Serão dez dias de recriação histórica do período medieval da antiga capital do Reino do Algarve, em que elementos como a dança, a música e a poesia vão mostrar a vitalidade e a diversidade das artes no quotidiano árabe medieval desta antiga cidade.
Dois torneios a cavalo por dia, animação exclusiva no Castelo de Silves, manjares medievais, dança e animação, levarão os visitantes numa verdadeira viagem no tempo, onde será possível ter uma visão do que a cidade terá sido outrora e da sua importância incontornável na história da região.
A azáfama nas ruas do centro histórico será constante, respirando-se uma atmosfera com características particulares, num ambiente e cenário únicos, constituídos pelo traçado peculiar do tecido urbano e pela imponência dos seus monumentos.
A Câmara Municipal de Silves, organizadora do evento, mantém a aposta neste evento de referência nacional, que promete ser uma das mais aliciantes propostas de animação da região.
Contextualização histórica
Nesta edição da Feira Medieval de Silves será retratado um período da história da cidade que ocorre na primeira metade do século XII. É uma época politicamente conturbada, em que o poder deambula, com rapidez, entre vários atores políticos e militares. Neste cenário político temos, no comando, os intolerantes Almorávidas, tribo aguerrida do Norte de África; pequenos poderes instituídos localmente que pretendem autonomizar-se; e os também norte africanos Almóadas, decididos a reunificar o poder a partir do seu centro politico sediado em Marraquexe.

Figura central e incontornável da nossa história local é Ibn Qasî, que nasce em Silves em data indeterminada, no seio de uma família abastada de raízes cristãs não muito longínquas.
A morte súbita dos pais quando ainda jovem fá-lo trocar a sua vida de prazeres por uma postura séria e responsável.
Reafirma a sua devoção ao islamismo, vende os bens que herda da família, doa metade do dinheiro aos pobres e com o restante constrói um convento destinado a monges guerreiros (rîbat), não longe de Silves, que virá a ser sede da doutrina que funda com suporte espiritual no sufismo: o muridismo.
Ibn Qasî percorre o Gharb a difundir a sua doutrina e capta a atenção de populações que se revêm no seu pensamento formando-se núcleos locais de apoio também em Mértola e Niebla.
Diz-se que assume o título de Mahdi (Messias) e que a ele são atribuídos feitos divinos como a viagem a Meca numa só noite.
A doutrina múrida contraria, no entanto, alguns dos princípios do islamismo e a censura muçulmana persegue e condena os múridas.
Ibn Qasî decide extravasar a contestação doutrinária e inicia uma guerra política que lhe permite aceder ao governo das mais importantes cidades do Gharb de então: Mértola e Silves.
Estes feitos dependeram, contudo, de estratégias politicas que empreende e que o levam a alternar as alianças, ora com almóadas, ora de novo com almorávidas.
É, no entanto, a sua aliança com D. Afonso Henriques, senhor de Portugal, que afronta os dominantes almóadas mas sobretudo desgosta as classes possidentes muçulmanas que em Silves até aí o haviam apoiado. A conspiração e a antevisão da sua própria morte pululam o seu espírito consciente de que estaria a desafiar o próprio destino.
Ibn Qasî é assassinado por um grupo de conspiradores, liderado por Ibn Al-Mundhîr, um dos seus apoiantes de longa data, senhor de Silves que com ele se havia incompatibilizado. O mestre murída é decapitado, espetada a sua cabeça na lança oferecida por D. Afonso Henriques e passeada pelas ruas da cidade com o grito: «Eis aqui o Mahdi dos cristãos».
1º Dia | 12 agosto – Ibn Qasí: nascimento, tragédia… E uma nova espiritualidade
Ibn Qasí nasce em Silves em data não determinada ficando órfão quando ainda jovem. De modo a atenuar tamanha dor redobra a sua devoção ao Islamismo, vende os bens que compunham a sua herança, distribui metade pelo povo e com a outra parte manda construir um ribat na alcaria Jîlla, não muito longe da cidade. Transfere-se para o ribat e é seguido por um grupo de jovens que apreciam as suas ideias e o brilhantismo das suas capacidades oratórias. Ali desenvolve uma nova doutrina, o Muridismo, e congrega número elevado de seguidores.
