A guerra passou ao largo do Algarve e ainda há muitas histórias por contar. Que o diga o jornalista Carlos Guerreiro, autor do livro «Aterrem em Portugal!», uma compilação de casos de aviadores aliados caídos no país, durante o conflito. Já repetente nestes eventos em Aljezur, o jornalista tem agora em mãos um novo projeto, «que passa por tentar perceber o que é que as nossas marinhas – mercante, de guerra, de pesca – fizeram durante este período. A minha intenção era investigar os salvamentos a náufragos feitos pelos portugueses durante 1939/1945. Contudo, tenho encontrado informações surpreendentes», de tal forma que o tema da investigação cresceu. O objetivo será possivelmente um novo livro. Durante a sessão, Guerreiro levantará um pouco o véu com novos episódios de combates aeronavais ao largo do Algarve.
Já Augusto Rodrigues, autor do livro «A batalha de Aljezur» revelou ao «barlavento» que vai aprofundar o caso de Francisco Garcia Regêncio, chefe de Farol do Cabo de São Vicente. «Há uma coincidência tremenda, o alemão Ernst Schmidt, principal angariador de espiões portugueses, casou com uma portuguesa que tinha sido colega de escola da mulher do faroleiro. É essa a ligação». Apesar do combate aéreo de junho de 1943 sobre Aljezur não «ter que ver diretamente com um ato de espionagem, ele tinha muita influência nas esperas que os submarinos alemães faziam ao largo do Algarve».
«Um colecionador de Guimarães, que nos anos 1980 vasculhou a zona de Parede, onde o Focke-Wulf (FW) 200 se despenhou, entregou-nos dez caixas com os artefactos que recolheu. Têm a particularidade de conter objetos pessoais, como os botões das fardas dos tripulantes», revelou.
«Vamos ter uma maqueta feita à escala por um entusiasta de Quarteira, sobre o momento final em que o FW se despenha na falésia». A mostra integra ainda fotografias e cópias de documentos oficiais da época, condecorações e diplomas atribuídos pelo III Reich às entidades aljezurenses que promoveram os funerais dos aviadores alemães.
A sessão terá lugar na Junta de Freguesia de Aljezur, a partir das 15 horas, e é organizado pela Associação de Defesa do Património Histórico e Arqueológico de Aljezur.