O ponto alto do programa das comemorações do Dia Europeu do Enoturismo foi deixado para o final. Com o auditório do Convento de São José cheio, a Câmara Municipal de Lagoa apresentou pela primeira vez, no dia 6 de novembro, o vídeo que pretende motivar o júri da «Cidade do Vinho 2016», iniciativa promovida pela Associação de Municípios Portugueses do Vinho, a eleger esta localidade como embaixadora do vinho no próximo ano. A decisão será revelada no final deste mês.
O vídeo dá a conhecer o que melhor há em Lagoa, além deste produto. A gastronomia, o alojamento, as praias reconhecidas a nível internacional são alguns dos atrativos colocados no pequeno suporte audiovisual, que quer desvendar os tesouros escondidos no concelho. «Esta é uma candidatura de Lagoa, mas pretende valorizar toda a região, pois estamos todos comprometidos», argumentou Luís Encarnação, vereador da cultura da Câmara de Lagoa. Até porque, envolve a Câmara de Silves como parceira e os empresários das atividades turísticas, dinamizando a economia, resumiu o vereador.
Lagoa é, de facto conhecida como a terra de vinhos. «Nos anos 1960/70, as ruas cheiravam a vinho e este fazia parte do ADN da localidade». Mas não é só a tradição ou o vídeo que pesam no que toca à escolha da cidade algarvia pelo júri. A autarquia apresentou outros argumentos como a experiência, as parcerias, a visibilidade, a vontade e persistência, o reconhecimento do trabalho dos produtores algarvios ou a promoção e divulgação. No caso deste último, Lagoa apresentou uma lista de iniciativas a organizar caso seja eleita «Cidade do Vinho». É o caso de tertúlias, exposições, concursos, galas, visitas educacionais às adegas ou a recriação da festa da família agrária.
A verdade é que o seminário «Valorização do enoturismo no Algarve» foi mais do que esta apresentação, pois serviu também para colocar em cima da mesa a discussão dos problemas, desafios e soluções que podem melhorar este segmento numa região que ainda tem um caminho a recuperar, apesar de já ter aperfeiçoado alguns aspetos.
Para não existirem mal entendidos, Jorge Sampaio, presidente da Rota dos Vinhos de Portugal e da Rota dos Vinhos da Bairrada, explicou o conceito de enoturismo. Em suma, é o turismo do vinho, mas não pode ser resumido apenas aos produtores vitivinícolas. Um nicho que envolve este sector, mas também a hotelaria, a gastronomia, o territórios e todas as outras atividades.
Isto porque, segundo Jorge Sampaio, o turista que viaja pelo vinho ou adegas, precisa também de dormir, de comer, de passear. Tem que envolver, por isso, municípios, empresários, agentes turísticos.
Não será também um mercado a desperdiçar, pois gera, no mundo, seis milhões de viagens, dos quais quatro são ocasionais e dois são frequentes. A boa notícia é que se trata de um segmento que tem vindo a aumentar entre 8 a 12 por cento ao ano e em que o turista gasta em média até 450 euros por estadia.
Aliás, há um estudo da Organização Mundial de Turismo que garante que a gastronomia/vinho é um fator de decisão do turista, quando este escolhe Portugal. Ou seja, «quando um turista escolhe um destino de praia, a gastronomia/vinho é o fator de diferenciação que o faz escolher Portugal», explicou Jorge Sampaio.
Mas este dirigente das duas rotas colocou também o dedo na ferida, afirmando que o enoturismo, para já, enquanto produto estruturado não existe. «Temos tudo o que é necessário, mas ainda não é estruturado» e é esse trabalho que está a ser feito. Na opinião de Sampaio, tem que existir uma sinergia para dinamizar este segmento. «Um turista não pode chegar a um hotel, perguntar qual a adega que deve conhecer e o funcionário do hotel não saber responder nem conhecer quais as que existem na sua região», exemplificou. É por isso crucial envolver empresários, privados e todos os agentes como os culturais.
O Algarve não passa ao lado desta realidade. Diversas vezes, neste tipo de encontros é mencionado que os vinhos da região ainda não têm lugar na restauração. Algo que Desidério Silva, presidente da Região de Turismo do Algarve também referiu.
Falta também a certificação das rotas no país. «Não obriga a que sejam todas iguais, mas obriga a que o turista tenha uma garantia de qualidade. Não posso exigir que a pequena Bairrada seja igual ao Alentejo, que tem uma dimensão maior, mas posso garantir excelência em ambas», resumiu Jorge Sampaio.
No caso do Algarve, há já vários produtores a investir, mas a rota ainda terá que ultrapassar algumas barreiras e tirar proveito das mais-valias existentes.
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Câmara de Lagoa aprova orçamento e alivia famílias
O executivo da Câmara Municipal de Lagoa aprova por maioria, com abstenção do PSD, o orçamento camarário e as grandes opções do plano para 2016, que ascende aos 31 milhões de euros, em reunião de 30 de outubro. O partido da oposição votou a favor no que toca à proposta da redução da carga fiscal. Segundo nota de imprensa da autarquia, foi aprovada a redução do IMI e do IRS para os sujeitos passivos com domicílio fiscal em Lagoa. Estes documentos foram discutidos e votados na última reunião da Assembleia Municipal, que teve lugar ontem, dia 11, no auditório do Convento de São José, já após o fecho desta edição, na terça-feira, dia 10 de novembro.
O orçamento e as grandes opções do plano pretendem dar condições de vida às populações, em áreas como a ação social, mobilidade e requalificação urbana, serviços públicos essenciais, redução das perdas de água, que aumentam a fatura a pagar pela Câmara e munícipes, e a construção de ramais de abastecimento de água a várias povoações do concelho. Estes são apenas alguns dos exemplos enumerados pela autarquia.
A medida que também marcou a reunião camarária foi a proposta de diminuir os impostos. Assim, o executivo municipal, tendo em conta, o «intenso e criterioso trabalho na recuperação das finanças municipais, alicerçado na redução da despesa, na diminuição da dívida/passivo e no aumento da receita», conseguirá aliviar os encargos das famílias, comprometendo-se em «rever a taxa de IMI e/ou IRS», afirma a Câmara em nota de imprensa.