«Uma casa longe de casa» é o lema da Fundação que desde 2008 acolhe famílias que vivem longe dos hospitais onde as suas crianças estão em tratamento. A família algarvia Guita partilha a sua experiência e a ajuda que recebeu num dos momentos mais críticos das suas vidas.
Beatriz Guita tinha três anos quando contraiu gripe A e teve sete pneumonias. Foi operada aos adenoides e apesar de a operação correr aparentemente bem, o pós-operatório foi difícil. Após meses de exames, a família descobriu que a menina sofria também de uma doença muscular autoimune, que a faz cansar-se rapidamente e perder a força. Atualmente a família ainda tem de se deslocar ao Hospital Dona Estefânia de dois em dois meses.
Carla Guita, 40 anos, natural de Faro e mãe de Beatriz, recorda todo o processo: «quando decidiram que a minha filha Beatriz tinha que ser operada, a nossa própria médica informou-nos que poderíamos recorrer à casa Ronald McDonald. Telefonei à Segurança Social do Hospital Dona Estefânia [em 2012] e expliquei que financeiramente não tínhamos possibilidade de pagar um alojamento durante o internamento da nossa filha. Na época, a Beatriz tinha sete anos e ambos estávamos desempregados. Avaliaram a nossa situação e dois dias depois estava tudo combinado».
A casa Ronald McDonald de Lisboa disponibiliza 10 quartos temáticos, prontos a serem ocupados nos piores momentos da vida de muitas famílias: quando os filhos estão doentes e precisam de assistência médica. No total, a casa pode chegar a albergar em simultâneo 24 pessoas. Carla, Luís e Beatriz Guita, são apenas uma das 428 famílias algarvias que já recorreram a esta Fundação que acolhe pais cujos filhos estão internados, que tenham de fazer tratamentos ou que se desloquem a consultas.
Nesta casa não há «reservas de quartos». «Na véspera dizem-nos se há ou não vagas, pois têm de ter sempre disponibilidade para casos urgentes que surjam», explica Carla Guita. «A Beatriz já chegou a ter de ficar um mês no hospital, e durante esse período ficámos alojados na casa. É tudo gratuito. Temos um quarto com casa de banho, cozinha e salas de jantar para as famílias conviverem. É como se estivéssemos na nossa casa. Compramos a nossa comida, cozinhamos e fazemos a limpeza. Dão-nos a possibilidade de estarmos perto dos nossos filhos internados sem pagar renda, água ou luz».
Este sistema permite que famílias com problemas similares se possam apoiar mutuamente. «Há muita interajuda. As famílias vêm de todas as regiões do país e ficam sozinhas na capital. Acabamos por nos juntar todos e o efeito é terapêutico. Partilhamos experiências e trocamos momentos de alegria e de choro. Ajudamo-nos mutuamente», conta Carla Guita.
Adicionalmente, e para ajudar no bem-estar das crianças e dos seus pais, a Fundação oferece visitas gratuitas à Kidzania de Lisboa e sessões de Reiki na casa para os pais. «O Reiki deixava-me mais leve. Quando voltava ao hospital sentia-me mais calma», recorda. «E mesmo quando vamos a Lisboa e não ficamos na casa, passamos por lá para cumprimentar toda a gente e dar um beijinho», explica.
Carla deixa um repto a quem possa precisar dos serviços das Casas Ronald McDonald: «é a minha segunda casa. Não temos de ter vergonha, embora haja muita gente a viver de aparências. Não há que ter vergonha de pedir ajuda. Não se deve deixar de fazer um tratamento se existe esta possibilidade. É bom saber que estes apoios existem. Estou muito grata, e por isso, partilho a minha história. Espero que ajude outras pessoas também», conclui.
A Casa Ronald McDonald em números
Desde a sua inauguração, em 2008, a Casa Ronald McDonald de Lisboa, já acolheu mais de 1250 famílias, e a Casa Ronald McDonald do Porto, inaugurada em 2013, mais de 268 famílias. A casa de Lisboa localiza-se no Largo Conde Pombeiro, perto do Hospital Dona Estefânia e a casa do Porto no campus do Hospital de São João. A Fundação tem acordos com os hospitais de D. Estefânia, Santa Marta, Capuchos e Maternidade Alfredo da Costa, e no Porto, com o Centro Hospitalar de São João (CHSJ) e o Instituto Português de Oncologia (I.P.O.). As famílias são depois referenciadas e encaminhadas para a casa Ronald McDonald através dos serviços sociais de cada um destes hospitais.
A Fundação infantil Ronald McDonald
A Fundação inspirou-se na parceria informal criada em 1974, em Filadélfia, entre uma equipa de futebol americano, um hospital pediátrico e a McDonald’s. Quando Fred Hill e a esposa descobriram que a filha de três anos sofria de leucemia, e após passarem muitas horas de sofrimento em cadeiras e bancos do hospital observando a angústia de outros pais, decidiram tomar medidas. Hill era jogador de futebol americano e decidiu reunir o apoio dos colegas de equipa, do treinador e de amigos que eram proprietários de um restaurante McDonald’s. Nasceu assim a primeira Casa Ronald McDonald. Atualmente existem mais de 335 casas por todo o mundo. Em Portugal, a Fundação foi criada em 2000, e em logo em 2001 foi oficialmente reconhecida como uma Instituição de Solidariedade Social de utilidade pública.
Campanha McSorriso 2016 bateu recordes
Os restaurantes McDonald’s em Portugal juntaram-se, de 25 a 27 de novembro, com o objetivo de angariar fundos em prol da Fundação Infantil Ronald McDonald™ e das Casas Ronald McDonald™, que acolhem gratuitamente famílias com crianças em tratamento hospitalar longe de casa. O montante angariado atingiu os 117.986 euros, o maior valor de sempre.
