Mudanças no handling e fronteiras aéreas no verão preocupam a ANA, que alerta para os riscos do novo sistema europeu de entradas e saídas começar a funcionar na época alta.
A ANA – Aeroportos de Portugal admite estar preocupada com a coincidência entre a época alta e alterações no serviço de handling e no controlo de fronteiras, juntando-se à apreensão manifestada pelo setor da hotelaria, na sexta-feira, dia 13 de fevereiro.
«Estamos preocupados. Ao mesmo tempo, estamos a fazer aquilo que temos que fazer para estarmos preparados», disse o administrador da gestora dos aeroportos nacionais, Francisco Pita, à Lusa, quando confrontado com as preocupações manifestadas pelo presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP).
Na quarta-feira, o presidente da AHP, Bernardo Trindade, afirmou, no discurso de abertura do 35.º Congresso Nacional da AHP, que termina hoje no Porto, estar muito preocupado com a época alta do turismo em Portugal.
«Estamos muito preocupados com o fim da moratória do Entry Exit System [EES] a 31 de março. Sabemos do esforço que o Governo tem feito para ajudar com a mobilização de agentes da GNR a juntar ao quadro permanente de agentes nos aeroportos. Sabemos do esforço que a ANA tem feito para arranjar espaço para mais boxes, mas o desafio é gigante», disse Bernardo Trindade.
Em 30 de dezembro de 2025, após constrangimentos no controlo de fronteiras no aeroporto de Lisboa que levaram a filas de horas, o Governo decidiu suspender durante três meses a aplicação do sistema informático EES e aumentar em cerca de 30% a capacidade de equipamentos eletrónicos e físicos de controlo das fronteiras externas no aeroporto Humberto Delgado.
Atualmente, Francisco Pita diz que trabalham para que os constrangimentos não se repitam.
«Estamos a trabalhar com o Governo, com a polícia, a preparar tudo para conseguir entregar o melhor serviço possível com as melhores condições possíveis a quem tem que prestar o serviço, atendendo àquilo que é a legislação europeia», disse à Lusa, à margem do congresso.
Ainda assim, o responsável da ANA admite que seria preferível haver «um dilatar daquilo que são as metas do entrar em funcionamento» do EES.
«Aliás, a indústria toda já se pronunciou sobre isso», afirmou, aludindo ao alerta que aeroportos e companhias aéreas europeias voltaram a fazer esta semana sobre o risco de perturbações no tráfego aéreo nos meses de verão devido à implementação do novo sistema de entradas e saídas no Espaço Schengen, apelando a mudanças imediatas.
O Conselho Internacional de Aeroportos (ACI Europe), a Airlines for Europe (A4E) e a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) indicaram, em comunicado conjunto, que, sem medidas imediatas para proporcionar flexibilidade suficiente, são previsíveis graves perturbações durante os meses de maior movimento.
Os organismos alertam para a possibilidade de filas que podem atingir quatro horas ou mais, caso não sejam tomadas medidas imediatas.
As três organizações afirmaram ter enviado uma carta a Magnus Brunner, Comissário Europeu para os Assuntos Internos e Migração, alertando para tempos de espera excessivos já observados no estado atual do sistema de entradas e saídas.
«Isto não é só em Portugal que não está a correr bem. Esta carta que a IATA, a ACI e a A4E enviaram tem evidências de que, de facto, os tempos de controlo de fronteira aumentaram significativamente em toda a Europa no período baixo e, portanto, obviamente que isto causa muitos receios para o período alto», reforçou.
No caso dos aeroportos nacionais, vão também existir mudanças ao nível do serviço de handling, assistência em terra a passageiros e bagagens, após a Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) ter atribuído ao consórcio Clece/South – que reúne a espanhola Clece e a South Europe Ground Services – a licença para prestação de serviços de assistência em escala nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro por um período de sete anos.
Para assegurar a continuidade do serviço, o Governo prorrogou as licenças em vigor até 19 de maio de 2026. A AHP alertou na quarta-feira que se trata de uma má altura para mudanças, posição com a qual o administrador da ANA concorda.
«Em relação ao tema do handling, a mudança de uma licença de um operador para outra só por si não é um fator de preocupação. A nossa preocupação é que a data em que vai ocorrer, 19 de maio, é verão. Estamos preocupados, principalmente, por isto ocorrer na época alta, o que nos põe um esforço adicional. Não é a melhor altura, era preferível época baixa», concluiu.
Foto: Bruno Filipe Pires