2º Dia | 13 agosto – Ibn Qasí e a pregação do muridismo: nasce o Mestre
Ibn Qasí, acompanhado por alguns dos seus seguidores, entre eles Ibn- Al-Mundhîr, percorre o Gharb a difundir a sua nova doutrina, o Muridismo, uma doutrina sufí baseada no misticismo e na contemplação. As multidões formam-se para ouvir as suas convincentes palavras, que ensinam aos crentes a desenvolver uma relação íntima, direta e contínua com Deus, utilizando práticas espirituais transmitidas pelo profeta Maomé. As populações enchem-se de entusiasmo religioso. Formam-se núcleos importantes em Mértola, Silves e Niebla.
3º Dia | 14 agosto – Ibn Qasí, o Mahdi…
Ibn Qasí toma o título de Mahdi (=a Messias na religião hebraica) e os seus partidários idolatram-no e sustentam que o mestre era capaz de autênticos milagres, como numa só noite fazer a viagem a Meca, uma das obrigações de qualquer muçulmano; que era também capaz de transmitir o seu pensamento com a força da mente; que acedia e gastava dinheiro do tesouro de Allah. Segundo tradições antigas o Mahdi havia de chamar-se como o Profeta e, a partir dali, passa a intitular-se Mahomed Ibn Qasí Abdalá.
4º Dia | 15 agosto – Ibn Qasí: determinação e insurreição
A doutrina Múrida contraria alguns dos princípios básicos do Islamismo. A censura islâmica condena estas novas tendências e as autoridades perseguem os múridas. Ibn Qasí desloca-se a Almeria a fim de visitar Ibn Alarife, outro mestre sufi que na região difunde doutrina semelhante para, conjuntamente, concertarem uma estratégia de defesa. Este já tinha sido chamado a Marraquesh para justificar a sua doutrina. Ibn Alarife segue para o Norte de África a fim de prestar contas aos dominantes Almorávidas mas, Ibn Qasí, insurreto, regressa ao Gharb, desafiando o poder instituído.
5º Dia | 16 agosto – Ibn Qasí: ascenção e queda
Ibn Qasí ganha cada vez mais força interior e, o apoio das massas que o seguem, reforçam a convicção de que está no caminho certo para chegar a Allah. Convence-se, contudo, da indissociabilidade dos poderes político e religioso, recolhe-se de novo no seu Ribat e inicia uma fase que extravasa a contestação doutrinária. Põe em causa a própria dinastia reinante e delineia uma estratégia de conquista territorial. Ordena a um dos seus seguidores que ataque o Castelo de Monteagudo. A fortificação é, no entanto, cercada pelos poderosos e reinantes Almorávidas que neutralizam a acção e, o discípulo de Ibn Qasí é morto provocando grande consternação e revolta no seio dos Muridas.
6º Dia | 17 agosto – Ibn Qasí: conquista e poder
Ibn Qasí reanima o grupo transmitindo o célebre pensamento: «Em verdade há a falsa aurora e a verdadeira. Mas só depois da falsa aurora é que vem a verdadeira e o autêntico dia». Refugia-se perto de Mértola e desenvolve, a partir dali, a verdadeira revolta contra os Almorávidas. Conta agora com o apoio do famoso general Al-Kabila. Ibn Qasí atribui-lhe vários títulos: «Espada da Revolta» e «Sustentáculo do Império e da Vitória». Ordena-lhe que tome Mértola o que é conseguido com recurso a ardiloso estratagema. Ibn Qasí é agora senhor de Mértola e do seu vasto território.
7º Dia | 18 agosto – Ibn Qasí: triunfo e glória plena
Ibn Qasí entra triunfalmente no Castelo de Mértola. Continua a distribuir dinheiro junto das populações justificando-se que tinha acesso ao tesouro de Alá, o que lhe permite redobrar os seus partidários. Um camponês põe em causa a proveniência do dinheiro sendo levado a Ibn Qasí que o acusa de ingratidão e o condena à morte. Entretanto, colhe adeptos noutras cidades e, em Silves, Ibn Al-Mundhîr, seu seguidor de longa data, apoia-o e, sendo por si incentivado, revolta-se contra os Almorávidas e assume localmente o poder dirigindo-se a Mértola ao encontro de Ibn Qasí seguido por numeroso exército. Ali chegado reconhece Ibn Qasí como Mahdí.
