Os sinais de trânsito jazem sem qualquer utilidade e a erva daninha está tão alta que mal se vê o asfalto. A ideia de colocar os candidatos a condutores a manobrar em ambiente fechado era bem intencionada, mas tal como tantas outras, foi incompreendida e rapidamente abandonada.
Em 1999, a Câmara Municipal de São Brás de Alportel assinou um protocolo com a Direção-Geral de Viação. «Era um protocolo de cedência do terreno para a construção do parque de manobras. O documento tinha algumas cláusulas para a criação de uma escola de trânsito e inclusive a própria utilização do espaço», explicou ao «barlavento» Vitor Guerreiro, presidente daquela autarquia.
Hoje, só é «utilizada a sala, duas vezes por semana, para exames teóricos. Tem lá os computadores e o sistema informático. Mas as pistas, que foram criadas, nunca foram utilizadas, nunca sequer chegaram a ser estreadas», lamenta.
Depois de vários pedidos para agendamento de reuniões com o Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMTT), todas eles sem resposta, Vítor Guerreiro conseguiu, por fim, no passado dia 11 de fevereiro reunir-se com o presidente do conselho diretivo, Paulo Baptista de Andrade. «A autarquia tem vários projetos para a utilização daquele espaço exterior, que tem um enorme potencial. Penso que podemos fazer uma zona para uma série de desportos com alguma importância a nível local e regional. Desde desportos motorizados, eventos equestres e até corridas de modelismo e provas de aeromodelismo, já que não existe nada no Algarve para esse fim. Temos ali todas as condições», revela.
«Depois há uma situação interessante que tem vindo a ser falada com a Proteção Civil. Queremos construir um Centro Regional de Treinos de Combate a Incêndios para os bombeiros voluntários e municipais», que pode ser instalado no resto do terreno.
Até já existem infraestruturas. Segundo o autarca, estão no concelho uma série de contentores doados pelo Reino Unido, que servem para simular fogos em contexto urbano. «Estamos só a aguardar para os colocar no sítio correto».
Vitor Guerreiro admitiu que será necessário investir no parque de manobras que nunca o foi, para que possa finalmente, vir a ser qualquer coisa útil.
Sobre o horizonte temporal, «isso é a toda hora! Vamos avançar de acordo com as disponibilidades das várias frentes. O presidente do IMTT mostrou toda a abertura para uma nova parceria. Acordou em vir ao Algarve, muito em breve, para se inteirar das nossas ideias. E ficou agradado com a minha insistência em resolver esta situação. Penso que foi um diálogo profícuo e que trará resultados», conclui.