O levantamento do confinamento imposto pelo estado de Emergência é uma conquista dos portugueses e do Sistema Nacional de Saúde. Mas o desafio agora é maior.
A saída do confinamento é o fim do começo, por isso, obriga a que aceitemos um modo estranho de convivência social, fisicamente mais distante e seguramente mais triste.
É-nos pedido que façamos sacrifícios, sejamos resilientes e tenhamos engenho e talento para que rapidamente se implementem diferentes modelos de funcionamento na economia e novos rumos de negócio, que se mudem paradigmas e alterem comportamentos.
Infelizmente, a saída do confinamento ainda não é a cura. Todavia, este fim do começo é, também, uma oportunidade de mudança.
Desde logo, na estratégia de maior diferenciação do destino turístico e de afirmação do Algarve como destino de primeira residência. A qualidade de vida oferecida a quem aqui escolha viver é das melhores do mundo e ideal a um recomeço de vida, pós pandemia. A avaliação é da revista Forbes.
A reputação e a boa imagem granjeada na área da saúde era o elemento que faltava na confiança de futuros residentes seniores para a escolha da nossa região como destino habitacional.
O trabalho remoto em casa ultrapassou o ceticismo de trabalhadores e empregadores e abriu caminho a uma nova era nos processos das empresas, o que permite, agora, poder escolher um local de residência mais simpático e convidativo a uma vida em contacto com a natureza, num clima privilegiado e num ambiente de exceção.
Em 2012 escrevi um artigo de opinião intitulado «O Mundo Ainda Não Sabe» que visava a promoção do Algarve como destino residencial de excelência para seniores, do centro e norte da Europa, a quem apelidei de snowbirds, e para pessoas em idade profissional ativa que poderiam trabalhar a partir de casa em contacto com qualquer parte do mundo, criando na região uma dinâmica económica mais constante e sustentável ao longo do ano.
Na altura foi cedo. O mundo ainda não sabia que o Algarve era esse destino residencial de excelência e nós também não nos esforçámos muito para que soubesse. E assim continuámos muito dependentes do sol e da praia, de junho a setembro, na nossa habitual zona de conforto.
Mas agora já sabe. A pandemia e o confinamento forçado despertaram em nós a importância de se aproveitar a vida, desfrutando cada momento que é vivido fora da densidade do betão e da claustrofobia dos apartamentos urbanos. Os últimos dias fizeram-nos redescobrir a beleza dos sons silenciados e entusiasmamo-nos com as imagens de uma natureza que já não conhecíamos.
Por sua vez, a revista Forbes fez-nos o favor de dizer ao mundo que o Algarve é o melhor local para viver no momento pós-pandemia. É um sitio aprazível, tem um excelente clima, é seguro, dispõe de boas infraestruturas e de serviços qualificados, assegura cuidados de saúde nos momentos mais difíceis e oferece uma gastronomia extraordinária, variada e saudável. Que enorme janela de oportunidade.
Mas não percamos de vista que ainda estamos no fim do começo desta crise de saúde pública. O risco de descontrolo é, no final da primeira fase, ainda maior se não continuarmos cautelosos na forma como enfrentamos a doença COVID-19 e, não menos importante, se agravarmos a condição de saúde de doentes crónicos, descurando a sua vigilância e tratamentos ou impedirmos o acesso atempado às unidades de saúde de doentes urgentes e prioritários.
A valiosa boa imagem que o Sistema Nacional de Saúde conquistou, tão importante para uma retoma económica futura, rapidamente se perde se cedermos à ansiedade e ao medo de não ultrapassamos as dificuldades conjunturais atuais.
O Rt atual, ou seja, o número de reprodução do vírus em função do tempo, é de 1,04. E tenha-se em consideração que temos 21,7 infetados por cada 10 000 pessoas. A evolução deste indicador (Rt ) anuncia o nosso futuro imediato. Se este valor (1,04) não baixar, substancialmente, dificilmente teremos a abertura turística que ambicionamos e desejamos.
A European Travel Commission (ETC), entidade europeia de turismo, antecipou que o próximo verão na Europa será como regressar a 1970, com os europeus a optarem pelo turismo de proximidade, privilegiando o mercado interno, e pediu regras uniformes no seio da União Europeia para evitar problemas sanitários. É uma previsão realista e encerra com uma preocupação sensata.
O impacto económico da estagnação no turismo será devastador e o sector necessita de ajuda extraordinária para recuperar da crise gerada pela COVID-19 e restabelecer, no menor curto de espaço de tempo possível, as suas operações.
Aos decisores políticos compete a apresentação urgente de medidas de discriminação positiva de auxílios concretos e calendarizados. A incerteza e a insegurança vigente no sector do turismo e da restauração não ajudam na racionalidade que o presente momento exige.

O governo tem sido prudente na decisão de abertura da atividade económica e de devolução da liberdade plena aos cidadãos, anunciando avaliações quinzenais ao resultado das medidas tomadas.
À semelhança de outros países, far-se-á uma monitorização permanente do número médio de casos secundários em tempo real. Este valor é a chave que abre ou fecha a porta da nossa liberdade individual e coletiva e em Portugal ainda é elevado.
O Rt atual, ou seja, o número de reprodução do vírus em função do tempo, é de 1,04. E tenha-se em consideração que temos 21,7 infetados por cada 10 000 pessoas. A evolução deste indicador (Rt) anuncia o nosso futuro imediato. Se este valor (1,04) não baixar, substancialmente, dificilmente teremos a abertura turística que ambicionamos e desejamos.
Falar a verdade e com seriedade aos empresários e trabalhadores do sector do turismo e restauração é pedir-lhes para acompanhar a evolução desse indicador. A gestão das suas expectativas e a base das suas decisões estará, sobretudo, nesse número.
Está na nossa mão condicionar positivamente a sua evolução. Parafraseando o primeiro-Ministro «acredito no comportamento exemplar dos Portugueses».
«Agora, isto não é o fim. Nem sequer o começo do fim. Mas é talvez o fim do começo». Winston Churchill
Nuno Sancho Ramos | Gestor