8º Dia | 19 agosto – Ibn Qasí: alianças e desalianças
Ibn Al-Mundhîr é reconhecido por Ibn Qasí como senhor de Silves a quem atribui o título de “Vitória de Alá” e incumbe de iniciar uma série de conquistas que se alargam a Huelva e Niebla, tendo apenas estacado em Sevilha onde se confronta com tropas Almorávidas vindas de Córdova. Tenta ainda conquistar Sevilha e Córdova mas, várias vicissitudes impedem-no, pelo que decide pedir apoio aos Almóadas do Norte de África. Tal atitude desgosta os chefes do território do Gharb que em si reconhecem apenas ambição pondo em causa o seu título de Mahdí. Ibn Qasí, sentindo-se fragilizado, desloca-se pessoalmente ao Norte de África procurando ali apoio junto dos Almóadas.
9º Dia | 20 agosto – Ibn Qasí: finalmente senhor de Silves
Ibn Qasí investe contra Silves que se mantinha sob o governo de Ibn Al-Mundhîr que se havia revoltado contra o seu antigo mestre. Ibn Qasí toma o castelo de assalto e Ibn Al-Mundhîr evade-se para Córdova. Ibn Qasí é agora senhor de Silves. Os Almóadas pedem a presença do mestre múrida no Norte de África mas este recusa-se e permanece em Silves medindo forças. Entretanto, numa atitude de desafio do destino, envia uma proposta de aliança a Afonso Henriques, senhor de Portugal, que já havia tomado Santarém, Lisboa, Sintra, Palmela e Alcácer do Sal. Este envia comitiva a Silves trazendo como oferta uma armadura, uma lança e um cavalo armado à goda, símbolos que selam a aliança entre os dois líderes.
10º Dia | 21 agosto – Ibn Qasí: definitivamente o encontro com Allah
Surgem os primeiros rumores de que o povo estava desgostado com a aliança feita com cristãos. Ibn Qasí começa a sentir o peso de tantas contradições e por vezes surge-lhe horrível e sangrenta a visão da morte. Astutamente Al-Mundhîr aproveita o descontentamento do povo e trama uma conspiração contra o senhor de Silves. Desenha um estratagema que permite a sua entrada no castelo e ali é assassinado Ibn Qasí, a quem cortam a cabeça, espetam-na numa lança e passeiam-na pelas ruas da cidade com o grito: «Eis aqui o Mahdi dos cristãos».
Retesa o sonho no arco da nobreza e lança setas mortais sobre o inimigo.
Com tuas mãos protege Silves, chão de pomos, cidade primorosa.
E assim será até um fatal dia: tão numerosos serão os inimigos
Que todos os cumes da montanha hão-de gritar: cristão!
(Ibn Qasí transcrito por Ibn Al-Khatîb, in Adalberto Alves, 2001)
História da Feira Medieval de Silves
A primeira Feira Medieval realizada na cidade de Silves foi organizada pela Escola Secundária de Silves, em 1996. Nos dias 14 e 15 de agosto de 2004, a Câmara Municipal de Silves organizou uma «Feira Quinhentista», como forma de comemorar os 500 anos do Foral Manuelino de Silves, durante a qual foram recriados alguns momentos característicos da vida quotidiana da época e a leitura do Foral.
Em 2005 fez-se a primeira Feira Medieval, já com organização da autarquia, com um número ainda relativamente pequeno de figurantes e de grupos envolvidos, mas com grande empenho de todos.
De então para cá, todos os anos, no mês de agosto, Silves enche-se dos sons, dos falares, das cores e dos aromas próprios do tempo em que a cidade era capital do Sul do país, sendo a Feira Medieval de Silves uma referência a nível nacional. Deste modo, chegamos à 13ª edição da Feira Medieval de Silves.
Na sessão fotográfica que permitiu a criação da imagem da XIII Feira Medieval de Silves foram usados achados arqueológicos, que pertencem ao Museu Municipal de Arqueologia de Silves, procurando dar um cunho o mais próximo possível daquilo que seria a realidade vivida no quotidiano da cidade, pelos seus habitantes, ao tempo em que Ibn Qasí percorria o nosso território.
