Com o circo eleitoral de volta, as múmias político-partidárias da maioria e do seu cavalo de carga, autores da estratégia das portagens em sucessivos governos, sabendo que estes espinhos de contradições e mentiras não saem das cabeças e dos bolsos dos algarvios, aparecem de novo a apoderar-se do debate, vestindo novas propostas sobre a inevitabilidade das medidas que tomaram no passado recente.
PSD/CDS e PS não têm qualquer vergonha. Estiveram juntos nos votos e ausentes dos protestos da população. Agora, apresentam-se em defesa de reduções nas portagens, já justificadas (?!), dizem os deputados de suporte, argumentando números que o arrecadado já chega. E que, por outro lado, devem ser abolidas as portagens, na voz das carruagens que querem voltar ao poder.
Os mortos e feridos que causaram, os custos de assistência de saúde e a dor das famílias afetadas, as perdas e as falências de empresas que provocaram, o desemprego e o agravar da sazonalidade que arrastaram, para além do ridículo das filas de espera na fronteira, resume-se agora a uma nova disputa de votos – com os argumentos embrulhados no celofane opaco de que as contas do país é que mandam. Nisto de eleições vale tudo. Valendo, sobretudo, o resultado final da eleição, porque para desculpas e mentiras não lhes falta detergente. Na AMAL, já se fala abertamente em prejuízos para a região e até um presidente de câmara deu a cara em jantar de protesto. Curiosamente, o novo chefe do partido socialista veio ao Algarve e não se lembrou do assunto…
Do lado do poder central, falam os que de cá foram eleitos e fazem uma teoria matemática que sabem não estar aprovada, porque a sua mera função é levantar os braços quando lhes pedem.
Os chefes também estão ausentes de cumplicidades por razões macro-económicas. Porque para eles a Nação é tudo! Dizem os cartazes!
Quanto aos algarvios, absolutamente reduzidos a serviçais pela indústria dos sorrisos e de não criar ondas porque o pão pode faltar… bastando para isso a miséria da desvalorização profissional, do emprego e do salário, que por estas bandas grassa, resta-lhes falar do problema.
Os outros que decidam por nós. É aceitar que a vida é feita de esperança sem fazer nada.
E uma comissão de utentes a que o falar castelhano nada acrescentou, porque nada tinha para acrescentar… tal como os eternos protestos escritos e falados do PCP e do BE… e que o Governo PSD/CDS e o PS seu aliado, tenham um dia que se lembrem, piedade…
No fundo… parece que todos desejam uma longa vida às portagens e às suas consequências…