O Bloco de Esquerda (BE) posiciona-se contra o aumento do preço da água no Algarve. Considera a «medida socialmente injusta» para as famílias na região, «já a braços com elevada precariedade, salários baixos e desemprego».
O Bloco de Esquerda (BE) considera «a medida socialmente injusta e penalizadora do rendimento das famílias na região, já a braços com situações de elevada precariedade, salários baixos e desemprego».
«Não podem ser as famílias e os pequenos agricultores a pagar o preço das escolhas que apenas têm beneficiado uns quantos. Algumas grandes empresas apenas estão preocupadas com o lucro imediato e a dependência da monocultura do turismo continua a acentuar-se à custa da proliferação dos baixos salários e do agravamento da crise da habitação», pode ler-se em comunicado enviado às redações, na quinta-feira, dia 22 de fevereiro.
O partido considera que são mais urgentes outras medidas, como o uso de águas residuais para rega de jardins e campos de golfe; ou os apoios à transição ecológica agroflorestal.
O Bloco de Esquerda lamenta ainda que «a AMAL e governo não tenham concretizado os investimentos há muito identificados para aliviar o problema da falta de água, sendo que a baixa precipitação, agravada pelas alterações climáticas, já dura há cerca de uma década no Algarve».
A crítica dirige-se sobretudo «ao PS Algarve, que tutela a AMAL, por optar agora pela solução facilitista e que não resolve o problema: aumentar o preço da água, ainda por cima abrangendo o segundo escalão de consumo».
«É inaceitável que, nos 43 campos de golfe existentes no Algarve, apenas dois recorram à utilização de águas residuais. Estas águas deviam ser utilizadas para lavagem de ruas, rega de jardins e fins industriais», diz José Gusmão, eurodeputado pelo Bloco e cabeça de lista por Faro, citado na nota.
João Vasconcelos, antigo deputado pelo BE, acrescenta que «algumas autarquias da região preferem esbanjar milhões em fogos de artifício e outros eventos na mira de angariar votos em alturas de eleições em vez de investir em infraestruturas indispensáveis. Devem agora, governo e autarquias, assumir a responsabilidade dos investimentos necessários, enquanto é tempo».
Uma resolução publicada em 20 de fevereiro em Diário da República dá conta que o governo admite «medidas adicionais mais gravosas» para garantir as reservas mínimas que permitam o abastecimento de água para usos prioritários no Algarve. Tais medidas, que preveem um «grau mais elevado de contingência» podem vir a ser implementadas após a reavaliação da situação de seca na região, que será feita no mês de junho.
A situação de alerta devido à seca no Algarve foi declarada pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) em dezembro de 2023 e reafirmada em 25 de janeiro.
Segundo os últimos dados da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), o consumo urbano de água no Algarve teve um aumento de 4,6 por cento em janeiro, face a 2023.
Por sua vez, a AMAL justificou, no início de fevereiro, que os tarifários da água no Algarve »sobem para penalizar quem não poupa».
Quem não ficou convencido foi a Plataforma Água Sustentável (PAS) que considera as medidas oficiais até agora anunciadas para combater a seca no Algarve «contraditórias, pouco eficazes, estão desfasadas no tempo e desajustadas».