As cenas criadas procuram dar a conhecer vários ambientes locais (o olhar do público poderá descobrir, quando tudo estiver concluído, espaços que certamente conhece, desde o Museu de Arqueologia, o Castelo, entre outros) e atividades que ocorreriam no quotidiano das pessoas que aqui terão vivido na época que se retrata.
Os participantes na sessão são, mais uma vez, voluntários. Candidataram-se mais de 50 pessoas, após a autarquia ter lançado desafio através do facebook. Colaboraram pessoas de várias faixas etárias, que habitualmente participam na feira, seja como visitantes, seja como figurantes ou parte integrante de alguma das atividades que ali se desenvolvem (taberneiros, artesãos, etc.).
André Boto é, mais uma vez, o fotógrafo que criará a imagem e que ajudará a criar o ambiente que se pretende seja espetacular e surpreendente.
Anita Oliveira (do salão de cabeleireiro Anita) realizou, também por mais um ano, a caracterização dos personagens (Contato: Anita – 966 960 858; email – [email protected]; https://www.facebook.com/salao.anita/info).
Vídeo realizado por Joana Gomes e Rafael Correia
Também com o intuito de promover os jovens talentos da comunidade, o spot vídeo da XIII Feira Medieval de Silves foi criado e editado por Joana Gomes e Rafael Correia. Ambos são jovens silvenses e têm formação na área do design, do vídeo e da música, tendo já alguns trabalhos feitos quer com músicos algarvios, quer com autarquias.
Rafael Correia é licenciado em Arquitetura pela Universidade Lusíada, em Lisboa em 2005. Desde então dedica-se a esta área profissional, tanto no sector público como privado, com mais de oito anos de experiência no ramo. Em paralelo desenvolve trabalhos nas áreas de Design, Fotografia e Vídeo, sob o cognome Sickonce e na Música, diretamente ligado à Editora Independente Algarvia Kimahera como Produtor (Sickonce) e DJ (Gijoe).
Na área do vídeo conta com inúmeros trabalhos, nomeadamente, videoclipes, vídeos promocionais, institucionais e de espetáculo.
Joana Rodrigues Gomes, nascida a 11 de dezembro de 1983, cresceu e estudou em Silves até à conclusão do Ensino Secundário.
Cresceu, fora do meio urbano e o que chamavam cidade tinha pouca oferta artística e criativa. Primeiro veio o gosto pela pintura pela mão da mãe, mais tarde, na adolescência, o interesse pela música e fotografia. Apesar do forte laço com o mundo artístico, as circunstâncias e influência dos pares levou-a a seguir área de ciências e após o secundário, licenciou-se em enfermagem.
Em 2006 terminou a licenciatura e durante oito anos foi enfermeira. Mantendo sempre um gosto paralelo e um sonho cativo, em 2010 decide que não haveria de adiar o inadiável e iniciou a Licenciatura em Design de Comunicação no ISMAT (Portimão), em 2011 na Etic_Algarve conclui o curso de Design Gráfico. Desde então trabalha como freelancer na área do Design, fotografia e mais recentemente em vídeo, com o alter ego Camille Leon.
Uma Feira com muitas vivências
A Feira Medieval de Silves permitirá que os visitantes possam viver diversas experiências, sempre com o objetivo de os ajudar a compreender melhor a cidade, a sua história e a divertir-se enquanto o fazem.
Torneio Medieval – Uma viagem a tempos de guerra e de alianças entre muçulmanos…e cristãos
Com duas sessões diárias, com inicio pelas 20h00, 1.ª sessão, e pelas 22h30, 2.ª sessão, numa liça construída de forma a fazer jus à época, decorre um Torneio Medieval.

Estes, compostos por diversos grupos berberes, organizaram exércitos e instalam o seu quartel-general em Marraquexe objetivando vencer os Almorávidas, que haviam sido responsáveis pela unificação do poder muçulmano e ainda governavam, pontualmente, no território do Gharb.
Em Silves liderava Ibn Qasí, uma figura proeminente que havia fundado um importante movimento religioso sufista, os Muridas. Se numa primeira fase o seu móbil foi a pregação e a conversão das populações à sua doutrina, o que conseguiu em larga escala, mais tarde, o Mestre, ciente de que o poder religioso e o poder político eram indissociáveis, formou exército e lançou-se em várias campanhas militares, que objetivaram o alargamento do território que dominava, sempre sob o lema doutrinal.
