No topo de uma arriba entre Lagos e a Praia da Luz, a Vinha da Falésia, produz blends frescos de marca própria com um toque de História.
Em Portugal, o que não faltam são vinhas com vistas deslumbrantes; desde as magníficas colinas do Alentejo às dramáticas paisagens montanhosas do Dão e às encostas idílicas do Douro. Mas nenhuma tem uma vista tão deslumbrante e privilegiada para o mar como a Vinha da Falésia, a vinha mais a sul do país e, consequentemente, a mais próxima do mar.
Esta vinha de 1,8 hectares, composta por castas tintas e brancas, foi plantada em 2014 num terreno inclinado entre Porto de Mós e a Praia de Luz, no Barlavento algarvio. Estendendo-se sobre a falésia de Santa Maria em direção ao oceano Atlântico, o seu terroir único produz brancos minerais e frescos e tintos cor rubi.
A Vinha da Falésia foi criada pelo empresário britânico Iain Brown e a sua mulher Feann.
O plano original era estabelecer uma vinha em New South Wales, na Austrália, mas foi em Portugal que construíram a Quinta dos Castanhos. A quinta, que inclui a casa da família, a vinha e uma cabana de degustação de vinhos com vista para as vinhas, está situada no topo de uma falésia tranquila, onde ovelhas e cabras pastam no campo ao lado e os caminhantes passeiam ao longo do trilho dos pescadores.
Virada para sul, esta vinha única beneficia de um terroir privilegiado, onde as videiras são favorecidas pela exposição solar durante todo o ano, pela brisa fresca do mar e por um solo calcário e xistoso autodrenante, perfeito para as vinhas.
«Mas pagamos o preço por esta bela localização, porque há centenas de tentilhões no ar», refere a responsável pela vinha, Louise Gallagher, que veio para o Algarve há 14 anos e faz parte do projeto desde o início. Louise explica que estes pássaros ágeis gostam particularmente das uvas tintas, o que os obriga a lançar papagaios sobre as vinhas para os manter afastados ou a cobrir as videiras com redes, «o que não é muito agradável do ponto de vista estético».
A animada responsável descreve a disposição da vinha. «Quando olhamos para a vinha, na colina a subir em direção ao oceano, temos Sauvignon Blanc e Arinto», aproveitando ao máximo a frescura do mar. Mais perto do deck de degustação e junto à casa estão os tintos: Cabernet Sauvignon, Syrah e Touriga Nacional.
Os primeiros vinhos da marca Falésia foram comercializados em 2019, «1000 garrafas de branco e 1500 de tinto», recorda Louise, que explica que ainda estão a crescer. Como perderam vinhas nos últimos anos, tiveram de replantar algumas. Este ano, esperam produzir cerca de 2000 garrafas de vinho branco e 2500 de tinto, quase duplicando a produção inicial, e ainda assim não atingirão a sua capacidade máxima.
O enólogo e viticultor Pedro Mendes, que é também consultor das conceituadas Quinta do Francês e Quinta da Penina, no Algarve, assumiu as rédeas do projeto Falésia Wines para garantir a qualidade das vinhas e dos vinhos.
O portifólio deste produtor boutique inclui a gama Infante da Falésia Premium, uma referência ao Infante D. Henrique – figura central dos descobrimentos marítimos do século XV, cujo retrato figura nos rótulos dos vinhos –, e a gama Reserva.
O Infante da Falésia Branco 2020 Premium é um blend seco e fresco de Arinto e Verdelho, envelhecido em cubas de aço. Com uma cor amarela delicada com reflexos esverdeados, tem um perfil citrino com notas de salinidade do terroir e nuances subtis de tangerina, pera e pêssego. Na boca, é denso, fresco e com um final persistente. A edição de 2021, que será lançada em breve, é um blend de Arinto e Sauvignon Blanc.
O Infante da Falésia Tinto 2020 Premium é um blend sem qualquer intervenção em madeira, feito a partir das três castas tintas da vinha: Cabernet Sauvignon, Syrah e Touriga Nacional. Apresenta uma bela concentração de cor rubi com nuances granada. Os seus aromas evidenciam compota de frutos vermelhos e ervas aromáticas como o tomilho e o alecrim. Um tinto fresco, mas concentrado, com taninos longos e suaves.
A quinta produz também um Infante da Falésia Rosé Premium, um vinho seco cor de salmão, feito com 100 por cento Negra Mole, produzido por João Mariano, da Quinta da Penina em Estômbar, Lagoa, que é também responsável pela vinificação, envelhecimento e engarrafamento de todos os vinhos da marca Falésia.
Com a falésia de Santa Maria e uma caravela portuguesa no rótulo, o Reserva tinto e o Reserva branco são os vinhos de topo da quinta. Com 93 pontos na revista Decanter, o Falésia Reserva Branco 2021 é um blend de Arinto e Sauvignon Blanc, envelhecido durante seis meses em barricas usadas de carvalho francês, o que lhe confere uma cremosidade deliciosa. Aromático e complexo, este vinho vibrante cor de palha tem notas de frutos tropicais, pera e pêssego no nariz, e é poderoso na boca, com notas persistentes de amêndoa, espargos brancos e torrada. É denso e fresco, com um final persistente.
Embora o Falésia Reserva Tinto 2020 tenha um teor alcoólico de 16 por cento, «esconde-o bem», afirma Louise. De facto, este blend potente e doce feito com as castas Cabernet Sauvignon, Syrah e Touriga Nacional tem uma cor rubi profunda e equilibrada.
No nariz, apresenta aromas de frutos vermelhos maduros cozidos, chocolate preto, cassis e especiarias, que também se encontram no paladar, juntamente com uma ligeira salinidade atlântica e taninos longos e sedosos. Envelhecido durante dois anos em barris velhos de carvalho francês, precisa de mais um ano em garrafa antes de poder ser lançado, e beneficiará de mais alguns anos em cave.
Tanto as visitas à quinta como as provas são organizadas por marcação pela Louise, que serve uma seleção de três vinhos acompanhados de tapas no deck da cabana, com uma vista magnífica sobre a vinha e o mar.
A pequena produção de vinhos é atualmente vendida na quinta, em lojas de vinhos especializadas, como a «Mosto» em Lagos, e em vários restaurantes na zona, incluindo «O Camilo» na Ponta da Piedade.


