AlgarOrange estima perdas de 25% a 40% nos citrinos do Algarve devido ao mau tempo, com variedades a registar quebras acentuadas na produção.
Embora os danos ainda não estejam totalmente apurados, a direção da associação adiantou que foi feita uma «consulta» aos produtores e operadores de citrinos da região, tendo sido identificadas perdas «acentuadas», que «de uma forma genérica, situam-se na ordem dos 25%, havendo variedades com perdas na ordem dos 40%».
«Esta é a situação generalizada devido ao prolongamento das condições meteorológicas, com elevados teores de humidade, potenciadores de podridões e queda de fruta. Para lá da fruta caída no chão, uma quantidade substancial, embora ainda na árvore, já se encontra podre, o que resultará na continuação de queda de fruta ao longo das próximas semanas», explicou a AlgarOrange, em comunicado, enviado às redações na sexta-feira, dia 13 de fevereiro.
Além dos danos na fruta, houve pomares atingidos por «fenómenos extremos de vento, chuva e granizo», assinalou a associação, reconhecendo que os preços deverão sofrer «alguma subida junto da produção».
Os produtores vão também enfrentar custos associados à colheita que «aumentaram de uma forma substancial».
«As condições de trabalho das equipas de colheita tornaram-se verdadeiramente difíceis. Para continuar a abastecer o mercado, a colheita é feita ao frio e à chuva. Em muitos pomares, os tratores afundam na terra saturada de água e os frutos têm que ser retirados apenas pelas pessoas», justificou.
A AlgarOrange apelou aos produtores afetados para notificarem a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, com conhecimento à FEDAGRI – Federação da Agricultura Algarvia.
«Este é o procedimento a seguir para pressionar o Governo a abrir aviso de apoio», acrescentou.
Depois de anos marcados pela seca, os citricultores algarvios enfrentam agora os efeitos de chuvas intensas que repuseram os níveis de água nas barragens, mas cuja precipitação já provoca impactos negativos nos campos e nas produções.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também centenas de feridos e desalojados.
A décima sexta vítima é um homem de 72 anos que caiu no dia 28 de janeiro quando ia reparar o telhado da casa de uma familiar, no concelho de Pombal, e que morreu em 10 de fevereiro, nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC).
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, os cortes de energia, água e comunicações, bem como inundações e cheias, estão entre as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.