Numa fase inicial Ibn Qasí é aliado dos Almorávidas mas rapidamente se incompatibiliza com estes e se coliga aos emergentes Almóadas. Porém, a sua ação demasiadamente dominadora, autoritária e arrogante desgostam o Mestre Murida que volta a aliar-se aos já decadentes Almorávidas.
Mas, a força dos Almóadas era imensurável e, manter a autonomia não se submetendo ao seu poder, uma tarefa quase impossível sem o apoio externo de exércitos fortes e bem organizados. Ainda assim Ibn Qasí vai-se mantendo irredutível e, não só não se subordina, como pretende subtrair aos Almóadas territórios que se encontram agora sob o seu domínio.
Em 1151 já o rei cristão, Afonso Henriques, havia conquistado importantes cidades até à linha do Rio Tejo, como Lisboa, Sintra, Santarém, Palmela e Alcácer do Sal, contando com o apoio dos Templários, cuja ordem integrava. Reconhecendo não só o poderio do senhor cristão como também algumas afinidades entre a doutrina sufista, na qual o Muridismo assentava, e os princípios religiosos subjacentes aos Templários, Ibn Qasí decide propor um pacto ao monarca cristão.
O acordo, que se reveste de enorme secretismo, tinha um objetivo: derrotar os pequenos reinos agora dominados por antigos companheiros Múridas que, entretanto, tinham aceitado o jugo Almóada. A estratégia seria Ibn Qasí atacar pelo sul e Afonso Henriques pelo norte.
O rei não lhe responde de imediato mas, mais tarde, envia a Silves uma embaixada que vem transmitir a Ibn Qasí a sua concordância. Para selar o pacto Afonso Henriques manda oferecer ao senhor de Silves três presentes aparentemente singelos, se pensarmos que provêm de um suserano, mas carregados de simbolismo: um cavalo, montada privilegiada da busca espiritual; um escudo, símbolo da arma protetora, representação do universo e, para os muçulmanos, alguém que é sábio e leal para com os seus confrades, protegendo-os do mal; e uma lança, alegoria do poder que se exerce com autoridade incontestada, a arma que confere um poder inigualável, a que o distingue de todos os homens.
Apesar do secretismo do pacto, no momento da entrega dos presentes, os mensageiros de D. Afonso Henriques oferecem a Ibn Qasí, num campo de treino próximo ao Arrabalde Oriental da cidade, uma exibição da arte de cavalgar e alguns exercícios de luta a cavalo, à maneira cristã, a que o mestre regozijado assiste, acompanhado apenas de alguns familiares e seguidores de maior confiança.
O contexto histórico é real mas a realização e oferta do torneio imaginário, como são fantasiados o local e o ambiente onde nos encontramos agora. Prontos para viajar no tempo até ao longínquo ano de 1151?
NASCER DA TERRA – Castelo de Silves enche-se de histórias
Também haverá, como habitualmente, um espetáculo no Castelo de Silves, pelas 22h00, com muita animação, dança e música, atraindo os visitantes para o espaço mais emblemático da cidade.
Esforço, suor e lágrimas, no dia-a-dia de um povoado que tira da terra o seu sustento, num incansável ciclo de trabalho: lavrar, semear, regar e cuidar, numa simbiose rítmica com o quotidiano, até à tão esperada colheita. Momento de festa e celebração Serão estes os motes para o espetáculo deste ano, que será uma performance multidisciplinar, de fogo, movimento e pirotecnia. Este projeto engloba, acrobacia, dança, artes circenses (lira e mastro), manipulação de figuras animadas, manipulação de objetos de fogo, malabares não convencionais e alguns momentos musicais ao vivo. Grupos envolvidos no espetáculo:
ANYMAMUNDY
É um projeto independente vocacionado para artes do espetáculo, visa promover e inovar no âmbito das intervenções de rua, explorando espaços físicos, públicos e temáticas não convencionais aliando as artes performativas ás artes plásticas. Desde que surgiu em 2002, tem-se afirmado com a sua multidisciplinaridade e adaptabilidade. No seu percurso, tem participado ao longo dos últimos anos nos maiores eventos medievais nacionais. No campo plástico tem desenvolvido várias sinergias com companhias de teatro e outros autores entre eles, Radar 360º, Zeca Medeiros, Clara Andermatt, Teatro do mar, Rei sem Roupa, entre outros.
