«O tabaco e o álcool estão entre os principais fatores de risco, verificando-se que só um por cento dos doentes não são fumadores. Este cancro afeta mais os homens, com idades entre os 60 e os 70, embora apareça em todas as gerações depois dos 30. Por isso, os homens que são fumadores há muitos anos e também consomem álcool devem procurar fazer o rastreio», alerta António Sousa Vieira, coordenador da Unidade de Otorrinolaringologia do Hospital Lusíadas Porto.
O mesmo especialista alerta ainda que «os fumadores de longa data devem valorizar situações prolongadas de alteração na sua voz, como rouquidão permanente por mais de três semanas, pois pode indiciar um tumor maligno nas cordas vocais.
A desvalorização dos sintomas e o desconhecimento fazem com que o diagnóstico seja tardio, diminuindo a taxa de cura da doença». Os profissionais que usam a sua voz como instrumento de trabalho ou quem grita com frequência correm o risco de desenvolver uma perturbação das cordas vocais, como nódulos ou pólipos, sobretudo se tiverem associado refluxo esófago-faríngeo.
Por isso, António Sousa Vieira aconselha «os profissionais que utilizam muito a voz, como professores, advogados ou cantores», a tomar «algumas precauções, como aprender a respirar melhor para evitar lesões provocadas por esforços vocais, beber água com regularidade, evitar consumos excessivos de álcool e tabaco e evitar comer antes de deitar, sobretudo leite e derivados».