João de Brito Romeiras (Sapador bombeiro) faleceu num acidente de viação enquanto transportava um doente para Lisboa» de ambulância.

José Tomás Valente não esconde, contudo, que mais do que máquinas, precisa de pessoas. «Neste momento, a prioridade são os recursos humanos. Termos muitos veículos, mas não termos pessoas dificulta-nos. Com a recruta de 20 elementos no próximo ano, acho que vamos dar um salto qualitativo e quantitativo na operacionalidade. Também está prevista a aquisição de um novo veículo de busca e resgate de vítimas em estruturas colapsadas».

Os Bombeiros Sapadores de Faro têm 44 elementos de ambos os sexos e o objetivo é chegar aos 64.
«Penso que então já seremos uma força razoável, totalmente profissionalizada. Temos cá senhoras que são muito boas bombeiras. Este é um corpo no qual os operacionais treinam todos os dias. Temos formação interna e estamos diariamente em instrução. Apesar do elevado número de incêndios urbanos que despoletam nesta cidade, não são notícia porque felizmente a nossa capacidade operacional tem vido a revelar-se naquilo que é a primeira intervenção e colmatar todas as ocorrências» antes que se tornem manchetes nos jornais.


















