O primeiro seminário sobre o tema «Planeamento de refeições vegetarianas para crianças em restauração coletiva» realiza-se na terça-feira, 18 de abril, na Escola do Ensino Básico da Fonte Santa, em Quarteira. É uma feliz coincidência visto termos aprovado no dia 3 de março, na Assembleia da República, o nosso Projeto de Lei que determina a obrigatoriedade da opção vegetariana em todas as cantinas públicas.
Organizado pelo PAN Algarve, em parceria com a Câmara Municipal de Loulé que, desde o primeiro momento, na pessoa do seu presidente Vítor Aleixo, se associou a esta iniciativa demonstrando abertura para dar corpo a um evento que pretende tornar visível e exequível esta necessidade sentida por muitos.
Em 2007 havia cerca de 30 mil vegetarianos no país, segundo a Associação Vegetariana Portuguesa. Em 2014, a Associação Portuguesa de Medicina Preventiva veio a divulgar que, até essa data, já cerca de 200 mil portugueses faziam essa escolha.
Entre os vários parceiros deste evento, destaco a Direcção Geral de Saúde (DGS) que em 2015 publicou o documento «Linhas de Orientação para uma alimentação Vegetariana Saudável» no âmbito do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável. Em 2016 elaborou mais dois documentos: «Manual de alimentação Vegetariana em Idade Escolar» e «Planeamento de Refeições Vegetarianas para Crianças em Restauração coletiva: Princípios Base». Recomendo vivamente a sua consulta no sítio da DGS.
A evidência aponta não só para a importância do consumo regular de produtos de origem vegetal, como para o facto de uma alimentação exclusivamente vegetariana ser igual ou até mais protetora da saúde humana, reconhecendo a sua importância na prevenção de várias doenças como a obesidade, a diabetes, as doenças cardiovasculares e determinados tipos de cancro, entre outras patologias.
Sabemos hoje que esta alimentação, quando bem planeada, pode preencher todas as necessidades nutricionais de um ser humano, sendo adaptada a todas as fases do ciclo de vida, incluindo a gravidez, lactação, infância, adolescência e em idosos ou até atletas.
Já Hipócrates, filósofo grego nascido no ano 460 A.C., considerado o «pai da medicina», dizia «que o teu remédio seja o teu alimento e que o teu alimento seja o teu remédio».
Na verdade, muitas são as razões para que a alimentação seja um assunto importante para cada um de nós e para o coletivo, incluindo animais e planeta. As escolhas alimentares têm um forte impacto na natureza. A Organização das Nações Unidas considera que uma dieta sustentável deve proteger e respeitar a biodiversidade e os ecossistemas, ser acessível, economicamente justa, nutricionalmente adequada, segura e saudável. Deve ter em conta a produção de alimentos com reduzido consumo de água, baixa emissão de carbono, promover a biodiversidade alimentar e uso de alimentos de origem local. Na verdade, a produção pecuária é uma das principais causas dos problemas ambientais: responsável por 51 por cento das emissões de gases de efeito de estufa; 91 por cento da destruição da floresta da Amazónia; gasta mais de oito por cento da água global que o ser humano usa.
O pasto ocupa 26 por cento da superfície terrestre, enquanto que a produção de colheitas para consumo requer cerca de 1/3 de toda a terra arável. Não menos importante para muitos é a razão ética desta opção alimentar. Refiro-me à compaixão e à proteção dos animais, que hoje sabemos serem dotados de sensibilidade e de emoções, tal como nós. E na verdade, a nível físico, mental e emocional, somos o que comemos.
Opinião de Elza Cunha | Médica de Família e Comissária Nacional e do PAN Algarve