A Santa Casa da Misericórdia de São Brás de Alportel emitiu hoje um comunicado para esclarecer a suspensão de Emanuel Sancho, diretor do Museu do Traje.
Esta decisão, que a Mesa Administrativa descreve como «inédita e muito dolorosa», surge na sequência de uma «gestão controversa e de comportamentos, culminando numa «grave acusação de difamação» por parte do diretor, através de um e-mail oficial.
«Lamentamos profundamente a circunstância, mas por respeito à verdade, princípio maior pelo qual nos regemos, por respeito à nossa Misericórdia e aos nobres fins que prossegue, cumpre-nos emitir este comunicado para prestar os devidos esclarecimentos. A Santa Casa da Misericórdia de São Brás de Alportel foi forçada a tomar uma decisão inédita e muito dolorosa, relativa a um dos bens mais valiosos desta Misericórdia, uma referência para a nossa região e para o país, e um desafio de gestão cultural e de sustentabilidade, o Museu do Traje». começa por explicar.
Assim, «devido a uma gestão controversa e a constantes comportamentos desadequados para com a Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia, que culminou com o que consideramos um infeliz e muito grave ato de difamação desta Misericórdia, por meio oficial, por parte do diretor do Museu, vimo-nos confrontados com a necessidade de tomar uma atitude que muito lamentamos, para não permitir que esta relação se degradasse ainda mais, afetando o que tem de ser um normal e institucional relacionamento entre órgãos de gestão que se respeitam, coordenam, e trabalham em equipa».
O ponto de conflito envolve a interpretação errónea de um extrato bancário, com a qual, o diretor agora suspenso, alegou «denegrir» o trabalho de mais de uma centena de colaboradores da Misericórdia.
«Constatámos, com surpresa que o Diretor do Museu difundiu uma mensagem de correio eletrónico, com proveniência da caixa principal de e-mail do Museu do Traje, que continha como anexo a Nota Informativa nº. 90, assinada pelo próprio, cujo conteúdo revela uma profunda falta de conhecimento e tem por base uma interpretação errónea de um extrato bancário, através da qual é denegrido o trabalho diário de mais de uma centena de colaboradores, que todos os dias se esforçam de uma maneira honesta e responsável, para desenvolver um trabalho dedicado a bem da comunidade na qual estão inseridos, e razão pela qual a Misericórdia existe», lê-se no comunicado.
«Este grave ato forçou esta Mesa Administrativa a suspender as funções do diretor do Museu, a instaurar um processo disciplinar e uma queixa-crime. Após mais de duas décadas a dinamizar o Museu, em que não podemos deixar de louvar o empenhado trabalho até então prestado, muito lamentamos esta situação tão grave», sublinham os responsáveis.
«Infelizmente, nos últimos anos, vínhamos constatando, com apreensão, que a atuação do diretor do Museu parecia estar mais focada em protagonizar uma relação de tensão permanente com a Misericórdia, mas jamais poderíamos imaginar que esta atitude pudesse acontecer. Permitam-nos esclarecer que no mesmo extrato bancário ao qual o senhor diretor teve acesso, a par da referência ao levantamento do montante referido, está a indicação do destino do mesmo: a sua colocação em depósito a prazo, justamente para melhor rentabilidade das verbas destinadas ao Museu do Trajo, sempre no quadro da gestão rigorosa dos recursos financeiros, que tem sido fundamental para permitir o funcionamento e engrandecimento da instituição».
A administração lamenta que «parte da informação não é referida e através desta incorreta leitura de um documento da maior importância, que deve exigir o máximo profissionalismo, zelo e prudência, nem é referido que a Santa Casa sempre cumpriu com todos os pagamentos e investimentos necessários ao funcionamento e melhoramento constante do Museu, investimento que entendemos da maior relevância, enquanto guardião do Património e da Memória da comunidade».
Por fim, «o Museu do Traje carece de uma gestão atenta, responsável e focada numa sustentabilidade financeira e social. Não pode assim estar sujeita a quezílias entre os seus órgãos de decisão, e menos ainda a insinuações injuriosas que danificam a sua reputação, com dolo e má-fé, através de ato oficial. Numa Misericórdia, todos os assuntos importantes são deliberados pela Mesa Administrativa, órgão executivo e colegial composto por cinco elementos, os seus movimentos financeiros são escrutinados por colaboradores e pelos vários órgãos da irmandade, segundo o que dita o Compromisso desta Misericórdia. Com rigor e transparência. Este processo, torna assim impossível qualquer ato ilícito. E assim deve ser».
Como tal, prossegue o comunicado, «dando resposta ao que nos pretendem injuriar caluniosamente, todo o património da Misericórdia, nomeadamente todo o espólio social e do Museu são administrados e movimentados exclusivamente pela Mesa Administrativa, sendo da sua inteira responsabilidade, balizados por regras rigorosas de avaliação, executadas segundo procedimentos legais, cumpridos com transparência e ética, e validados por vários órgãos da Irmandade, que os analisa com rigor».
«A injuriosa mensagem tenta descrever uma realidade que não existe e faz acusações injustas e desonestas, não só por puro desconhecimento técnico do processo em si e do objetivo da transação bancária efetuada, como pelo que transparece ser o desconhecimento total das permissões legais de gestão da Mesa Administrativa, no âmbito das suas competências de gestão diária».
Em jeito de conclusão, «a Mesa Administrativa não poupará esforços para demonstrar os factos acima expostos, sendo fácil fazê-lo, e apurar responsabilidades por mais um ato desrespeitador do bom nome da nossa Misericórdia. Não podemos permitir que o trabalho honesto, responsável e dedicado de muitos, que com enorme orgulho tem como missão servir esta comunidade, seja levianamente posto em causa desta ou de outras formas».
«Reiteramos ainda que a Misericórdia assegura que o seu empenho na gestão do Museu está intacta e que a dinâmica do Museu do Traje, a Museologia Social, o Museu de comunidade, a atividade dos Amigos do Museu, e de todos os envolvidos, estão assegurados e com condições para manter todas as atividades, uma vez que acima de tudo temos como orgulho e objetivo final assegurar a reputação da nossa comunidade e os trabalhos e desenvolvimento de tudo aquilo em que nos orgulhamos na nossa comunidade em São Brás de Alportel e pelo qual todos os dias trabalhamos, para que possamos atrair turismo e viver com maior qualidade».
Ouvido pelo barlavento, Emanuel Sancho disse apenas lamentar a explicação da Mesa por esta via.