Com Marco Floro como candidato à Câmara, coligação BE/PAN «Unidos por Lagoa» apresenta programa centrado em habitação, ambiente e serviços públicos, numa estreia política inédita no concelho.
O Bloco de Esquerda e o Pessoas-Animais-Natureza apresentaram a 18 de agosto a coligação «Unidos por Lagoa», que vai concorrer às eleições autárquicas de 2025 com Marco Floro como candidato à Câmara Municipal.
O lema escolhido é «Um concelho para todos, com confiança e determinação», e a lista inclui ainda Daniela Silveira para a Assembleia Municipal, Jorge Ramos para a União de Freguesias de Lagoa e Carvoeiro, Stephanie Jordão em Estômbar e Parchal e Irene Abreu em Ferragudo.
O programa assenta em dez grandes prioridades. A primeira é dar resposta à crise social e económica, com reforço dos apoios às famílias mais carenciadas, passes gratuitos para a população vulnerável e apoio às instituições sociais. Outra bandeira é a habitação, defendendo o aumento da oferta pública, o combate à especulação imobiliária, a regulamentação do alojamento local e a reabilitação urbana com rendas controladas.
Na economia, a coligação promete dinamizar o comércio e as pequenas e médias empresas, revitalizar o Mercado Municipal e combater o trabalho precário, ao mesmo tempo que propõe a criação de um polo tecnológico em Lagoa. Em paralelo, assume a defesa da água como bem público.
O ambiente e a mobilidade surgem igualmente em destaque, com a promessa de proteger as Alagoas Brancas e o estuário do Arade, resolver o impasse do silo automóvel de Ferragudo, proibir o uso de glifosato e apostar em energias renováveis e transportes públicos elétricos. A coligação quer ainda responsabilizar a empresa Algar pela falha na recolha seletiva, através de ações legais.
No campo dos serviços públicos, propõe mais meios para os centros de saúde e escolas, bem como novos equipamentos culturais e desportivos. Ao nível interno da autarquia, defende o reforço de pessoal para aliviar a sobrecarga dos trabalhadores.
O bem-estar animal também tem espaço no programa, com a modernização do canil municipal, programas de esterilização e castração e a instalação de bebedouros e sanitários para animais. Já em matéria de igualdade e inclusão, a coligação sublinha o combate à violência doméstica, ao racismo e à discriminação, a implementação de políticas de acessibilidade universal e a criação de um centro para o ensino da língua portuguesa dirigido a estrangeiros.
Outro compromisso é reforçar a cidadania e a transparência, garantindo a transmissão online das assembleias de freguesia, lançando programas para jovens de combate à abstenção eleitoral e à desinformação, promovendo um orçamento participativo eficaz e intensificando o combate à corrupção.
Na área cultural, BE e PAN propõem a criação de um Museu Municipal, a descentralização da programação cultural pelas freguesias e a valorização das associações locais. Finalmente, na saúde e qualidade de vida, destacam medidas de apoio à saúde mental, oral e oftalmológica, bem como programas de combate ao tabagismo e ao alcoolismo.
A nova coligação surge num concelho governado pelo PS desde 2013, atualmente com Luís Encarnação na presidência da Câmara Municipal. Nas eleições autárquicas de 2021, os socialistas conquistaram a maioria absoluta com 55,9% dos votos e cinco mandatos, contra 26,5% para o PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança e dois mandatos, enquanto o BE obteve 4,3% e o PAN não ultrapassou os 1,2%.
A união agora formalizada entre estes dois partidos é inédita em Lagoa.