A próxima edição do «Silves Tour», no domingo, 7 de maio, a partir das 9h30, com partida no complexo de Piscinas Municipais, vai apoiar a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Silves. Todas verbas angariadas com a campanha «Eu Ajudo», que implicam a compra de uma T-shirt alusiva ao evento por cinco euros, serão entregues às 12h00 à associação.
Rosa Palma, presidente da Câmara Municipal de Silves, apela à adesão das pessoas, pois esta iniciativa tem sempre este carácter solidário de «ajudar uma instituição do concelho».
Este foi um evento criado pelo anterior mandato, ao qual a edil resolveu dar continuidade. Apenas foi introduzida, há «três anos, a Mini Mamã», em que «se pretende que as recém-mamãs ou familiares possam acompanhar os mais pequenos numa caminhada pela zona ribeirinha», afirmou Rosa Palma.
Nesta vertente haverá a «Mini Caminhada pela Ciclovia», que pode ser realizada a pé, carrinho de bebé, bicicleta, patins, trotineta, skate e outros meios semelhantes. Estão também agendadas várias aulas de grupo para bebés, crianças e adultos, como yoga para crianças dinamizada por Joana Felizardo e yoga para bebés, dinamizada por Inês Mestre, representante da Escola Babyoga Portugal. Haverá, ainda, pinturas faciais e alusivas ao Dia da Mãe, um insuflável e um circuito de trânsito para os mais novos poderem experimentar e conhecer as regras do código da estrada.
Já os mais aventureiros podem optar pelo BTT, com 24 quilómetros, ou pelos outros percursos com cinco ou nove quilómetros. O que interessa é participar e ajudar a Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Silves. A prova é gratuita, mas quem quiser pode (e deve) adquirir a T-shirt, havendo tamanhos de adulto e criança, à venda na sede dos Bombeiros Voluntários de Silves, Complexo das Piscinas Municipais de Silves e Juntas de Freguesia do concelho.
Quem quiser pode ainda contribuir com um donativo que pode ser entregue no secretariado do evento ou nas instalações dos Bombeiros.
O que também é muito importante para uma maior adesão a esta iniciativa é o facto do evento estar incluído no calendário de marcha-corrida do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), porque leva ao concelho de Silves pessoas de outros locais.
Os interessados em participar podem inscrever-se no site do município, nas Juntas de Freguesia, ou no local da prova, no dia do evento.
Faltam Bombeiros Voluntários
A corporação de Bombeiros Voluntários de Silves atua em várias vertentes, tendo profissionais formados em diversas áreas, como o desencarceramento, combate a incêndios florestais, urbanos, máquinas de rasto e mergulho, segundo explicou ao «barlavento» o comandante Luís Simões.
Com maior frequência respondem a situações de saúde e acidentes de viação, enquanto no verão a maioria da atuação centra-se nos incêndios florestais. Neste momento, a corporação tem 68 elementos. «Temos duas companhias, mas independentemente disso eles fazem escala. Por dia, temos poucos operacionais. Éramos para ter 10 em cada turno e temos quatro, o que não é nada. É muito pouco mesmo», avançou.
A falta de incentivos e de motivação dos mais jovens para ingressar nas corporações é o grande problema. Neste caso, a corporação até tem meios e equipamentos, ainda que alguns já contem com alguns anos. «Temos uma frota de 34 veículos. Não são muitos, porque cada um tem as suas características. Temos ambulâncias, veículos de combate a incêndio, desencarceramento», disse o comandante. A verdade é que uma das realidades transversais a diversas corporações é a falta de dinheiro também, que se junta à falta de operacionais.
«As últimas notícias apontam para a falta de 300 bombeiros no Algarve. Isto no mínimo. O pessoal está pouco sensibilizado para a causa», lamentou Luís Simões.
A corporação dos Bombeiros de Silves estará envolvido no «Silves Tour», com alguns meios no sistema de socorro, tal como é habitual quando são solicitados para alguma prova de entidades, câmaras ou coletividades. Vão aproveitar a oportunidade para, além de efetuar rastreios aos participantes, tentar sensibilizar para o ingresso na corporação.
«Sou responsável operacional, mas sempre que posso angariar fundos para esta casa, também o faço. E temos feito algumas ações de sensibilização inclusive na escola secundária para jovens de 11º e 12º anos, com o objetivo de cativá-los para esta casa. Temos alguns miúdos infantes e cadetes, mas ainda não estão na idade de ser bombeiros», resumiu ainda o comandante Luís Simões.
Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Silves tem nova direção
João José Gonçalves da Luz é o novo presidente da direção da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Silves. Com um universo de 1500 sócios, em que 60 por cento são reformados, sublinhou que há diversas dificuldades de tesouraria. Vê com bons olhos a iniciativa do «Silves Tour», cujas verbas angariadas revertem a favor desta associação. Este reconhecimento leva a que João Luz garanta desde já «apoio à Câmara Municipal de Silves em tudo o que for necessário. Para nós este evento é muito bom, porque vai-nos dar algum apoio financeiro».
Na sua opinião, os bombeiros estão sempre em «dificuldades, porque são uma instituição que está sempre em défice. Os serviços que fazemos nunca vão compensar as despesas que temos. Temos 34 ou 35 mil euros de despesa, em ordenados (21 mil) e caixa de previdência, mais os encargos todos como combustível, arranjos de carros», enumerou.
Por isso há que contar com as entidades oficiais, pois os sócios pagam pelas quotas não chega para angariar dinheiro suficiente.
Apela também à participação de jovens, pois faltam bombeiros no corpo ativo. «Pessoas que pudessem dar um pouco do seu tempo em prol da corporação gratuitamente», mas refere que «há falta de incentivos. «Em primeira-mão vamos tentar fazer um protocolo com a Câmara de Silves para ver se conseguimos dar alguns incentivos aos voluntários. É a única coisa que podemos fazer, pois estamos muito limitados», concluiu.