O projeto previsto para a zona da Meia Praia é grandioso e combina a vertente habitacional com o turismo de saúde. Será um investimento que poderá rondar os 55 milhões de euros e prevê a criação de cerca de três centenas de postos de trabalho, segundo adiantou ao «barlavento» Joaquina Matos, presidente da Câmara Municipal de Lagos.
«Haverá um resort, dois hotéis, vários apartamentos, um centro de assistência médica», direcionado para o «turismo sénior», num conjunto global «que ainda não existe igual» neste território, afirmou a edil.
Um empresário estrangeiro colocou este projeto à apreciação da autarquia, inserido no Plano de Pormenor para a Unidade 3. Ficará localizado num terreno com vários hectares, situado a norte da estrada que dá acesso à unidade hoteleira do grupo Vila Galé. Será «mesmo para avançar», garantiu Joaquina Matos.
O volume do investimento e a abertura de novas oportunidades de emprego no concelho são as principais razões que levam a autarquia a apoiar as intenções do promotor. Apesar de ainda estar em apreciação, o projeto «terá apoio porque combaterá a sazonalidade. Tem muito a ver com a saúde e é mais direcionado para um público alvo sénior, que aprecia muito as condições climatéricas» do Algarve durante todo o ano, «inclusive no inverno», justificou a presidente da autarquia. Ou seja, não é um turismo de sol e praia, mas um público que procura climas mais amenos na época baixa aliado a serviços complementares de saúde.
Por outro lado, o uso turístico que será dado a este novo empreendimento prima por uma abordagem diferente, ao combinar turismo sénior de qualidade com as práticas de assistência e acompanhamento, em particular na área dos cuidados de saúde.
Além deste investimento, o promotor tem outra unidade operativa na Meia Praia, localizada junto ao empreendimento do grupo Onyria, nos Palmares, para a construção de moradias. «Comprou o terreno e elaborou o Plano de Pormenor, em conjunto com outros proprietários. Serão construídas naquela zona moradias em lotes de três e quatro mil metros quadrados», avançou ainda Joaquina Matos em declarações ao «barlavento».
O concelho de Lagos está agora a recuperar de uma deriva de 13 anos sem Plano Diretor Municipal (PDM). Contudo, esta lacuna não impediu que estes e outros projetos fossem tomando forma, explicou a autarca. O recurso a Planos de Urbanização e Planos de Pormenor, permitiram ao município evitar a estagnação do desenvolvimento, sobretudo a nível imobiliário. Naquela zona nobre, o Plano de Urbanização da Meia Praia permitiu ao grupo detentor dos Palmares continuar os seus investimentos, ainda que com a crise, a um ritmo mais lento.
Para já, a aposta deste empresário estrangeiro poderá ser uma reviravolta na oferta global da cidade e do concelho, catapultando Lagos enquanto referência num segmento muito apetecido e com grande potencial de crescimento a médio prazo.