Sob o tema «Presente Invisível», a BoCA – Bienal de Artes Contemporâneas esteve em Faro e Lisboa, entre dia 2 de setembro e 15 de outubro.
Terminada a 4.ª edição da Bienal de Artes Contemporâneas (BoCA), que decorreu entre os dias 2 de setembro e 15 de outubro, em Faro e Lisboa, sob o tema «Presente Invisível», é altura de contabilizar os números.
Durante seis semanas de uma diversa programação artística e multidisciplinar, totalizaram-se 51.000 espetadores, 63 artistas de 13 nacionalidades, 35 teatros, museus, centros culturais, espaços verdes, espaços patrimoniais e clubes.
Um reconhecimento de que o público da BoCA é, como explica o diretor artístico John Romão, «cada vez mais expandido e representativo de diversas regiões da visibilidade e da invisibilidade que refletem os espetáculos, performances, concertos, instalações, debates e workshops» revelados nesta edição.
Sob o tema «Presente Invisível», e através da obra de artistas como Paul B. Preciado, Agnieszka Polska, Ana Borralho & João Galante, Bendik Giske & Romeu Runa, Marcus Lindeen, Gabriel Chaile, Héctor Zamora, Marina Herlop, Gaya de Medeiros ou Odete & Caty Olive, abordaram-se a crise migratória, a militância antirracista e os saberes ancestrais; ensairam-se futuros fluídos entre identidades de género ou entre o passado e o futuro; activaram-se para o presente histórias apagadas do nosso passado; arriscou-se a palavra cantada com novas óperas ou descendências dela; e sentiu-se a potência transgressora do feminino e do transfeminino.
Nesta demanda, acrescenta John Romão, «encantámo-nos com vozes, sopros e danças que só podem ser de outro mundo, num Panteão sempre esgotado, caminhámos no centro de Lisboa com mitologias atuais, vimos dançar e cantar amores e desamores, e também exercitámos o corpo com danças livres, em momentos de festa».
As sementes para o futuro já foram plantadas. E, como é habitual em cada edição, desenham-se agora ramificações das relações de proximidade iniciadas com artistas, projetos e instituições parceiras.
A BoCA prolonga, assim, a sua experiência junto do público com a publicação de oito documentários sobre os protagonistas e respetivos trabalhos apresentados.
Reforçam-se ainda os vínculos com os artistas a quem a Bienal encomendou e produziu criações novas, como é o caso do espetáculo «The Talking Car», de Agnieszka Polska, da performance e instalação «Terra Cobre», de João Pais Filipe e Marco da Silva Ferreira, da performance de Odete e Caty Olive, da performance concerto de Bendik Giske e Romeu Runa, ou da criação iniciada por Gaya de Medeiros, cujas digressões nacionais e internacionais estão a ser preparadas para o biénio de 2024/2025, por Paris, Berlim, Varsóvia ou Madrid, mas também por Serpa ou Porto.
Com direção artística de John Romão, a BoCA contou com financiamento do Ministério da Cultura / Direção-Geral das Artes (DGARTES), Câmara Municipal de Lisboa, Câmara Municipal de Faro, Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação Millennium Bcp, e com as parcerias de MaisFRANÇA / Institut Français du Portugal, Festival Queer Lisboa, FLAD ou Goethe-Institut Lisboa.