Mais de 20% do território português está situação de seca fraca a moderada e cerca de 80% em situação de seca severa a extrema, de acordo com os últimos dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Uma situação que poderá levantar a questão das disponibilidades hídricas para as várias utilizações e, essencialmente para o consumo humano.
Contudo, no Algarve, «a situação das disponibilidades hídricas para o abastecimento público é positiva, estando assegurado o suprimento das necessidades de água até ao final do período seco de 2016», segundo informa a empresa Águas do Algarve.
«Pode afirmar-se que esta situação favorável resulta sobretudo do importante investimento que foi efetuado pela Águas do Algarve, SA na constituição e disponibilidade de uma nova e grande origem de água superficial, ou seja, da construção da barragem de Odelouca e da sua albufeira. Acresce a existência de uma estratégia de gestão plurianual e integrada de todas as Origens de Água do Sistema Multimunicipal de Abastecimento de Água do Algarve, quer superficiais quer subterrâneas», justifica a empresa.
A conclusão é reforçada após «análise dos volumes e disponibilidades hídricas das quatro albufeiras que constituem as origens de água do Sistema Multimunicipal de Abastecimento de Água do Algarve (albufeiras de Odelouca, Bravura, Odeleite e Beliche), verifica-se que durante o período húmido deste ano hidrológico de 2015-2016, e face ao período homólogo do ano anterior, os caudais de regularização das albufeiras não permitiram grandes incrementos em termos de percentagem de armazenamento de água, com exceção da albufeira da barragem da Bravura que esteve próxima de atingir a sua capacidade máxima».
«Verifica-se ainda que a situação em termos de disponibilidades de água superficial para o abastecimento público é mais favorável na região de barlavento, onde os consumos são também superiores, sendo que a situação das disponibilidades a Sotavento merece um acompanhamento mais apertado ao longo do próximo período húmido».
Salienta-se, contudo, que «em Outubro terá início um novo ano hidrológico, havendo a expectativa de melhoria do balanço hídrico com maiores afluências às diversas albufeiras, face aos diversos consumos previstos e perdas, e consequentemente o aumento das disponibilidades totais destas albufeiras».
Assim, segundo dados de 24 de agosto de 2015, as albufeiras da região que servem o Sistema Multimunicipal de Abastecimento de Água do Algarve apresentam as seguintes cotas:
• Beliche (cota 41,13m, volume total 22,051 hm3, cerca de 45,94% da capacidade)
• Bravura (cota 80,62m, volume total 25,898 hm3, cerca de 74,42% da capacidade)
• Odeleite (cota 41,12, volume total de 69,576 hm3, cerca de 53,52% da capacidade)
• Odelouca (cota 92,23, volume total de 94,334 hm3, cerca de 60,09% da capacidade)
São Brás de Alportel e Monchique triplicam consumos
Segundo ainda informação da Águas do Algarve, os consumos têm vindo a aumentar na região.
«No passado mês de julho de 2015, foi fornecido pelo Sistema Multimunicipal de Abastecimento de Água, um volume de 9.322.061 m3 de água, superior em 13,65 % face ao mês homólogo do ano anterior».
«Todas as entidades gestoras em baixa, tiveram consumos de água significativamente superiores ao do mês homólogo, com destaque para Loulé (25,6%), Portimão (19,6%) Silves (13,3%) e Inframoura (17,0%), TaviraVerde (17,0%) e SGU, VRSA (16,4%). Realça-se ainda o aumento significativo de consumo de água nos municípios de Castro Marim (19%), S. Brás de Alportel (35%) e de Monchique que triplicou o consumo, face ao mesmo mês homólogo».