A marca Água de Monchique está na moda, é procurada por cada vez mais consumidores em diversos pontos do mundo e tem vindo a aumentar as vendas, quer dos produtos tradicionais, quer do rótulo premium, a «Chic».
E para dar resposta à procura, o empresário que detêm a unidade fabril nas Caldas de Monchique, decidiu expandir a área de armazém, estando previsto um investimento de 18 milhões de euros, abrindo a necessidade de criar 30 novos postos de trabalho. «Ao que parece, gerou-se uma moda em torno da Água de Monchique, que veio para ficar», justifica Rui André, presidente da Câmara Municipal local, alcançando já, em popularidade e sucesso comercial, os enchidos e o medronho.
O alargamento da unidade fabril é uma pretensão antiga do proprietário da marca, sendo considerado pelo autarca como um investimento «interessante, porque é uma mais-valia e uma riqueza natural, tendo em conta que a exploração do recurso, sem causar danos, não traz impacto ambiental negativo». A ampliação é uma consequência do sucesso da marca, que tem conseguido exportar a «Chic» para mercados mais distantes como Macau ou China. A água «já é conhecida a nível mundial e leva o nome Monchique para todo o mundo. É um produto de qualidade e já houve várias pessoas que me trouxeram este feedback. Dizem que viram a água à venda no estrangeiro», exemplificou o edil.
E como continua a aumentar a procura, o espaço de engarrafamento e de armazém começa a ser apertado. O empresário pediu, então, o apoio da autarquia para ampliar o espaço nas Caldas de Monchique. No entanto, os responsáveis chegaram à conclusão de que o espaço ficaria saturado. Já existe a unidade da marca, «as termas, a vila termal ou o hospital termal», argumentou Rui André. Era uma zona a evitar. O proprietário não se importou, mas alertou para o facto de ser necessário que a nova localização não fosse muito distante, de forma permitir que a água fosse transportada através de um pipeline (sistema de tubagens) próprio para o efeito.
Começou então a busca por um terreno que servisse o propósito. E já está escolhido. Fica numa zona chamada «Pocilgais» a cerca de um quilómetro das Caldas de Monchique, a seguir ao local onde antes se encontrava o «Ómega Parque».
«O sítio exato é onde foi feito o aterro do Longevity, aquando da construção. É uma zona sem interesse e estamos, neste momento, a avaliar um estudo de incidências ambientais. Ou seja, o impacto que a construção terá, mas penso que, até ao final deste mês, temos todo o processo concluído para que, de uma vez por todas, o empresário possa concretizar o projeto», adiantou Rui André em declarações ao «barlavento».
Desta forma, a Câmara Municipal de Monchique alterou o Plano Diretor Municipal (PDM) «para possibilitar a construção deste novo espaço de atividade industrial, numa zona que tinha condicionantes da Reserva Ecológica Nacional, da Reserva Agrícola Nacional e da Rede Natura», avançou ainda.
«Então deu-se início a um procedimento, quer da Câmara e da Assembleia Municipal, quer de todos os órgãos que têm que se pronunciar sobre esta matéria. A alteração do PDM esteve em consulta pública e, neste momento, está em fase de reunião procedimental final para aprovação por todos os órgãos». Já foram emitidos os pareceres da Infraestruturas de Portugal, do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve e da Agência Portuguesa do Ambiente.
O passo seguinte, será uma reunião com todas as entidades para concluir o processo, permitindo ao empresário o arrancar da obra. Na visão de Rui André, a «Câmara recebe com agrado esta pretensão, sabendo, obviamente, que são projetos que têm que percorrer um caminho burocrático muito complicado». Ainda assim, o presidente da autarquia sublinha o forte investimento, a criação de postos de trabalho e o reconhecimento de (mais) um produto natural de Monchique de qualidade.