MALATISCH
O Projeto Malatitsch surge em 2009 quando os performers Carmen Viegas e Chandra Malatitsch se conhecem na escola de artes e ofícios (Chapitô). Ambos já trabalhavam na área do espetáculo, recriação histórica e cinema. Malatitsch têm como propósito associar várias técnicas de diferentes artes para realização de espetáculos e animações de rua, tendo em consideração as exigências e temáticas de cada evento, focando-se essencialmente nas artes circenses. Nos últimos anos tem contado com mais um intérprete, Alfredo Teixeira, com formação inicial em ginástica, dedicado agora às acrobacias e ao Parkour, fundador da Team Braga.
BOCA DE CÃO
A Boca de Cão surge do amor às artes plásticas e ao teatro de rua, que tomou forma em espetáculos de marionetas que tem passado por várias cidades em Portugal e Espanha. Da vontade de continuar a apresentar criações específicas para a rua e de desenvolver um universo próprio de fusão da estética rural e tradicional com a contemporaneidade, Hugo Ribeiro e Joana Domingos fundam a Boca de Cão no início de 2015. Além das formas animadas, procuram desenvolver também criações plásticas, instalações e performances para o espaço público. Hugo Ribeiro Licenciado em Cenografia pela ESMAE- (Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo do Porto), é atualmente professor na mesma instituição que o formou. Ao Longo dos últimos anos, tem desenhado e criado cenografia para várias companhias, tais como Teatro do Frio, PELE, Radar 360o, Erva Daninha, Nuvem Voadora, Anymamundy e Boca de Cão. Em 2015 participa na criação da cenografia no espetáculo “Os Transportadores” da Companhia Radar 360o, projeto vencedor da Bolsa Isabel Alves Costa, parceria FIMP, Comédias do Minho e Teatro Nacional S. João.
Experiência Medieval – uma verdadeira e completa viagem no tempo
Para além de todas estas ofertas, os visitantes que queiram fazer uma “viagem no tempo” e viver um serão como personagens da história e da Feira podem participar no programa «Experiências Medievais».
O visitante poderá participar nesta recriação histórica, vivendo o dia-a-dia de um personagem nobre da época áurea da antiga capital do Reino do Algarve e experimentando toda a emoção e nobreza deste festejo de uma forma privilegiada.
PROGRAMA
17h30 Acolhimento junto ao parque de estacionamento (Praça Al-Muthamid)
18h00 Trajamento e contextualização histórica (BMS)
19h20 Bebida de boas vindas
20h00 Torneio de Armas a Cavalo – participação exclusiva
21h00 Manjar Medieval
22h00 Espetáculo “Nascer da Terra” – Castelo de Silves
DATAS E HORÁRIO
Diariamente de 12 a 21 de agosto das 17h30 às 24h00. Limitado à participação de 30 pax/dia e sujeito a marcação prévia.
PREÇOS
• Até aos 6 anos: Grátis
• Dos 6 aos 10 anos: €25
• Maiores de 10 anos: €50
Benefícios exclusivos da Experiência Medieval: Acompanhamento personalizado permanente, entradas diretas no perímetro da feira e nos espetáculos sem estar sujeito a filas de espera, lugares privilegiados nos espetáculos pagos (torneio e castelo), momentos de animação personalizados e recordação da Feira Medieval de Silves.
Nota 1: A experiência medieval inclui acompanhamento personalizado e ainda: welcome drink; traje, torneio, banquete, animação no castelo e oferta de recordação da Feira Medieval.
Nota 2: As reservas deverão ser feitas com antecedência mínima de 24 horas através dos seguintes contactos:
• [email protected]
• +351 910 888 949
• Presencialmente no Secretariado da Feira Medieval ou nas bilheteiras oficiais do evento.
Xilb dos Pequenos – a aventura também pode ser vivida pelas crianças.
