O último congresso nacional do Partido Socialista, entre 3 a 5 de junho, na Feira Internacional de Lisboa (FIL), não teve eleições para a Comissão Política Nacional, nem foram escolhidos os elementos do secretariado, decisões que serão apenas tomadas na primeira reunião da Comissão Nacional, marcada para 15 de junho.
Ao «barlavento», o presidente da Federação Socialista do Algarve, António Eusébio, destacou a representação da região na Comissão Nacional. «O congresso foi o consolidar de uma posição do secretário-geral António Costa e das políticas de governo» e, no que diz respeito ao Algarve, posso acrescentar «que mantivemos na lista que apoiava António Costa o mesmo número de elementos para a Comissão Nacional e, por isso, continuamos a ser considerados pela direção nacional com o mesmo peso que tínhamos antes, o que é salutar para o Algarve nesta fase».
Ou seja, segundo António Eusébio, não era expectável, «porque noutras vezes o Algarve tinha sido favorecido, quando havia mais do que uma lista, com elementos nos dois lados. Agora estavam todos a apoiar António Costa. É um sinal positivo». Esta é uma questão de representação, de participação, de dar voz na defesa do Algarve e da população, no momento certo, na Comissão, considerou.
Na eleição dos órgãos nacionais, os delegados do PS Algarve integraram as listas apresentadas a sufrágio por António Costa ficando distribuídos na Comissão Nacional Jorge Botelho, Luís Graça, Ana Passos, Joaquina Matos, Fernando Anastácio, António Miguel Pina e Miguel Freitas (efetivos) e Francisco Martins, Vítor Guerreiro, Célia Brito, Ana Sofia Belchior e Ricardo Calé (suplentes).
Desta lista foram eleitos os primeiros seis efetivos, estando em aberto a integração de mais algarvios nos restantes órgãos do partido. Da lista faziam ainda parte Francisco Oliveira como efetivo para a Comissão Nacional de Jurisdição e o suplente Pedro Pimpão para a Comissão Nacional de Fiscalização Económica e Financeira. Por inerência de funções, o presidente do PS do Algarve, integra a Comissão Nacional e a Comissão Política Nacional.
Antes tinham sido eleitos Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé, e a antiga eurodeputada Jamila Madeira. Isilda Gomes estava no secretariado.
A opção dos nomes que vão integrar a Comissão Política Nacional e do Secretariado parte, diretamente, do secretário-geral do PS.
O congresso contou ainda com uma forte presença dos delegados do Algarve, onde se destacaram as medidas tomadas sobre a defesa do Estado Social, do Serviço Nacional de Saúde e da Escola Pública.
A intenção destas ações tiveram como objetivo a redução das desigualdades e a promoção da recuperação de rendimentos ao longo dos primeiros seis meses de governo e os benefícios daí resultantes para a região.
Os delegados algarvios alertaram para os prejuízos potenciais da exploração de gás e petróleo no Algarve, para a economia, sublinhando que «com o avançar deste processo, se não forem tomadas as devidas cautelas, fica claro que para o país e para o Algarve ficará o ‘osso’, ou seja, o lado ainda oculto, para muitos, dos riscos do que tudo isto significa». Aliás, a intervenção de Jamila Madeira, durante este congresso, focou estes temas.
Confiantes na intervenção do governo e do primeiro-ministro, os representantes do Algarve defenderam uma atitude proativa na avaliação dos contratos existentes e uma maior participação dos eleitos locais no processo, manifestando a confiança e empenhamento no programa de descentralização anunciado pelo governo.
«Não houve tanto a discussão de questões específicas, atendendo ao número limitado e aos imensos participantes, com pouco tempo para falar. Tratou-se muito mais de política nacional», onde as autárquicas se assumem como uma prioridade. «Estas listas também de algum modo foram pensadas para valorizar os potenciais autarcas para o próximo ano».
Para já o único socialista que já assumiu em público que se irá candidatar, segundo o presidente da Federação, é Jorge Botelho, em Tavira. A estrutura algarvia socialista está a escolher o coordenador autárquico, que será «sufragado na Comissão Política Regional». Dentro de cerca de um mês, o processo deverá estar definido. Terá como função ajudar, em cada secção, cada concelhia, na escolha dos candidatos e as melhores equipas.
Não querendo adiantar muito, mas já levantando o véu, António Eusébio confirma que Vila Real de Santo António será desafio, pois Luís Gomes não se recandidata e «pode ser uma oportunidade de mudança nesta fase. É uma oportunidade». O objetivo global será manter autarquias.
Quando questionado acerca da abertura ao apoio a independentes, como António Costa demonstrou com o Porto, em que não apresenta candidato e apoia um independente, o responsável socialista algarvio afirma que «foi um bom exemplo dado para o Porto». Já no que toca a coligações, semelhante à de governação (BE, PS e PCP), que poderia ser aplicado nas autárquicas, António Eusébio admite que o que tem ouvido é que há «alguma limitação nos partidos de esquerda em fazer coligações antes das eleições. Acho que é possível, mas não passa de uma ideia para já».