A direção artística do Teatro Lethes desenhou a programação de 2024 para dar atenção especial aos jovens e às comemorações do 25 de Abril de 1974.
A direção artística do Teatro Lethes de Faro desenhou a programação para 2024 de forma a trazer mais jovens aos espetáculos e a dar uma atenção especial às comemorações do 25 de Abril.
«A ideia é que possamos trazer este ano muita gente nova aos nossos espetáculos, com a intenção de mudar um pouco o paradigma atual», disse à agência Lusa Luís Vicente, responsável pela programação, do Teatro Lethes.
Luís Vicente vai apresentar oficialmente no sábado a programação para 2024, mas já adiantou os espetáculos previstos durante o primeiro trimestre do ano.
O responsável, que também é ator, encenador e o diretor artístico da ACTA – A Companhia de Teatro do Algarve, sublinhou que desenhou a programação a pensar em trazer mais «infância e juventude» para os espetáculos, em ter uma atenção especial às comemorações dos 50 anos do 25 de Abril de 1974 e, finalmente, realizar intervenções que sensibilizem, com a realidade dos conflitos que se vivem atualmente no mundo.
Por outro lado, Luís Vicente também foi muito crítico com a falta de apoios que o Teatro Lethes tem tido do atual governo.
«O nosso projeto de criação sofreu uma rutura com o atual governo. Espero que o atual ministro [da Cultura] passe ao passado. Espero que vá rapidamente para o lugar inócuo de comentador político», disse o diretor artístico.
«Ainda que limitados em alguns recursos, com o apoio do município de Faro e da Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses (RTCP) da Direção-Geral das Artes (DGArtes), a programação do Teatro Lethes está estabelecida até ao final do ano», assegura.
Vicente realçou que a estrutura tem conseguido «aguentar» com o suporte financeiro sobretudo da Câmara Municipal de Faro, mas também dos restantes municípios algarvios com quem tem protocolos assinados.
E destaca algumas novidades durante o corrente ano: no âmbito do teatro, a atuação, pela primeira vez, da «conceituada» Companhia do Chapitô, e no âmbito da dança, a «grande» Rocio Molina, inovadora do flamenco.
Ainda no que diz respeito à dança, realce para a residência artística com a Curiosoaplauso e, no âmbito do Teatro Físico, uma coprodução com o JAT, duas estruturas locais que são «referência artística».
Por outro lado, segundo o diretor artístico, serão mantidas as parcerias habituais com a Orquestra do Algarve, com as iniciativas promovidas ou patrocinadas pelo município de Faro e com o Teatro das Figuras.
A ACTA, por seu lado, promete duas criações sobre o tema do 25 de Abril.
Até ao fim de janeiro, destaque para «A música das palavras» (18 de janeiro), do coro de câmara Lisboa Cantat, e «El poso de los mil demónios» (25), do Karlik Danza Teatro, de Cáceres, Espanha.
«Apperception Plotline», «Outono para Graça» e «Almada E TUDO!» (23 de fevereiro), da Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo, «Música a oito vozes» (29), da Orquestra do Algarve, são apostas, entre outras, para fevereiro.
Em março será a vez de «Júlio César» (02), da Companhia do Chapitô, de «Impulso» (09), de Rocio Molina, e de «Viagem ao Centro da Terra» (27), teatro para crianças, de Máquina de Cena.
Finalmente, em abril podem ser vistos os espetáculos «Mary para Mary» (11), de A Barraca, e «Ensaios Abertos» (23-28), da ATA, onde o público é «convocado a participar no estabelecimento final da narrativa dramática e da própria encenação».
O edifício que hoje se designa Teatro Lethes, começou por ser um colégio de Jesuítas – Colégio de Santiago Maior, fundado pelo Bispo do Algarve, cuja licença lhes foi concedida em 08 de fevereiro de 1599.
A inauguração do Teatro Lethes efetuou-se a 04 de Abril de 1845, associando-se às comemorações do aniversário da Rainha D. Maria II.
A programação de 2023 do Teatro Lethes vai ser apresentada oficialmente sábado às 21h00, nesta sala de espetáculos.
A agenda de janeiro a abril pode ser consultada aqui.