As crianças não são esquecidas e podem encontrar, na Feira Medieval de Silves um espaço especialmente criado e pensado para eles. Chama-se «Xilb dos Pequenos”, recordando a palavra árabe que deu origem ao nome da cidade. Nesse espaço, as crianças e respetivas famílias poderão usufruir de diversas atividades educativas e lúdicas.
Os trajos da Feira Medieval de Silves
Os trajos são uma das imagens mais significativas do rigor e qualidade da Feira Medieval de Silves.
Dois roupeiros disponibilizam, a quem o desejar, fatos de homem, mulher e criança, que são alugados por um valor simbólico (ver preços, mais à frente neste documento).
A Gastronomia: uma atração para todos os gostos
No que toca à gastronomia são dadas a todos os participantes indicações muito claras, no sentido de que os alimentos confecionados não deverão conter ingredientes desconhecidos na Idade Média, como a batata, os pimentos, entre outros (sobretudo, devido ao facto de serem provenientes do continente americano). Procura-se, igualmente, estimular o trabalho de pesquisa e recolha de receitas de origem medieval e a sua reprodução.
«Xilb»: a moeda da Feira Medieval de Silves
Durante os dias em que decorre este evento, será utilizado o «Xilb», uma moeda válida apenas no espaço da Feira e que concorre, como os demais elementos cénicos, trajos e animação, para a criação de um ambiente muito característico e único.
Os visitantes podem trocar os seus euros por esta moeda, num posto de câmbios, embora, caso não o desejem fazer, possam continuar a usar os euros, já que ambos são moeda corrente dentro do recinto.
Haverá três tipos de moeda:
• ½ XILB = € 0,50
• 1 XILB = € 1,00
• 5 XILB = € 5,00
Monumentos da cidade estão abertos durante a Feira
Quem visitar a XIII Feira Medieval de Silves – XIII FMS – poderá, também, conhecer o Castelo de Silves e o Museu Municipal de Arqueologia, já que estes espaços estarão abertos ao público no horário de funcionamento da XIII FMS.
CASTELO de SILVES
O Castelo de Silves, que é Monumento Nacional desde 1910, é também o mais emblemático monumento da cidade. Assente no topo da colina, esta fortificação apresenta a forma de polígono irregular, com uma área aproximada de 12 mil metros quadrados, com as suas imponentes muralhas de taipa, revestidas a arenito vermelho, o Grés de Silves.
A muralha é toda ligada por um caminho de ronda guarnecidos de 10 torres, duas das quais albarrãs. O monumento é composto por várias torres de planta retangular, verificando-se a existência de duas de tipo albarrã, ligadas à muralha por um arco. Para além de ser um espaço defensivo, foi residência de governadores, dos seus contingentes militares e de funcionários da administração.
Tal como noutros castelos, a presença de uma grande cisterna e silos para armazenamento de cereais é imperativa, de modo a fazer face às restrições inerentes aos períodos de cerco. Aqui, o grande Aljibe muçulmano terá sido edificado em torno aos séculos XII-XIII e abasteceu de água a cidade até aos anos 90 do século XX.
MUSEU MUNICIPAL ARQUEOLOGIA
O Museu Municipal de Arqueologia estará igualmente aberto aos visitantes durante todo o evento. Inaugurado em 1990, este espaço foi construído em torno do Poço-Cisterna Almóada, sobre o qual não se conhece qualquer referência nas fontes medievais à sua existência. Com a sua estrutura escavada no substrato geológico, atingindo 18 metros de profundidade, foi descoberto após escavações arqueológicas decorridas nos anos 80 do séc. XX. Hoje classificado como Monumento Nacional, o Poço-cisterna motivou a construção do Museu Municipal de Arqueologia. Além desta estrutura de especialmente interesse, pode encontrar na visita um vasto espólio de peças arqueológicas, com as coleções organizadas cronologicamente desde a pré-história até ao período moderno.<h
Feira Medieval de Silves – um eco evento há já dois anos
A ALGAR, empresa certificada e responsável pelo Sistema de Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) do Algarve, atribui pelo segundo ano consecutivo a categoria de «EcoEvento» à Feira Medieval de Silves.

Por isso, a ALGAR assegurará formação específica aos responsáveis pela higiene e limpeza do recinto, disponibilizando os equipamentos para a deposição de resíduos (nomeadamente sacos verdes, azuis e amarelos, que permitem a separação dos mesmos).
