A Associação dos Faroleiros (ASPFA) expressa hoje «extrema preocupação» sobre o processo de transferências destes profissionais.
A Associação Socioprofissional dos Faroleiros (ASPFA), sediada em Lagoa, vê «com incredulidade e extrema preocupação o para – arranca do processo de movimentos dos faroleiros. Chegados a este mês, ainda temos faroleiros (e suas famílias) à espera de saberem se vão e quando vão para o seu novo posto de trabalho. Estando o processo de transferências quase todo por fazer, quando deveria ter sido concluído preferencialmente no início do verão, o mais cedo possível, antes do reinício do ano escolar».
Em nota enviada hoje às redações, a ASPFA lamenta que «numa profissão em que a transferência periódica é algo comum e que existe há inúmeras décadas, é triste constatar a falta de atempadamente, preparar e promover os destacamentos dos faroleiros (e do seu agregado familiar, muitas vezes, com crianças em idade escolar) Este atraso é, não só, fruto dos tempos legais que é necessário respeitar, mas também e acima de tudo, de erros de palmatória por parte de quem tem a responsabilidade de gerir esses movimentos e de quem deve administrar superiormente esses movimentadores».
Apesar de «esta associação socioprofissional ter feito tudo o que estava ao seu alcance para ajudar na resolução deste e doutros problemas que afetam a nossa classe profissional, alertando atempadamente para estas e outras situações, e também contribuindo com a sua opinião, que é também a voz dos seus associados, os faroleiros e os faroleiros-técnicos. Este atraso está, em parte, também ligado à falta de autorização (desde 2018) para a abertura de concurso para admissão de profissionais para estas profissões, bem como para os outros grupos do Quadro de Pessoal da Marinha (QPMM)».
Isto porque, segundo a ASPFA, «os grupos profissionais que fazem parte do QPMM militarizado da Marinha (faroleiros e faroleiros costa do Algarve, polícias dos estabelecimentos de Marinha e pessoal do Troço Mar), sabem que não temos falta de potenciais candidatos, mas que são as atuais regras que determinam que sejam apenas oriundos da Marinha de Guerra. Estes são dois problemas que se entrelaçam e que por muito que se diga e se tente fazer, continuam aí, qual pústula que teima em crescer».
A ASPFA constata «que não existe coragem e/ou capacidade de repensar o problema e de resolver estas questões. Os Faroleiros estão cansados e, cada vez que um dos nossos deixa o Quadro (por aposentação, mobilidade ou para reinventar as lotações, a gestão de pessoal e as suas funções. Haverá infelizmente um dia em que não conseguiremos acompanhar o passo às exigências da missão que nos está atribuída. É extremamente urgente profissionais no Quadro de Pessoal, correndo todos os grupos do QPMM sejam postas em causa pela falta de pessoal, contribuindo assim para a insegurança de quem lida. É este estado de coisas que leva, cada vez mais profissionais faroleiros (e dos restantes grupos do QPMM), a abandonar estas profissões militarizadas e ingressar em carreiras civis para conseguirem assim, o respeito e a estabilidade de vida na Marinha já não lhes conseguem dar. Aliado a isso, a falta de legislação adequada para estas carreiras, é também um grande incentivo à mudança. Perguntamos, onde para o nosso estatuto profissional?»
«As décadas passam e não somos devidamente enquadrados no ordenamento jurídico nacional (aliás, nem devidamente nem indevidamente). Porque é que os nossos governantes nos deixaram no limbo jurídico? De 1976 até agora? Já chega, não?», conclui a nota da ASPFA.