Paulino Neves, anfitrião no Moinho de Bengado durante quase duas décadas, recebeu um voto de louvor por parte do município de São Brás de Alportel.
A Câmara Municipal de São Brás de Alportel prestou homenagem, na terça-feira, dia 8 de abril, a Paulino Viegas das Neves, com a entrega de um Voto de Louvor, que é um reconhecimento público pelo seu valioso contributo para a valorização do património rural molinológico do concelho.
Marlene Guerreiro, vice-presidente da autarquia, acompanha pelos restantes elementos do executivo municipal em funções e por Cristina Rodrigues, coordenadora do Centro de Educação Ambiental do município, deslocaram-se ao Lar de Terceira Idade da Santa Casa da Misericórdia, onde Paulino Neves se encontra a viver, para proceder à entrega do reconhecimento, que foi lido pelo próprio ao lado de familiares.
Nascido no sítio da Cancela, concelho de Faro, a 26 de junho de 1932, filho de moleiro, Paulino Neves cresceu entre moinhos de vento e a sabedoria herdada do pai.
Acompanhou-o na arte de moer, percorrendo vários moinhos na região e cedo desenvolveu uma ligação profunda a esta herança cultural.
Mais tarde, após uma passagem pela emigração em França, regressou a São Brás de Alportel, onde exerceu a profissão de carpinteiro com reconhecida mestria.
Em 2005, aquando do projeto de restauro do Moinho do Bengado, promovido pela autarquia, Paulino Neves passou a colaborar com o município de forma regular e voluntária.
«Com entusiasmo contagiante e um conhecimento profundo da arte molinológica, foi durante quase duas décadas o anfitrião incansável de visitas escolares, grupos turísticos e atividades pedagógicas no Moinho do Bengado», de acordo com o município.
«Homem de simpatia genuína, sempre com um sorriso no rosto e uma paciência inesgotável tem uma forma especial de explicar o funcionamento do moinho, os hábitos dos moleiros e os segredos dos ventos, tornou cada visita num momento especial, que marcou gerações de crianças e educadores», aponta ainda a autarquia.
Segundo o testemunho da equipa do Centro de Interpretação e Educação Ambiental, «vivemos momentos inesquecíveis com Paulino ao leme. Explicava com paixão o que aprendera do pai e mostrava, já com o moinho armado, como tudo funcionava. Era uma verdadeira aula viva, dada com alegria e dedicação».
«Paulino Neves não só preservou a memória dos moinhos, como a transmitiu com generosidade, tornando-se um verdadeiro embaixador da identidade» são-brasense.
«Exemplo de cidadania, voluntariado e profundo amor à cultura local», Paulino Neves foi homenageado com este voto de louvor, aprovado em reunião de Câmara, a 25 de março, por unanimidade, e que é sinal do reconhecimento não só do município, mas de toda a comunidade.