A organização da Feira Medieval de Silves procurará, por seu turno, sensibilizar os visitantes para que cumpram as boas práticas no que toca a este tema, contribuindo todos para a redução do impacto ambiental do evento.
Neste sentido, também terá lugar, de 25 de julho a 10 agosto, uma campanha junto de todos os consumidores de água com contrato de abastecimento no concelho de Silves, campanha essa que visa a recolha de papel, cartão e embalagens. Os consumidores que entreguem separados 2 kg de papel/cartão e 2 kg de embalagens (plástico, metal e embalagens de cartão para alimentos líquidos) – Modalidade A ou 2 kg de papel e 1 kg de embalagens separados (plástico, metal e embalagens de cartão para alimentos líquidos) – Modalidade B, receberão prémios medievais: bilhetes de entrada no Espetáculo no Castelo (limitado a 30 participantes) ou um bilhete de entrada no Torneio de Armas a Cavalo (limitado a 30 participantes) ou bilhetes de entrada no recinto da Feira.
Os locais de entrega destes materiais serão o edifício dos Serviços de Águas e Saneamento do Município (Praça al-Mu’tamid | das 8h30 às 15h00) e Juntas de Freguesia de SB Messines (09h00 às 16h00) e de S. Marcos da Serra (9h00 às 17h00). No ato de entrega os participantes deverão apresentar: identificação do participante (CC ou BI) e fatura da água do último mês. Para as zonas não servidas por rede de pública de água, poderá ser apresentada a fatura da eletricidade do último mês.
Eventos diários
Abertura da Feira Medieval de Silves – 18h00 Cortejo pelas Ruas e Largos da Medina
Leitura do Edital – 18h30 Portas da Cidade
Teatralização do Episódio Diário – 19h00 Diversos locais da cidade
Torneio de Armas a Cavalo na Liça – 20h00 Praça Al-Mu’thamid
Animação no Castelo – 22h00 Espetáculo no Castelo
Torneio de Armas a Cavalo na Liça – 22h30 Praça Al-Mu’thamid
Preços de Bilhetes
Animação Castelo de Silves
5,00 Euros
(inclui ingresso de entrada no perímetro)
Torneio de Armas a Cavalo
5,00 Euros
(inclui ingresso de entrada no perímetro)
Bilhete Diário
2,00 Euros
Pulseira Livre-trânsito
3,00 Euros (pré-venda até 6 de agosto)
4,00 Euros (durante a Feira Medieval de Silves)
Aluguer de Trajo
Adulto – 3,00 Euros
Criança – 2,00 Euros
Experiência Medieval
Até aos 6 anos: Grátis
Dos 6 aos 10 anos: €25
Maiores de 10 anos: €50
Adquira o bilhete nos seguintes locais de venda: http://ticketline.sapo.pt/, Fnac, Worten, El Corte Inglés, Centro Comercial Dolce Vita, Galerias Campo Pequeno, Agências Abreu, Agência de Bilhetes para Espectáculos Públicos, MMM Ticket, Centro Comercial Mundicenter, U-Ticketline, Centro Cultural de Belém e Piscinas Municipais de Silves.
Para reservas e informações ligue 1820 (24 horas) | A partir do Estrangeiro ligue +351 21 794 14 00
A pulseira só é válida quando colocada no pulso. O seu uso é pessoal e intransmissível.
A pulseira estará disponível a partir do dia 25 de julho, em pré-venda, e poderá ser adquirida nas Juntas de Freguesia do Concelho de Silves, nos equipamentos municipais (Piscinas Municipais, Biblioteca Municipal, Castelo de Silves, Museu Municipal de Arqueologia e Centro de Interpretação do Património Islâmico) e em vários estabelecimentos comerciais da cidade e do concelho de Silves.
Quem pretender adquirir o bilhete diário, poderá fazê-lo nas bilheteiras, na loja FNAC do Algarve Shopping ou online, através do sítio da Ticketline.
As crianças até 1,30 m de altura estarão isentas do pagamento de entrada na Feira.
Os trajos deverão ser alugados nos Roupeiros Reais.
Horário de funcionamento da XIII Feira Medieval de Silves
Abertura: 18h00
Encerramento: 01h00