A Comissão de Utentes da Via do Infante (CUVI) congratula-se «vivamente pela eliminação das injustas e erradas portagens» na Via do Infante (A22).
A Comissão de Utentes da Via do Infante «congratula-se vivamente pela aprovação, por uma esmagadora maioria de deputados na Assembleia da República», no dia 2 de maio, da proposta que dita a eliminação das «injustas e erradas portagens no Algarve», implementadas a dia 8 de dezembro de 2011 pelo governo PSD/CDS com o apoio do Partido Socialista (PS).
«Os partidos do atual governo, PSD e CDS, continuam a trair o Algarve, mas foram derrotados no Parlamento. O Chega que anunciou que iria votar ao lado da AD fez uma pirueta e alterou o seu sentido de voto, temendo desiludir os seus eleitores. Finalmente iremos ter um Algarve livre de portagens – por que tanto se bateu a Comissão de Utentes – ao fim de quase 13 anos de calvário que assolou a região e cujas consequências foram muito nocivas e trágicas para muitas famílias», diz a CUVI, em comunicado assinado por João Vasconcelos, do Bloco de Esquerda, que durante anos encabeçou esta luta.
Foram «centenas de vítimas, entre mortos e feridos, nos milhares de acidentes rodoviários que ocorreram na EN125 (ainda não totalmente requalificada), uma das vias mais perigosas do país e considerada a estrada da morte; a mobilidade na região regrediu mais de 20 anos e agravaram-se as desigualdades económicas, sociais e territoriais; o Algarve perdeu competitividade económica em relação à vizinha Andaluzia; muitas empresas faliram e o desemprego aumentou; muitos utentes, por não poder pagar portagens, sujeitaram-se ao trânsito infernal durante horas a fio na EN125; outros, viram os seus magros rendimentos diminuir pelos pagamentos das taxas de portagem; a concessionária privada, através de uma parceria privada ruinosa para o Estado, viu os seus bolsos encherem com largas dezenas de milhões de euros à custa dos contribuintes que somos todos nós», recorda a CUVI.
Os principais «responsáveis por toda esta tragédia e retrocesso para o Algarve foram o PS e o PSD. Ao longo dos anos estas duas forças políticas chumbaram dezenas de propostas para a eliminação das portagens na Via do Infante apresentadas por outros partidos, principalmente pelo Bloco de Esquerda (BE) e Partido Comunista Português (PCP)».
Inclusivamente, «António Costa prometeu em 2015 acabar com as portagens no Algarve, mas foi embora e nunca cumpriu a promessa dada aos algarvios. O seu governo também se recusou a cumprir o que estipula o ponto 8 da Resolução da Assembleia da República n.º 50/2020, de 19 de junho, decorrente de um Projeto de Resolução apresentado pelo Bloco de Esquerda e aprovado por uma ampla maioria – a suspensão das portagens na Via do Infante. O PS procura agora redimir-se da sua atuação no Parlamento e no governo. Mas, mais vale tarde do que nunca!», lê-se no comunicado.
Com a aprovação da eliminação das portagens na Via do Infante «triunfou a Justiça no Algarve! A aprovação da eliminação das portagens só foi possível devido à luta do Algarve, dos utentes e das suas populações. O Algarve e os algarvios estão de parabéns. Também está de parabéns a CUVI, pois desde a sua constituição em 2010 não parou e empreendeu muitos lutas e outras iniciativas, uma luta persistente e determinada durante 14 anos e ao longo de seis governos com o objetivo de acabar com as portagens na região».
A Comissão de Utentes agradece vivamente «a todas e a todos os que com a sua ação e luta contribuíram para um Algarve Livre de Portagens. Mas a luta ainda não terminou. A CUVI continuará atenta e não descansará enquanto não for aprovada a lei final para acabar de vez com as portagens no Algarve, com alguma celeridade, ainda na presente sessão legislativa, não vá o diabo tecê-las».
A CUVI continuará «a exigir que, tão breve quanto possível, aconteça o primeiro dia livre de portagens no Algarve e assinalado com um forte buzinão em todo o percurso da Via do Infante».