Portimão, uma cidade com um potencial imenso, passou o ano de 2024 estagnada sob a gestão socialista. Tornou-se refém de uma máquina política exausta, incapaz de acompanhar as necessidades da sua população.
Portimão, uma cidade com um potencial imenso, passou o ano de 2024 estagnada sob a gestão socialista. Sob o comando do agora nomeado presidente Álvaro Bila, um autarca com duas décadas de conivência com a ausência de planeamento – é autarca eleito pelo PS desde 2005 estando sempre alinhado com a gestão socialista no concelho -, Portimão tornou-se refém de uma máquina política exausta, incapaz de acompanhar as necessidades da sua população.
Durante todas as décadas de eleições livres, o PS venceu democraticamente as eleições para a Câmara Municipal de Portimão, apresentando-se como a único partido no poder desde que há eleições. No entanto, o que vimos em 2024 foi mais uma demonstração aguda da doença que têm de uma gestão já sem rumo, onde os grandes desafios — mobilidade, habitação, educação e sustentabilidade — continuam (ou já é crónico?) sem respostas concretas.
Portimão já foi um exemplo no Algarve, uma cidade que liderava pela inovação e pela capacidade de atrair pessoas e investimentos. Hoje, sob a gestão deste cansadíssimo PS, assistimos a um retrocesso, onde o potencial da cidade é sufocado pela inércia e pela falta de ambição.
Nesta fase política local já não sabemos bem o que significa a sigla «PS». Não sei se será de «Partido Socialista» ou de «Paradinhos Socialistas». Mas sei que valem o mesmo aos olhos dos portimonenses.
Em mobilidade, o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável foi anunciado como a solução para o caos no trânsito e para a insuficiência dos transportes públicos. Mas o que temos é um documento técnico que nunca saiu do papel. Portimão precisa de uma mobilidade sustentável, com ciclovias funcionais e transportes ecológicos, mas continua literalmente parada — e não por falta de carros.
Na habitação, a Estratégia Local de Habitação foi repetidamente apresentada, mas sem avanços significativos. A compra de terrenos em Vale de Lagar para construção de habitação social foi um passo positivo? Sim, mas insuficiente.
O que falta? Coragem para aplicar a nova lei dos solos, visão para criar habitação acessível e transparência para explicar aos cidadãos como o município pretende enfrentar a crise habitacional. Falta capacidade de planear as políticas do território, saber para onde este grande concelho vai expandir serviços e como os novos limites internos do concelho vão ter planeamento de políticas públicas. Falta algo que tem anos de culpa do PS, em exclusivo, que é dar vida e cor ao defunto Plano Diretor Municipal (PDM) para que o território possa ter uma visão e um planeamento para as futuras gerações.
Na educação, a inércia atinge um novo pico. Com mais alunos do que vagas nas escolas, improvisaram-se espaços não educativos como salas de aula. Mas e o futuro das nossas crianças? Não há planos para novas escolas, nem estratégias claras para garantir um ambiente de aprendizagem adequado.
Há falta de obras de melhoria infraestrutural prometidas vezes sem conta, com a desculpa de mau pagador que «são os concursos públicos que ficam vazios» como se os outros 307 municípios de Portugal não executassem obras com as mesmas regras de contratação pública.
A sustentabilidade, um tema tão urgente, continua a ser uma oportunidade perdida ou um mero PowerPoint nos emails dos autarcas. Enquanto outras cidades avançam em energia renovável e reabilitação urbana verde, Portimão permanece inerte. O PMUS – Plano de Mobilidade Urbana Sustentável, que deveria ser uma bandeira ambiental, é mais um documento guardado na gaveta, à espera de ser reapresentado como novidade (e à espera da amnésia dos autarcas da oposição; que não se lembrem de já o ter visto algumas vezes)
Portimão está também a perder os seus jovens. A falta de mais emprego qualificado, de políticas estruturadas de retenção de talento e de melhores incentivos ao empreendedorismo está a hipotecar o futuro da cidade. Sem jovens, não há renovação; sem renovação, não há progresso. Sem progresso, o nosso futuro será só saudade do passado.
Os portimonenses sabem que merecem mais.
Sabem que a sua cidade não pode continuar refém de promessas que nunca saem do papel (ou do PowerPoint). Está na hora, com relógio a apontar às Eleições Autárquicas de 2025, de exigirmos uma gestão que coloque Portimão no lugar que merece: à frente, e não a reboque das outras cidades.
Portimão precisa de líderes que falem, mas que também escutem. Que saibam dialogar com os eleitores, responder às críticas da oposição e, acima de tudo, demonstrar com clareza o caminho a seguir. Precisamos de uma liderança que abandone os papéis lidos e que fale a olhar os portimonenses nos olhos, com humildade e verdade.
Portimão pode ser uma referência em habitação acessível, com projetos que devolvam a dignidade às famílias e reativem o centro urbano que é uma miragem do bom que outrora foi. Pode liderar no turismo sustentável, no aproveitamento das energias renováveis e na retenção dos nossos jovens mais talentosos. Pode ser capital real do desporto graças aos seus atletas, dezenas de instituições desportivas de grande trabalho e condições para prática de desporto que só não são melhores porque parte da melhoria contínua ficou nas «promessas do PS». Mas para isso, precisamos de mudar.
2025 pode e deve ser o ano em que Portimão se liberta da paralisia socialista. Um ano em que a nossa cidade, tão rica em potencial, reencontra o caminho da ação, da inovação e do progresso sustentável. Porque Portimão merece mais do que promessas recicladas; merece uma liderança capaz de construir um futuro à altura dos seus cidadãos.
Portimão precisa de protagonistas novos e, sabendo que deram o melhor que sabiam, deixar os cansados de ideias e o velho partido Socialista dar espaço a outros modelos de gestão política e pública.
Portimão não precisa de um executivo camarário que simplesmente faça gestão administrativa do dia a dia. Precisa de uma liderança que acredite no seu potencial, que seja ousada nas ideias e firme na execução. Porque o futuro de Portimão não pode esperar mais. Está na hora de agir, de avançar e de devolver Portimão aos portimonenses.
Carlos Gouveia Martins