Faro é Faro, slogan inventado sabe-se lá por que cabeça iluminada; Não copiando, Olhão é, e sempre será, Olhão. Em todas as cidades do mundo que tenham nos seus limites geográficos água (entenda-se mar, ria, lago…) há Marinas, Portos de Recreio, disciplinando-se assim o ancoramento de embarcações náuticas ou, à falta disso, será mesmo um amontado indisciplinado de barcos.
Há uns anos, e tendo por base uma visão alargada do futuro, o presidente de Câmara Municipal de Olhão recuperou toda a zona ribeirinha e a chamada zona da Safol. Convidou a Olhão a administração da cadeia de Hotéis – Grupo Real/Bernardino Gomes, conseguindo trazer para o concelho o primeiro hotel de cinco estrelas do Sotavento do Algarve.
A poente, no espelho de água, foi construido um Porto de Recreio. A nascente da cidade, no outro espelho de água, estão ancoradas, à data, dezenas de embarcações de pesca artesanal. Distam poucos metros do Porto de Pesca, construído nos anos 1980, estando à vista de todos o seu subaproveitamento: muitas embarcações de pesca foram «principescamente pagas» para serem abatidas!
Enquadrado o tema e a cidade, passemos aos factos. Um Porto de Recreio é isso mesmo. Uma Marina é, e já explico, muito mais. Um Porto de Recreio serve meia dúzia de proprietários de embarcações (residentes na cidade ou não), uma Marina serve uma cidade, serve o Turismo Náutico, serve o crescimento, serve o futuro.
Por essa mesma razão, a detentora da concessão (Docapesca), entendeu e muito bem, concessionar a gestão do Porto de Recreio a terceiros, de modo a que a dinâmica daquele espaço passasse a ser a de uma verdadeira Marina, com todas as vantagem e benefícios daí decorrentes para o concelho de Olhão e para os olhanenses. Para ser considerado uma Marina, terá a mesma que ter as condições técnicas e de serviços estabelecidos na Lei. Uma Marina, e está provado e documentado, potencia na cidade um turismo de qualidade, atraindo visitantes com capacidades financeiras acima da média, promovendo um crescimento sustentável na área do turismo, da construção e do imobiliário, da recuperação em zonas históricas, no comércio, hotelaria e restauração.
Podia dar o exemplo de Lagos, Albufeira, Vila Real de Santo António e da eterna luta que Faro mantém há anos para conseguir o que nós já temos e o que iremos ter. Acrescem ainda mais dois ou três motivos, pelos quais uma Marina em Olhão poderá ser mais um «hotel de cinco estrelas» em cima dum espelho de água magnífico – a Ria Formosa.
A «nossa» Marina trará à cidade de Olhão, embarcações de maior porte, clientes com outro poder de compra, indubitavelmente com horizontes e «carteiras» pessoais e profissionais mais abastadas, podendo criar dinâmicas de investimento que muita falta fazem em Olhão.
Além deste facto irá ser construída nas imediações uma zona de serviços e equipamentos que para além de servirem a Marina, irão embelezar e melhorar estaticamente toda a zona envolvente o que será, sem dúvida alguma, muito bom para a cidade e para os seus habitantes! Lembro para terminar, que esta será a única Marina a sul de Lisboa navegável 365 dias por ano, ou seja, as embarcações não necessitam sair a barra para poderem navegar.
Concordo que uma cidade não deve ser escrava do turismo, nem Olhão deverá cair nessa tentação. Aliás, todos os estudos académicos que faço neste momento partem desse princípio: a sustentabilidade e o desenvolvimento de Olhão.
A cidade e o concelho deverão crescer, na próxima década, na área do turismo, porém é importantíssimo criar as condições indispensáveis para que os seus habitantes continuem, dignamente, a ter o seu espaço, as condições melhoradas de trabalho e beneficiem desse crescimento. O tempo de Olhão ser conhecido como a cidade do estaleiro a céu aberto que era a marginal, do mau cheiro e doutros adjetivos e mitos urbanos, acabou!