«A solução está acima de um futuro gestor» que venha a tomar conta do Centro Hospitalar do Algarve (CHA). «É preciso muito mais do que isso. É preciso investimento em médicos e enfermeiros, e nos recursos humanos que estão a faltar no sistema. É preciso uma reorganização que termine com esta fusão» que, na opinião de Rui Ribeiro, é a «raiz dos problemas».
A ação de protesto, frente ao hospital de Faro mobilizou cerca de 150 pessoas empunhando cartazes com palavras de ordem como «A Saúde é um direito, tratem-nos com respeito» e «Cuidados de proximidade, medicina de qualidade».
«Neste momento, estamos a entrar num tal caos e num tal desespero que há pessoas com pernas partidas a serem enviadas para Lisboa», devido à falta de resposta no serviço de ortopedia do CHA.
Ribeiro lembrou ainda que «o encerramento da maternidade e de outras valências obrigam as grávidas a deslocar-se para Faro», o que também obriga «médicos a atravessarem todos os dias o Algarve para praticarem as suas especialidades, o seu trabalho». Em comunicado conjunto, as três Comissões de Utentes do Serviço Nacional de Saúde do Algarve, lamentam que «o Hospital de Lagos esteja condenado ao abandono». E que tanto em Faro, como em Portimão, a situação é «desesperante» para quem tem de esperar por uma consulta nas urgências «seis, oito ou mais horas». Além disso, «há 150 mil algarvios sem médico de família. Os Centros de Saúde não os estão a atender e recusam dar resposta até uma simples constipação», acusou Rui Ribeiro.
No decorrer desta ação foi lida e aprovada uma moção que será enviada à Presidência da República, ao Governo, à Assembleia da República, aos grupos parlamentares, à Associação de Intermunicipal do Algarve (AMAL), à Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve e à Administração do CHA. A missiva, à qual o «barlavento» teve acesso, sublinha que com a «recente derrota do governo PSD/CDS há que exigir agora uma efetiva mudança de política no país» no que toca à «defesa e valorização do Sistema Nacional de Saúde».
O documento sublinha ainda a preocupação com a «transferência de cada vez mais serviços de prestação de cuidados de saúde para os privados», com consequências para a população. «Aumenta a degradação do sistema público de saúde, com infraestruturas deficientes, desvalorização dos profissionais de saúde, racionamento de materiais, encerramento de serviços de proximidade, e agravamento do acesso aos cuidados de saúde».
«Olho ali para a direita e fico ainda mais doente», disse Virgilio Nogueira, fundador da Comissão de Utentes do Hospital de Faro, referindo-se a um outdoor estrategicamente colocado na fachada de um edifício paralelo ao local onde os manifestantes se concentraram.«Estamos à saída do Hospital de Faro e temos um anúncio do Hospital Privado de Loulé em frente à porta, a dizer está aqui a solução. É fácil: paguem!», ironizou Rui Ribeiro. Curiosamente, no outro lado da estrada, também a unidade do CHA ostenta a sua própria mensagem na fachada: «Hospital Público: dedicação, humanismo e tecnologia ao serviço de todos».