O sol tímido não tirou a boa disposição às dezenas de estrangeiros que assistiam às provas equestres, na esplanada do restaurante VIP do Clube Hípico de Vilamoura, na passada quarta-feira, 23 de março. Ao sabor do café de final da manhã, muitos nem se aperceberam que estavam a ser abordados por uma governante. «Qual é a sua impressão do Algarve?», perguntou a secretária de Estado. A resposta, com sotaque britânico bem carregado, dificilmente seria melhor. «Há três anos que vimos para cá. É fantástico. Quem nos dera ter um sítio como este no Reino Unido».
Mas não foi apenas satisfeita que a secretária de Estado se sentiu. «Fiquei bastante surpreendida com a dimensão e a organização daquilo que aqui encontrei. Neste momento, estas provas já ocupam cerca de seis semanas na época baixa, no Algarve, o que demonstra uma grande capacidade de trazer turistas fora da época mais tradicional. Ao mesmo tempo, é muito interessante já que 27 nacionalidades estão presentes neste evento», disse aos jornalistas Ana Mendes Godinho. É positivo «o feedback das pessoas em relação ao destino Algarve», acrescentou.
Durante a visita, a governante percorreu os bastidores, as instalações de apoio às competições e ouviu explicações detalhadas sobre a organização da parte do diretor do evento, António Moura.
A secretária de Estado foi acompanhada pelo presidente da Região de Turismo do Algarve, Desidério Silva, e pelo presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo, entre outras individualidades convidadas. E reconheceu que o evento «é um dos caminhos para a quebra da sazonalidade que se faz com a diversificação de vários produtos».
«Temos que apostar nestes segmentos, os estágios desportivos. O Algarve tem condições fantásticas ao longo de todo o ano, quer para a prática de desportos náuticos, quer para outro tipo de modalidades. Temos que ter capacidade de ir buscar lá fora equipas internacionais, alunos, desportistas para o Algarve, numa altura em que no resto da Europa não se pode fazer isso», considerou.
A secretária de Estado recordou a sua presença na região, há uma semana, onde conheceu de perto o produto «Loulé Criativo». «Cada vez mais, temos que apostar nos nossos valores genuínos, naquilo que é nosso, aproveitar o território, a hospitalidade, tal como foi aqui referido pelos estrangeiros, o nosso clima, a gastronomia para, cada vez mais, atrair as pessoas para virem para cá e ouvir os comentários que ouvi. Estão deslumbrados com o Algarve e vão voltar nos próximos anos».
Ainda durante a visita, a governante falou com a organização do campeonato do mundo de vela, na classe optimist, que vai decorrer em Vilamoura, em junho. Na opinião de Ana Godinho é outro bom exemplo da forma como o Algarve se pode mostrar lá fora. «É essencial, cada vez mais, termos eventos com a capacidade de projetar o nosso país e, concretamente neste caso, o Algarve, para que nos posicionem nos seus destinos de férias. É muito importante termos alavancas que chamem a atenção e que sejam uma forma de atrair novos públicos».
«O projeto que eu preconizo para o Algarve, e para o concurso equestre de Vilamoura, é ocupar todo o calendário de inverno, de outubro a março/abril. Temos todas as condições. Se o conseguirmos, seremos os mais fortes da Europa. Os cavalos são uma indústria que arrasta uma grande quantidade de comércio. Só no Reino Unido há 5 milhões de pessoas envolvidas no sector. Posso dizer que, no ano passado, foram aqui transacionados mais de um milhão de euros em cavalos. É uma vertente importante que complementa a competição. No fundo, isto é uma grande feira», explicou António Moura, organizador da prova e responsável pelo Centro Hípico de Vilamoura.
«Recebemos os melhores escalões do mundo, numa época em que estão a começar as provas de outdoor na Europa. Contudo, Espanha é um concorrente muito forte e temos que estar ao mesmo nível, para que as equipas escolham qual a região e o país onde se sentem melhor recebidos», acrescentou.
A entrada no Centro Hípico de Vilamoura é gratuita. «Em Aachen, na Alemanha, o hipismo enche um estádio para 45 mil pessoas, onde se paga bem para entrar. No entanto, aqui temos facilmente 3 a 4 mil pessoas por fim de semana a assistir às provas», entre turistas e residentes.
Este ano participam cerca de 1000 cavalos e 300 cavaleiros de 27 países, em provas a contar para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e o Campeonato da Europa de 2017, a disputar na Suécia.
Um SPA para cavalos
Outra das valências que impressionou a secretária de Estado do Turismo Ana Mendes Godinho foi a presença de um SPA para cavalos. Embora já sejam comuns nos EUA, ainda são pouco frequentes em eventos equestres na Europa. O equipamento é um projeto da Horse Therapy Services (HTS), empresa sediada no norte do país, que montou uma clínica veterinária de campanha, destinada a apoiar os participantes do Vilamoura Atlantic Tour. O spa tem tido grande procura. «A primeira sessão dura cerca de 10 minutos, pois queremos que o cavalo saia satisfeito e disponível para repetir a experiência. A água chega-lhe apenas até ao nível do joelho, para não assustar», explicou um dos membros da equipa veterinária ao «barlavento». A hidroterapia é feita com água salgada à temperatura de 2º centigrados. Benefícios? «É sobretudo, a prevenção. Depois dos esforços feitos em prova, a água fria solidifica qualquer ruptura que haja nos músculos das pernas do cavalo, diminui os inchaços e oxigena toda a parte cutânea». O spa é fabricado no Reino Unido pela ECB Equine e utiliza 2000 litros de água que dão para 3000 tratamentos (a um ritmo até 20 cavalos/ dia).