O nosso talento desta semana chama-se Inês Eurídice Brandão Leite, tem apenas 12 anos e um já extenso palmarés.
Recebeu-nos com alguma timidez, não acreditando ter sido escolhida para entrevistada da semana, mas brindou-nos com sorrisos maravilhosos, quando conseguíamos quebrar a barreira.
Filha da pianista e professora Teresa Brandão, a Inês disse-nos que foi sua a iniciativa de estudar o instrumento, porque ouvia a mãe tocar, em casa, e também queria.
Contudo, foi o violino a sua primeira escolha, aos quatro anos, porque era o instrumento que o irmão mais velho tocava. Ainda hoje o pratica, frequentando o segundo grau, no ensino articulado, com a professora Oxana Temniakova.
Também já experimentou o violoncelo, mas este instrumento não lhe desperta grande paixão. Contudo, é o piano, que estuda desde os seis anos, o seu instrumento de eleição, comprovado pelos sucessos quem vem obtendo desde os sete anos.
barlavento – Conta-me lá um bocadinho da tua vida musical?
Inês Leite – Comecei a ter aulas aos seis anos, no Conservatório de Música Joly Braga, na classe da professora Marta Alves. Mas antes já tocava um bocadinho, com a minha mãe.
São muitos anos de piano. Já fizeste várias exibições públicas, não é?
Sim. Tenho ido a alguns concursos.
Nacionais ou internacionais?
Já fui a um no estrangeiro e consegui um terceiro prémio. Os outros têm sido todos em Portugal.
Além do piano, também estudas o violino. Não é difícil tocar dois instrumentos tão diferentes?
Gosto mais do piano. O violino é mais um passatempo, serve-me para relaxar.
E o violoncelo, que praticaste durante dois anos e abandonaste?
Gostei, mas fiquei com saudades do violino. E três instrumentos são demais.
E a escola, como vai?
Estou bem. Frequento o 6º ano, com boas notas. Está tudo equilibrado.
Como é que encaras a música, no futuro? Profissão a tempo inteiro, ou pensas em tirar um curso noutra área?
Gostava de seguir música, mas não penso ainda muito nisso. A música tem muito a ver comigo, sinto-me bem a tocar e não me importava de fazer uma carreira na música.
E não é difícil fazer uma carreira na música?
Deve ser. Mas gostava de participar numa orquestra. Era giro (riso). Mas aí tenho mais hipóteses com o violino do que com o piano.
É uma das razões porque também continuas com o violino?
Se calhar, é um bocadinho.
Mas o piano é o teu instrumento de eleição?
Sim. Agora, vou ao Porto, uma vez por mês, ter aulas com o professor Álvaro Teixeira Lopes. É um bom professor, amigo da minha mãe e a minha família vive toda lá.
Uma vez por mês não é pouco?
É, mas a minha mãe ajuda-me em casa.
Qual é o teu compositor preferido?
Ultimamente, a música que me deu mais pica tocar foi uma sonatina do Kabalevsky, que levei ao último concurso e já tinha levado a Espanha. Foi a primeira música dele que interpretei. Um compositor de que gosto mesmo para tocar é o Heller.
E em violino, de quem gostas mais?
Ainda não faço muita coisa no violino. E a minha professora é russa e dá-nos umas músicas que não sei de quem são. Ela tem lá os seus livros, são todas russas e nem sei bem o que toco (risos).
Em que ensemble estás integrada, no Conservatório?
No violino, estou na orquestra Bach. No piano, não estou em nada.
Despedimo-nos da Inês Leite, desejando-lhe que continue na senda do sucesso e com a simplicidade e a humildade que nos cativaram.