O operador turístico britânico Thomas Cook anunciou falência, esta segunda-feira, uma notícia que não surpreende os hoteleiros algarvios.
Ouvido pelo barlavento, Elidérico Viegas, presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), lamenta o desfecho e diz que é hora de fazer o levantamento dos prejuízos.
«Esta falência, não é uma falência qualquer. Isto significa um impacto negativo enorme. Não está em causa apenas os turistas que deixam de vir para o Algarve, já com férias marcadas, mas sobretudo a faturação em dívida dos últimos dois meses».
«Julho e agosto correspondem a 50 por cento da faturação anual dos hotéis, portanto, será um prejuízo enorme. Para já ainda não se pode quantificar, pois estamos a fazer o levantamento dos prejuízos», explicou.
«Penso que os hoteleiros se acautelaram o mais que puderam, mas nestas circunstâncias, sabem que as dívidas não se recuperam».
«A Thomas Cook é um operador turístico tradicional. Comercializa férias, com alojamento, refeições, transporte. Por outro lado, está associada em vários países, na Alemanha, Holanda, Bélgica e Inglaterra. O impacto nesses países, principais emissores turísticos para a região, é enorme», estimou.
O dirigente da AHETA reconhece que «têm existido alterações aos modelos de negócio, desde a liberalização do transporte aéreo no virar do século. Alterações profundas ao nível dos canais de comercialização e distribuição de férias. E por isso, tem de haver uma adaptação às novas realidades».
«Embora a tendência seja para que exista uma disputa para captar o mercado que era da Thomas Cook, a verdade é que o caminho está a ficar cada vez mais concentrado num pequeno grande número de operadores. E quando há falências, são falências cada vez maiores», concluiu.
Também ouvido pelo «barlavento», Rogério Bacalhau, presidente da Câmara Municipal de Faro, se mostrou preocupado.
«Tínhamos a preocupação da Ryanair, mas esta situação pode vir a ter um grande impacto na região. Vamos estar atentos para perceber os efeitos imediatos, falando com o Turismo do Algarve e com os operadores», disse o autarca farense.
«Não é fácil, inclusivamente outros operadores pegarem neste segmento. Levará tempo até estabilizar. Isto vai ter um impacto grande no final do ano e certamente na época baixa no golfe e outros produtos que estão associados, e no próximo ano também. O que me preocupa são os efeitos no imediato porque os postos de trabalho no Algarve dependem muito do sector turístico», disse.
A Thomas Cook é um dos maiores do mundo operadores turísticos do mundo, e foi a empresa que criou os pacotes de férias. Após 178 anos de existência, declarou falência, depois de ter falhado a injeção de novos fundos.
O operador ainda esteve em negociações com os chineses da Fosun, que em Portugal detém a Fidelidade e é a maior acionista do BCP, investimento que falhou.
A Thomas Cook vai agora ser gerida por administradores de insolvência, que vão tentar vender ativos. Estima-se que as dívidas somem cerca de 1,9 mil milhões de libras.
O governo britânico vai agora repatriar os seus cidadãos, tal como aconteceu com a falência da Monarch.
Para o Aeroporto de Faro estão, para já, marcados voos para os dias 24, 28 de setembro, e 1 e 5 de outubro.