Aos 49 anos, e depois de 500 arrojados projetos desenvolvidos ao longo dos últimos 12 anos, Vasco Vieira está a desenvolver um novo edifício que irá funcionar enquanto ateliê e centro de design, na Fonte Santa, concelho de Loulé. A estrutura de quatro andares, com 1200 metros quadrados, deverá ser inaugurada no início de abril e recupera um antigo imóvel há muito devoluto.
O interior será uma montra de «todo o tipo de materiais e soluções com as quais se podem equipar e decorar as habitações» explica o arquiteto ao «barlavento» Além disso, o novo espaço «integrará ainda uma galeria de arte com o intuito de promover jovens talentos nacionais» e cujas obras poderão enriquecer ainda mais os projetos com a assinatura da equipa de Vasco Vieira.
Depois de centenas de casas construídas, garante que «não existem duas obras iguais. Cada projeto é individual, feito para aquele local e para aquele cliente específico». A maioria dos trabalhos em curso são moradias individuais no Algarve, mas também pequenos hotéis de luxo, e três grandes hotéis no Dubai, Miami e Madrid.
«Temos ainda vários projetos na Rússia, Kuwait, França e Bahamas. Dedico-me cada vez mais a grandes projetos internacionais. Viajo muito, o que me permite uma maior abertura de visão e ter contacto com outras formas de trabalhar», afirma.
Os clientes da ARQUI+ são na maioria, estrangeiros em busca de uma segunda habitação. Vasco Vieira, no entanto, admite que o mercado inglês «sempre foi o mais forte», embora outros tenham muito relevo, como o irlandês, alemão, belga, holandês, polaco e russo.
«Sinceramente, temos clientes de todas as nacionalidades a investir no Algarve. Apesar de já ter trabalhado nos melhores sítios do mundo, ainda não encontrei um lugar melhor do que este para viver. Muitos dos nossos clientes são bilionários e podiam ter escolhido ter casa em qualquer outra parte do mundo, mas optaram pelo Algarve. E porquê? Bem, acredito que muitas vezes é preciso viajarmos para percebermos a qualidade do sítio em que vivemos. Na minha opinião, a Quinta do Lago e Vale do Lobo são os melhores para indivíduos com capital investirem, sem risco!», defende.
De acordo com o arquiteto, o aspeto diferenciador do seu trabalho é a aposta num conceito de qualidade. Esta aposta, irá, consequentemente, refletir-se num «valor comercial muito mais alto». «Construímos 20 pequenas moradias em Areias de Seixo, no concelho de Torres Vedras. No mesmo local, onde uma casa com a mesma área é vendida por 250 mil euros, as nossas são vendidas por um milhão de euros», exemplifica.
Também na Quinta do Lago, enquanto uma moradia nova custa cerca de 6,5 milhões de euros, as habitações com a assinatura de Vasco Vieira nunca têm um valor de venda abaixo dos dez milhões de euros, assegura.
Desafiado a falar um pouco sobre o seu percurso pessoal e profissional, recorda que «desde muito novo que soube que iria ser arquiteto», recorda. Contudo, não deixa de ser impressionante que o jovem, nascido na África do Sul, tenha desenhado o seu primeiro projeto de arquitetura com apenas 11 anos, e à escala de 1:100. Ainda hoje guarda o rascunho. «Os meus pais iam construir uma casa e eu fiz as plantas e alçados. Na época, as pessoas escolhiam o modelo de casa por catálogo. Como eu sempre gostei de desenhar e não estava contente com aqueles modelos, decidi fazer o meu próprio projeto».
Ingressou na Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, onde se formou em arquitetura, mas, em 1994, mudou-se para Portugal, para fugir à instabilidade política e social que assolava a o país. «Já tinha emprego e vida estável, mas decidi começar do zero em Portugal.» Apaixonou-se pelo Algarve durante os 10 anos que trabalhou enquanto diretor de construção e arquiteto principal no resort de Vale do Lobo. Decidiu depois aventurar-se no seu próprio projeto pessoal, fundando o ateliê de arquitetura Arqui+, que começou de forma modesta, com apenas dois profissionais. Hoje emprega 20 e tem em mãos 50 projetos, a desenvolver não só em Portugal, mas também no exterior.
O estilo contemporâneo de Vasco Vieira privilegia o elemento água, a utilização de vidro, a simplicidade e horizontalidade de linhas, o pé-direito duplo e os open spaces. O intuito é tirar sempre o máximo partido da localização através da integração do edifício na natureza, aproveitando as paisagens naturais e a exposição solar. «Acima de tudo, aliar a beleza à funcionalidade. Todos os nossos projetos são exequíveis e funcionais».
Todo o processo criativo de desenvolvimento do conceito é assumido pelo próprio, em sua casa, e à mão. «Concentro-me melhor em casa. Trabalho muito com os meus olhos: tenho de visualizar o conceito e desenhar à mão para que o processo se desenvolva de uma forma mais fluída», explica. Depois, o primeiro trabalho que apresenta aos seus clientes é precisamente o desenho feito à mão, e à escala. «Os clientes gostam imenso, pois sentem-se especiais. Infelizmente, os processos criativos são cada vez mais impessoais», diz o Vasco Vieira, que considera fundamental o envolvimento do cliente ao longo do projeto.


